A engenharia me fez perceber várias fraquezas iminentes. Percebi que sou fraco com as mulheres e que nasci para viver só. Curtindo a maior dúvida e em intensa solidão vivo em total sorteio de confusão. Mendigando o amor das horas ingratas saciado em pura luxúria literária. Aceitei os fatos e comecei a criar novas formas de sobrevivência. Descobri que a solidão não dói, incomoda. No entanto, causa ferimentos maiores que as chagas na pele. É impossível coadunar a solidão e a felicidade no mesmo balde. Mas é possível ser feliz só em meio uma multidão de desejos fortuitos. Basta saber ler o mapa do site. A solidão é uma fábrica de mau humor competente. Daqueles que incentiva a primazia do isolamento. Os coloridos em detalhes de figuras sombrias e desbotadas que se debutam a cada clique. À medida que distanciei do velho passado de manuscrito e datilografia desenvolvi paixões solitárias de intensas provocações. Hábitos néscios de escovar os olhos na tela de LCD. Deliciar com os movimentos dos vídeos de baixa qualidade para facilitar o download e os áudios alegóricos com voz de patos roucos. Longe da barulhada externa. Abri fuga da cansativa exposição pessoal desnecessária. Na era digital o lance é curtir tudo ouvindo o vácuo ao redor. Como a pintada em alerta. Apenas deixando as orelhas ganharem vida. A brisa é como um fantasma que se aproxima sorrateiramente. Sacode os sentidos e faz o corpo soltar pêlos no ar. A solidão é de rumos ignorados. Desenvolve paixões incríveis dentro de um anonimato contemporâneo. Com certa facilidade adaptei em um ritmo de vida totalmente solitário e integrado ao conceito de eremita moderno. Descobri que algumas palavras ainda existem morrendo e existindo vivendo. Completamente ridicularizando o óbvio. Uma quase verdade suspeita de ser uma mentira meticulosa. Uma língua universal de gráficos sem focos e regras. Apenas destacáveis. Texto extraído do livro O Escritor de Aluguel. Luís Gonçalves Publicitário e Escritor e colabora com o DC Ilustrado
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