ILUSTRADO
Quarta-feira, 20 de Maio de 2009, 21h:05
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CANNES
Filme de Tarantino é o mais concorrido do festival
Luiz Carlos Merten
Agência Estado
Foi a sessão de imprensa mais concorrida deste festival. Sala lotada para ver o novo Quentin Tarantino e foi preciso providenciar com urgência outra sessão na sala do 60ème, construída há dois anos para abrigar eventos especiais do 60º aniversario do maior festival do mundo. Foi outra avalanche de gente e mais de uma centena ainda ficou de fora. "Inglorious Basterds", o filme de guerra de Tarantino, trouxe a Cannes Brad Pitt e, claro, Angelina Jolie. Apesar dos rumores de separação, eles jantaram juntos num restaurante de Antibes na terça e hoje fizeram a mais concorrida montée des marchas deste ano. A montée, a subida da escadaria do palais, naquele tapete vermelho, é o ponto alto do cerimonial de Cannes. Para onde quer que se virem, Brad e Angelina encontram sempre um batalhão de fotógrafos e cinegrafistas. "Inglorious Basterds" ou a celebração do glamour de Cannes. O interessante é que Tarantino admite haver feito o filme inspirado na obra homônima (de 1978) de um de seus diretores preferidos, Enzo G. Castellari, que seria enxotado se tentasse pisar no tapete vermelho de Cannes na sua (grande?) fase, quando fazia spaghetti westerns como "Keoma", com Franco Nero. O filme tem algo de "Os Doze Condenados", o clássico de ação de Robert Aldrich. Brad Pitt lidera um grupo de judeus americanos cuja especialidade é escalpelar nazistas. O filme divide-se em capítulos, com muita música roubada de faroestes macarrônicos. Uma das mais conhecidas é o tema de "Um Dólar Furado", com Giuliano Gemma, aliás, Montgomery Wood. O clímax passa-se num cinema de Paris, onde ocorre a pré-estreia de uma obra de propaganda nazista, a que o próprio Adolf Hitler vai assistir. O plano, não apenas de Brad, mas também de uma garota judia que quer vingar o massacre de sua famílias no capítulo inicial, é explodir o cinema com o fuhrer dentro. Tarantino iniciou uma revolução aqui mesmo em Cannes, em 1995, ao receber a Palma de Ouro por "Pulp Fiction" (Tempo de Violência). Em 2000, Lars Von Trier consolidou outra revolução, a do digital, com "Dançando no Escuro". Ela atinge este ano seu apogeu, com mais de 90% dos filmes sendo produzidos (e exibidos) em digital. O de Pedro Almodóvar é uma honrosa exceção. É importante destacar que a metafórica explosão do cinema é impulsionada por um agente muito especial. Em vez de explosivos, Tarantino usa a boa e velha película, que, como você sabe - o celuloide -, é inflamável. O cinema é o tema de "Inglorious Basterds" e o que Tarantino faz é buscar novas formas de narrar/homenagear/plagiar os autores de segunda categoria que são seus ídolos. Não há como negar que o começo é divertido, mas depois... Espere para ver, já que o filme será distribuído no Brasil pela Universal.