"Sexo em público, fetiches, orgias. Esqueça o que você tem visto nas séries jovens. Mesmo tendo seu lado totalmente explícito, "Normal People" quer fazer da cama um lugar para conversas e reflexões, não só para a liberação de hormônios adolescentes.
Adaptação do best-seller "Pessoas Normais", da irlandesa Sally Rooney, a série chegou ao Brasil na plataforma de streaming Starzplay. Lá fora, críticos não pouparam elogios à trama, que teve a popularidade alavancada por suas cenas de sexo e nudez.
"Frequentemente o sexo é a parte problemática de um drama amoroso. Mas nesse caso é o contrário. Quando os protagonistas estão juntos, nessa relação íntima, tudo funciona. São os momentos em que são mais honestos um com o outro", diz Lenny Abrahamson, codiretor de "Normal People" e cineasta por trás de filmes como "O Quarto de Jack".
O público é apresentado a Marianne e Connell, estudantes do ensino médio de uma cidadezinha irlandesa. Tímida e solitária, ela vem de uma família abastada e problemática. Ele faz parte do grupo dos populares e sua mãe é faxineira na casa da colega de sala.
Eles se envolvem –mas em segredo, para não pôr o status de descolado de Connell em risco– e a trama os acompanha, entre idas e vindas, até chegarem à universidade.
"O fascinante é que Connell acha que ele é proibido e Marianne de alguma forma aceita isso. Mas o interessante é que ninguém ligaria se estivessem juntos –toda a complexidade desse relacionamento é trazida pelos próprios personagens", diz Abrahamson.
"Não há qualquer drama externo. Connell não tem que ir para o exército ou algo assim. Não há uma pressão exterior. O drama vem dos detalhes, dessa dança dos protagonistas."
Essa falta de grandes acontecimentos torna a interação entre o par a grande força-motriz da série. Silêncios, olhares e carícias ganham peso enorme à medida em que Connell e Marianne vão se conhecendo. É daí que vem a importância de dar atenção especial ao sexo, porque é por meio dele que os dois vão se sentindo confortáveis um com o outro.
Mas não é como se transas e nudez fossem algo tão escandaloso na TV atual. Abrahamson, no entanto, gosta de separar "Normal People" de seus pares juvenis. Segundo ele, o sexo tem um motivo para estar tão presente - é por causa da intimidade que ele oferece que nos aprofundamos no relacionamento do casal.
"Em algumas tramas há esse aspecto sensacionalista. Mas espero que o que fizemos mostre com lealdade as dimensões de Connell e Marianne."
Por mais sensuais que pareçam as cenas de "Normal People", no entanto, muito do que o público vê é um jogo que combina iluminação, câmera, montagem e técnicas ensinadas por uma coordenadora de intimidade - "ela nos ajudou a encontrar maneiras de gravar cenas como se fossem muito físicas sem ser".
Os atores que vivem os protagonistas se envolveram diretamente no processo de concepção das cenas quentes. "O sexo é uma parte central da trama, então precisávamos acertar nisso, mas de maneira que fosse confortável para os atores e a equipe."




