ILUSTRADO
Segunda-feira, 24 de Junho de 2013, 19h:16
A
A
ACADEMIA
FESTAS JUNINA
O mês de junho finda e com ele deveriam terminar as festas juninas. Mas, em Cuiabá a festa continua e chega até a alcançar o mês de setembro, com o aditivo de festa junina adiada. Não é sem razão que um carioca, muito alegre com a vida, ao ser transferido para Cuiabá, logo se adaptou e, para concluir suas observações, disse: A cidade é tão festiva... basta dizer que, até setembro, há festa junina, isto é que, deveria acontecer no mês de junho. As festas juninas de arromba, bancadas pelos antigos moradores não se realizam mais. A juventude, se participar, verá uma festa sofisticada em clubes ou em escolas, musicada com aparelho de som, tendo fogueira de papel celofane vermelho com ventilador ao centro, para imitar labareda ou língua de fogo e outras modificações. Já participamos de festa no interior, onde se via somente a casa dos nossos compadres, que bancavam a confraternização. Ao escurecer, chegava gente a pé, a cavalo, na carroça, trazendo consigo no saco de mala, a roupa que seria usada na festança. O sanfoneiro tocava a noite toda, o povo dançava e ainda para debochar de quem não participava, entoava música com os seguintes dizeres: Quem não dança/ Segura criança/ Não fica na sala/Pra não atrapalhar. No dia 13 de junho, chegavam à igreja da Boa Morte três ou quatro acompanhamentos para rezar missa festiva ao santo do dia- Santo Antônio-, o casamenteiro. Pois bem, ao fim da cerimônia, quando ainda se encontravam na igreja, o santo havia desaparecido. Seu dono, boquiaberto, lastimava o furto, justamente na hora de levar a imagem para a casa; imagem, repetimos, que o acompanhava por mais de quarenta anos. E sabia-se que o pessoal envolvido com a festa preparava-se para lavar o santo; dependendo da localização da festa, procurava o rio Cuiabá, a bica da Prainha, o chafariz da praça etc. sendo que cada qual acendia uma vela a fim de participar do cortejo. A fogueira, lá fora, ardia de verdade e no seu braseiro, usava-se assar banana, batata-doce etc. Não é à toa que, nas músicas regionais de Mato Grosso, especialmente na letra de Caxim Bocó, lembra-se a batata-doce com cheiro de luar, isto é, assada a céu aberto. A criatividade, nas décadas de 1950- 60, esquentava os bairros de Cuiabá, como no bairro do Mundéo, que de junho a setembro realizava festa junina propriamente dita, e festa junina adiada. Religiosidade e folclore, descontração e paz animavam a vida cuiabana deixando-nos puros sentimentos em contraste com os tempos atuais. NILZA QUEIROZ FREIRE É ACADÊMICA PRESIDENTE, CADEIRA Nº 14 (in livro Crônicas da Cidade Verde, com adaptação) __________________________________________ LINGUAGEM CUIABANA PEDRO ROCHA JUCÁ A Linguagem Cuiabana é um autêntico registro idiomático do Português falado na Europa do Século XVI. Preservou os valores fonéticos do Português culto que surgiu no Século XVII. Do livro Os Lusíadas, de Luiz Vaz de Camões, a obra do mais célebre poeta da Literatura Portuguesa, foram recolhidas algumas palavras como exemplo da identidade existente entre o Português Europeu do Século XVI e a Linguagem Cuiabana, mostrando que esta última não é e nem será um vício de linguagem, mas um exemplo vivo da nossa história cultural. Estre elas estão: treição, derriba, alevantado, chuça, alumiasse. Estorvar e arreceio. JUCÁ É ACADÊMICO , CADEIRA Nº 22. ( Do livro Da Linguagem Cuiabana, Editora Defanti, 2008, p. 15) -------------------------------------------------------------------------- NOTÍCIAS: - Junho / 2013 - NOTÍCIAS DA ACADEMIA- JUNHO -2013 1- Coleção de Obras Raras da Literatura Mato-Grossense. - O Acadêmico S. Carlos Gomes de Carvalho, cadeira nº 40, é o coordenador deste projeto perante a AML e a Secretaria de Cultura do Estado. Com a edição agora do livro nº 9, com conteúdo referente à saudosa Acadêmica Dunga Rodrigues. Há anseio para reedição de Marphisa, obra já esgotada. 2- Houve na Assembleia diálogos a respeito do Edifício situado nos fundos da AML, outrora o quintal, a estrebaria do Barão de Melgaço. Tal espaço físico é reivindicado do Estado para aderir ao patrimônio da Academia e do IHGMT, por ser de direito. 9- A AML congratula-se com o Acadêmico José Ferreira de Freitas, cadeira nº 32, pelo retorno à Casa, após tratamento de saúde.