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Cuiabá MT, Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Domingo, 06 de Setembro de 2009, 00h:39

CRÔNICA

Eu e Maria Carambola

Jê Fernandes
Especial para o Diário de Cuiabá
No correr da semana, nas minhas andanças por aí, pelos ‘cafundós do judas’, dei de cara com a minha ancestral amiga Maria Carambola, mulher de um homem só, de cada vez, especialista em cafuné. De há muito não sabia dela. Claro, fomos para lados opostos destes Brasil e mundo. Eu a chamava de ‘Doroti’ diante da semelhança que ela tinha com a musa do cinema Dorothy Dandridge, dos idos de 40 a 65, cujo lema era ‘se você tem atributos físicos, não precisa atuar’. E esse lema ainda vigora até hoje. Observe em certos órgãos públicos a diferença de salários entre as ‘boazudas’ e as ‘feiuras’ que, realmente, trabalham. Mas, da Maria Carambola que eu estou falando já não resta sequer aquele rebolado, aquele corpo ‘violão’ que só emitia sons em mãos de homens afinados com talões de cheques. A idade quebrou o rebolado da minha amiga, deixou-a sem ‘corda’ para tocar a canção do suspiro que embala qualquer casal. Mas, foi um prazer encontrar com você minha amiga... Nada mais a falar com ela, que está por fora do que anda acontecendo em Mato Grosso, nem mesmo dessa história de ‘fantasmas’ que habitam as repartições públicas. Ela nem sabe quem é Enock Cavalcanti, tido como ‘fantasma do Senado’ pelo deputado estadual José Riva, muito menos do próprio filho do Riva que estuda medicina na Unic e recebe como funcionário do Tribunal de Contas. Muito menos, ela está sabendo que o garoto Ralf Leite foi cassado como vereador por decoro parlamentar ao ser flagrado em atitudes suspeitas com um gay menor de idade, quando em alguns países da Europa, onde Maria Carambola circula, o casamento gay já é oficializado. Mas, em falando de vereador, do Ralf, não se pode esquecer que ainda tem o Lutero Ponce, um vereador que sabe além do necessário para detonar uma grande parte dos vereadores com direito a votos na Câmara. Aliás, por falar em detonar, o Deucimar fez um bonito papel ao rever, publicamente, as contas do ex-presidente Lutero Ponce, mas até agora, quase final do ano, ainda não mostrou tim-tim por tim-tim do que anda fazendo com o dinheiro que cai nas contas, ou melhor, na conta da Câmara Municipal. Eu sei que é impossível agradar a todos, mas é importante que se agrade a própria consciência diante do que se quer de uma pessoa e, não se exige da sua. Pode ser meio filosófico o que eu estou dizendo, mas é a vida no meio político, já dizia o meu amigo “Chico Cruz Credo”. Mas, vou e volto, não consigo ver Maria Carambola hoje, como ela está, sem sentir o arrepio de como ela era. Inexplicável! Ela mesma não sabe explicar, embora ainda faça esforço para ser ontem o hoje. Não! Não está pirada. É uma questão de mistura entre o passado e o presente. E tudo mudou, pensa ela, mas tem lá suas duvidas, embora conheça todas as aspas e parenteses da vida, toda a vastidão da injustiça. Ela sabe muito bem que no Brasil a ética e a moral duram tal quanto um sorvete em tempo de calor excessivo, como foi esse desta semana. Estou falando do calor e, não do que vi e li nos jornais e saites da cidade. Uma briga de comentários produzidos em escalas por ofendidos e ofensores. Sei lá Maria! Será que não estamos na mesma situação? *Jê Fernandes é jornalista, radialista, poeta, cronista, contista, em horas vagas conversador fiado e colabora com o DC Ilustrado, e o que mais? Ah! Doméstico (E-mail: [email protected])

Edição EDIÇÃO 16967




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