As sessões de cinema com acesso livre do cinema do Sesc Arsenal estão particularmente atraentes hoje, com a exibição às 19h30 do filmaço Um anjo em minha mesa (An Angel at my table, de 1990), da cineasta neo-zelandesa Jane Campion (ela mesma, oscarizada por O Piano, que revelou Harvey Keitel ao mundo menos cinéfilo). Por quase três horas, assistimos ao relato autobiográfico de Janet Frame: uma menina gorda, tímida e retraída com um comportamento equivalente a essa condição e que exatamente por isso é não só apontada e alvo de chacota de todos, mas diagnosticada como esquizofrênica e obrigada a passar quase uma década internada num sanatório para doentes mentais. Filmaço 2 Como volta e meia acontece, o diagnóstico dos psiquiatras revela-se nada além de um pastiche preconceituoso a tudo que foge à regra estreita da medicina. Um misto de arrogância com protocolos meramente repetidos e médicos pouco preocupados com pacientes, especialmente quando o assunto é transtorno mental. Filmaço 3 Janet Frame era tão esquizofrênica que, oito anos depois de ter sido trancafiada, consegue publicar seus textos e torna-se uma das mais importantes escritoras da Nova Zelândia. Trajetória dificultada por puro e simples preconceito, como acontece todo dia no mundo. O filme também é premiado mundo afora. Não recomendado para menores de 14 anos. Mais leve Um pouco antes da pancada de Um Anjo em minha mesa, a dica é levar as crianças para ver no mesmo cinema do Arsenal O Menino da Floresta, animação francesa fresquinha (de 2011, de Jean Cristophe Dissant) sobre a família Courge, que vive isolada numa floresta, sem contato com outros seres humanos ou qualquer cultura que não a imposta pelo pai. Pero no mucho Em O Menino da Floresta, enquanto o pai tirânico impede o filho de sair do local, o pequeno cresce como um selvagem, sem saber da existência de um mundo exterior. As únicas amizades do garoto são fantasmas da natureza, até o dia em que um evento inesperado o força a sair da floresta. É quando ele conhece um vilarejo e a garota Manon.