ILUSTRADO
Segunda-feira, 15 de Julho de 2013, 21h:19
A
A
ACADEMIA
FESTAS E FOLCLORE - II
Moisés Martins No Brasil não há cidade que não tenha sofrido influência, principalmente do português, do negro e do índio, cada qual com seus costumes e tradições. As festas de Santo, as danças, as lendas e os contos, formam o conjunto do folclore mato-grossense e particularmente cuiabano. Um pouco de exegese teológica para o entendimento do porquê da Festa do Divino. O cristianismo é o centro. No livro de Marcos, Novo Testamento, vamos encontrar no 1º capítulo, versículo 9º o seguinte; Naqueles dias, veio Jesus de Nazaré da Galileia e por João foi batizado no rio Jordão. Logo ao sair da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito descendo como pomba sobre ele. Então, foi ouvida uma voz dos céus: Tu és o meu Filho amado, em Ti me compraz. Isso explica a presença da pomba na bandeira do Divino, estampada com as cores branca e vermelha. A cor branca representa a Paz e a vermelha o sangue de Cristo derramado no Gólgota. Como vemos a interpretação do cristianismo comanda o processo de entendimento da Festa do Divino. Para o cuiabano, entre outras, a festa do Divino reveste-se de grande religiosidade. Celebrada em diversos municípios de Mato Grosso, a festa do Divino é representada pelo símbolo da paz, que figura em grandes bandeiras de cetim vermelho e branco. Os festeiros, responsáveis pela festa, geralmente são escolhidos num concorrido sorteio solene. Cada festeiro assume uma insígnia sagrada, que carrega durante toda a esmola e procissão: a coroa é levada pelo Imperador, o cetro pela Imperatriz, a bandeira rica pelo Alferes da Bandeira e a bandeira pobre pelo Capitão do Mastro. O principal elemento desse ritual é o Mestre, que guarda detalhado conhecimento das práticas rituais, aptidão para música e capacidade de liderança. O seu mandato é vitalício. Quando há a presença dos foliõezinhos, é também o mestre o responsável pela escolha e treino dos meninos, que entoarão os cantos sagrados durante a esmola e a festa propriamente dita. Os músicos ou tocadores são com frequência em número de três: o mestre tocando a viola, o contramestre, a sanfona e um tocador do bombo, que também toca a caixa. A festa do Divino no seu dia é comemorada com bimbalhar dos sinos, fogos, músicas e cantos, podendo haver danças. Na Cuiabá de outrora havia as touradas que compunham as celebrações. Na minha mente vem a lembrança do tempo de menino quando no percurso da esmola havia a distribuição dos pãezinhos e, sob o som do hino e cantorias, a bandeira adentrava nas casas e estabelecimentos, sendo que os moradores recebiam a coroa, beijavam a bandeira e ofereciam o óbolo. Depois da coleta da esmola, os fiéis concentravam-se na velha Catedral, dando continuidade ao cortejo imperial, com a participação na celebração eucarística. Moisés Martins é acadêmico, cadeira nº 8 _____________________________________________ EDITAL Nº 4 -Assembleia dia 15 de agosto de 2013- Preenchimento da vaga da cadeira nº 2, que tem como patrono Joaquim da Costa Siqueira e, como último ocupante, Satyro Benedicto de Oliveira. As inscrições já foram realizadas, conforme registro da Secretaria e os candidatos já sofreram exame de admissibilidade. 1- Fica convocada a Assembleia Geral Extraordinária desta AML para comparecimento dos Acadêmicos no dia 15 de agosto próximo, às 9h, a fim de apreciar processos e exercer o voto, para preenchimento da vaga supra mencionada. 2- O Acadêmico impedido de comparecer usa de Procuração nos termos do art. 19 § 6º do Estatuto, acompanhada do voto, no prazo previsto no art. 19 § 9º, ou sejam 24h antes da abertura da Assembleia Geral. Casa Barão de Melgaço, 16 de julho de 2013. Nilza Queiroz Freire, acadêmica presidente da AML, cadeira nº14 ****************************************************************** O Viço da Língua Benedito Pedro Dorileo A Academia Brasileira de Letras não se incorporou propriamente em lutas a favor da gramática normativa, listando erros ou condenando formas, porém propôs um estudo da língua portuguesa, que faculte uma compreensão real do fato linguístico, capaz de destacar o caráter sistemático e a estrutura da linguagem. A Academia, quando fala em expressão de cultura, não está agasalhando o pseudocientificismo estruturalista, tampouco sublimando o hermetismo literário. Está reafirmando o viço da língua portuguesa, que renasce constantemente no linguajar do povo, a necessitar entretanto de contornos sustentadores das suas raízes. A deterioração do idioma é um dos componentes da crescente inversão de valores... (Excerto do discurso de posse do professor Dorileo na AML, na cadeira nº 26, em 8 de dezembro de 1987)