ILUSTRADO
Sábado, 08 de Junho de 2013, 13h:41
A
A
CRÔNICA
Espelho, espelho seu...
Valéria del Cueto*
Especial para o Diário de Cuiabá
Quando a coisa começa assim meio marola já sei que vou ter que rebolar fazer crescer a onda que costuma rebentar toda semana nesse espaço privilegiado. Não é falta de assunto, gente. São tantas opções... Parece que o mundo está caindo na cabeça de escrivinhadores como eu essas semanas. Primeiro, com a informação de que redações importantes do país e do exterior estão demitindo seus jornalistas e fechando veículos. Segundo ,com as notícias mundiais dão conta que estão mandando seus fotógrafos para casa e passando o trabalho de registro de imagens para os... jornalistas. Não é um caso isolado. O que me faz pensar que há sim, uma mudança climática abalando o mundo dos veículos de comunicação espalhados mundo a fora. É ruim? Não sei não... Faz tempo que procuro novos formatos de distribuição de conteúdo. Trabalho possibilidades com bases mais gerais e brinco de pique como com nichos direcionados. Atiro em várias direções em busca de novos mares e picos onde possamos deslizar e interagir com novas tecnologias. Afinal, se o formato jornalístico que dominou o mercado está se esgotando, alguém precisa fazer expedições precursoras, tentar descobrir para onde irá essa onda. A onda das informações. Um tsunami querendo se espraiar. Uma coisa é certa: pode haver falta de empregos para jornalistas nos veículos... jornalísticos mas a necessidade de conteúdo de qualidade além de não haver diminuído, só tende a aumentar. O mundo via internet e outros meios, está ávido de saber. E quem detiver a informação e conseguir filtrá-la e traduzi-la para seu público alvo estará nadando de braçada nessa nova era. Assim como eu, os jornalistas sentirão saudades do antigo formato. É horrível ver seus postos ocupados por copiadores de releases assessóricos, sem ao menos uma checagem básica nas informações contidas nos mesmos. Só pra citar um problema crônico e intransferível. Tenho visto coisas de doer. E que ninguém contesta. Quem se limita a reproduzir as barbaridades recebidas, sem checar a veracidade do conteúdo, corre o risco de vender a ignorância alheia sem titubear. Vou citar um fato como exemplo: a incrível e relevante notícia de que pela primeira vez na história da capital do maior estado do centro-oeste a bandeira de São Benedito (aquele) havia entrado na sede do paço municipal em questão. Do jeito que a informação veio da assessoria do novo prefeito foi três palitos: imediatamente reproduzida por órgão de imprensa, sem dó nem piedade com os festeiros de anos anteriores que, sim, sempre levaram a bandeira e a coroa para abençoarem antigos prefeitos e a sede do órgão municipal. E olha que não precisava ir muito longe para alcançar as pernas curtas da mentira pregada assim, na maior cara de pau! Uma simples e singela busca no google indicaria que por ali já passaram várias bandeiras do santo, sempre empunhadas pelos festeiros do ano que, como eu, rezam e muito para que os caminhos municipais se abram, não apenas para os amigos do rei mas para toda a população da cidade a quem, em primeira e última análise, o alcaide jurou servir. *Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval e colabora com o DC Ilustrado. Essa crônica faz parte da série Parador cuyabano, do SEM FIM... delcueto.wordpress.com