ILUSTRADO
Quarta-feira, 19 de Maio de 2010, 21h:02
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AUDIOVISUAL
Histórias distantes
Desde ontem e até sábado o Cine Sesc Arsenal exibe documentários com abordagens diferenciadas. As sessões são às 20 horas, com entrada franca
Claudio de Oliveira
Da Redação
No tempo que fazer documentário era programa de TV o cinema brasileiro já era craque no assunto. Hoje, com uma valorização coerente com o retrato social e humano que o documentário possibilita, novos filmes vêm sendo feitos e a escola brasileira pode ser conferida in loco no SESC Arsenal. O Brasil, dada a sua enormidade geográfica e as suas características díspares, é um objeto fértil para as lentes ousadas e criativas dos documentaristas. Esta semana e a próxima o SESC Arsenal apresenta Histórias Distantes. A mostra, grátis, tem hora marcada: 19h, no CineSesc. Alguns destes documentários já passaram por aqui como o filme de amanhã, o Aborto dos Outros da diretora Carla Gallo que esteve na programação do Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá em 2008. O debate sobre o filme, hábito do Festival, foi um dos mais acalorados do ano e a diretora e a produtora do filme, junto com instituições públicas e público chegaram a conclusão que ele deveria ser exibido em toda a rede de educação. O aborto continua provocando polêmica em todas as esferas e o filme apresenta uma série de situações de abortos realizados em hospitais públicos, previstos em lei ou autorizados judicialmente, e também em hospitais clandestinos, feitos de forma ilegal. Hoje, a mostra traz Vão dos Buracos, das diretoras Malu Tavares e Aline Mineiro. O documentário retrata o cotidiano de três famílias habitantes do sertão mineiro. O nome do filme é também o nome da comunidade onde vivem seus personagens. Localizada na região do Médio São Francisco e encrustada entre paredões de pedra e um rio que serpenteia a região. Vão dos Buracos, a comunidade, parece parada no tempo. Fogão de lenha, luz de candeia, telhados de palha de buriti, louça lavada no rio, estradas em condições precárias e longos caminhos percorridos a cavalo, são algumas das características da vida no local. O filme lança um olhar delicado sobre esse modo de vida para retratar o tempo dilatado do lugar antes e pós energia elétrica. No sábado é a vez do diretor Andrucha Wadington com seu Viva São João (2002). O documentário registra o que há de mais inovador e de mais tradicional nas festas juninas, com direito a histórias impagáveis, populares quadrilhas em chão de terra, quentão, quitutes típicos, vestimentas, decorações coloridas, luzes, fogos de artifício, religiosidade, simpatias... e até casamentos! O filme mostra uma envolvente caravana que durante quinze dias de festas visita de Juazeiro, na Bahia, a Exu, em Pernambuco, das procissões em pequenas vilas às grandes festas das cidades médias, tendo a música como um de seus principais personagens. Segundo a curadora Rita Wirtti Histórias Distantes mostra que a distância que separa, ou que une os homens é maior que a própria geografia, mais complicada que os sentimentos humanos, que as questões culturais e sociais. Olhando de outra maneira, poder-se-ia perceber a poesia contida em todas as narrativas, o lirismo aparente das histórias reais mostrado pelos olhos dos cineastas, num local impalpável das filosofias humanas e das artes onde as distâncias são vistas de outra forma, e onde as distâncias, às vezes, são anuladas e onde histórias aparentemente distantes encontram-se como substratos de poesia cinematográfica.