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ILUSTRADO
Terça-feira, 01 de Julho de 2014, 20h:04

NA FRANÇA

Flor Ribeirinha chega lá

Depois de luta para cobrir os custos das viagens, povo de São Gonçalo vai pra Etain, Chambery e a velhíssima Kaysersberg

O Grupo Flor Ribeirinha, de São Gonçalo Beira Rio, embarca nesta quinta-feira (3) para a França para representar o Brasil no Festival Mundial de Folclore. O grupo vai se apresentar em diferentes festivais nas cidades de Etain, Chambery e na cidade alemã até a Segunda Grande Guerra Kaysersberg, na Alsácia, além de realizar o espetáculo da noite brasileira do Festival de Ambert. O Flor Ribeirinha vai se juntar às outras delegações da Europa, Ásia e da África. Domingas Leonor, dirigente do Flor Ribeirinha, explica que o grupo vai apresentar um espetáculo de amálgama das culturas indígena, africana e europeia, as três principais matrizes de nosso sangue, além das origens do cururu e do siriri. “Vamos destacar ainda a vida ribeirinha e a religiosidade do nosso povo, com o objetivo de preservar as raízes da nossa cultura popular”, defende Domingas. HISTÓRICO O grupo Flor Ribeirinha nasceu em julho de 1993, em São Gonçalo Beira Rio, em Cuiabá, comunidade fundada no século XVIII, em território dos índios Coxiponés. Sua presença é recordada nos traços físicos dos moradores, no ritmo e nos passos da dança. O Flor Ribeirinha não poderia deixar de trabalhar a dança típica mato-grossense, realizada e mantida viva há mais de 200 anos e que reflete o multiculturalismo brasileiro, aquele mesmo de sangue índio, negro, português e espanhol. Em suas apresentações, o grupo manifesta, numa coreografia variada, melodias alegres e letras que têm como mote a vida ribeirinha e as tradições religiosas. Apresenta o ritmo contagiante, harmonizado e marcado pela batida da viola de cocho, do mocho e do ganzá. O siriri é dançado e cantado por homens e mulheres em fila ou roda formada por pares que cantam e batem palmas ao ritmo rápido e forte da música. O coro é próprio da música ameríndia, com clara influência da música serena e melodiosa, repleta do sentimento religioso dos colonizadores portugueses e espanhóis, essencialmente católicos. O ritmo marcado por instrumentos de percussão é herança óbvia da música e cultura africanas. O grupo foi idealizado para preservar, promover e divulgar a cultura popular e o bom desenvolvimento artístico da juventude. Com isso, o Flor Ribeirinha efetiva um trabalho de preservação do siriri, cururu e rasqueado, importantes manifestações culturais de Mato Grosso, levando para outros países o brilho e a riqueza da Cultura Popular brasileira. O Flor Ribeirinha tem mais de 20 anos de existência e já participou de todos os festivais de siriri de Mato Grosso. No ano passado, o grupo foi convidado para se apresentar no Festival de Dança de Santa Catarina, na cidade de Joinville; participou também em Minas Gerais, na cidade histórica de Ouro Preto, do Encontro Nacional de Danças Populares. Em seguida, o grupo se apresentou no evento Goal to Brazil, em Lima, Peru. Em novembro foi convidado para apresentar o siriri em Assunción, no Paraguay.

Edição EDIÇÃO 16961




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