NA HORA
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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Terça-feira, 21 de Junho de 2011, 21h:41

DVD

História real sobre o valor da vida

Mesmo com raros diálogos e a quase sempre solitária presença de apenas um personagem em cena, filme se mantém interessante graças a habilidosa direção de Danny Boyle

Juarez Compertino
Especial para o Diário de Cuiabá
Uma pedra. É isso que separa Aron Ralston das pessoas, do restante do mundo e da própria vida, em “127 Horas” (127 Hours, EUA, 2010/Fox). Aron é um montanhista que num final de semana de abril de 2003 vai ai Canyon Blue John, lugar remoto em Utah. O que era para ser uma aventura de rotina se transforma em horas de desespero. Explorando um estreito cânion, Aron escorrega e uma pedra se desloca prendendo o antebraço direito dele. Atordoado, o montanhista de imediato empurra a pedra. Depois tenta içar a rocha com algumas cordas e nada. Com um faquinha “made in China”, praticamente sem corte, ele começar a bater na pedra para esfarelá-la e nada. O que fazer então? Anoitece, não há sinal de pessoas por perto e o pior: ninguém sabe onde ele está, pois, segundo o próprio Aron, ele é um cara muito egoísta e independente para ficar dando satisfação de sua vida. Com 400ml de água, um lanche, relógio, lanterna, máquina fotográfica, filmadora, cordas, um reservatório vazio e a faquinha, Aron passará as próximas horas pensando numa saída. Sem ter como se mover, os pensamentos acabam lhe guiando – o mais importante é não perder o controle. O tempo vai correndo, ele sente frio, calor, sede, fome, dor, tristeza, saudade, medo. É uma mistura de sensações físicas e emocionais em que a desidratação invadindo o corpo dele dá vazão às alucinações e às lembranças de momentos que lhe marcaram. Tudo isso, até chegar a hora de tomar a decisão de libertar seu braço drasticamente ou morrer ali. A automutilação que o tira dali não é surpresa e o final conhecido não diminui o impacto da jornada do jovem Aron, brilhantemente personificado por James Franco. Em sensacional atuação, indicada ao Oscar, o ator recria com convicção momentos de euforia, bom humor, desespero, resignação e esperança com tamanha autenticidade que é como se, ao reviver a experiência do outro, tenha compreendido como ninguém o que se passou naqueles dias fatídicos). Mais do que um filme sobre a superação de limites, “127 Horas” mostra quais são as razões que motivam a Aron a querer sair de lá e voltar a liberdade aventureira que tinha. Embora tenha raros diálogos e a quase sempre solitária presença de apenas um personagem em cena na maior parte do tempo, o filme se mantém interessante graças a habilidosa direção de Danny Boyle (“Transpointing”, “Cova Rasa”, “Quem Quer Ser Um Milionário?”) que não faz firulas no roteiro brilhante que ele e Simon Beaufoi escreveram sobre o fato verídico a partir das memórias de Realston que tinha 28 anos quando sofreu o acidente, e vai direto ao ponto. Não se dispersa em tramas paralelas ou perde tempo com personagens supérfluos. Com ritmo visual e sonoro vibrante, Boyle transforma essas 127 horas angustiantes em um drama humano eletrizante e repleto de emoção. Trata-se de uma rara e bela lição de superação na qual o protagonista demonstra gigantesco apego à vida. Fascinante!, “127Horas” recebeu mais 5 indicações ao Oscar (filme, roteiro adaptado, montagem, trilha sonora e canção original).

Edição EDIÇÃO 16960




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