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ILUSTRADO
Segunda-feira, 11 de Maio de 2009, 20h:27

LITERATURA

Escritor lança três livros de uma só vez

“As Jagunças”, “Contos dos Gerais” e “Filisberto das âncoras” (Editora Carlini & Caniato) serão lançados hoje por Rômulo Nétto, no Espaço Cultural Lenine Póvoas

Uma tríade sertaneja. Três livros de pancada do jornalista e escritor Romulo Nétto. A editora Carlini & Caniato Editorial continua prestigiando o estado tratando com arte a nossa literatura. “As Jagunças”, “Contos dos Gerais” e “Filisberto das âncoras” serão lançados hoje, no Espaço Cultural Lenine Póvoas – da Livraria Adeptus Shopping Três Américas. Os três livros tem em média cem páginas e tratam da mesma temática com suas nuances. Romulo Nétto é mineiro de Paracatu, onde nasceu em 3 de março de 1946. Graduou-se em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo – pela Universidade de Brasília, em 1971. Exerceu a função de presidente da Comissão Permanente de Concurso Vestibular da Universidade Federal de Mato Grosso, no período de 1974 a 1979. Na UFMT, foi Supervisor da Imprensa Universitária entre 1979 e 1991. Implantou a Editora Universitária. Aposentou-se em 1993. Em “As Jagunças”, Romulo Nétto abusa do jaguncismo. O autor intensifica sua escrita, na prosa, com muita poética, para tratar de uma história de personagens mulheres – e neste texto elas não são gênero, são sexo – num tempo e num espaço que, mesmo mostrado cronologicamente e espacialmente, remete o leitor a qualquer lugar do mundo, em qualquer tempo, onde o horror, a submissão e resistência têm feito história. A história da in-dignidade humana. As mulheres empreendem uma luta contra a hegemonia do homem. Fazem-se brutas, fazem-se mulheres com os homens e de homens com as mulheres. Fogem de ser mulheres para construírem seu lugar nos desmundos e nos desmandos. Os “Contos dos Gerais” se colocam na rica e fecunda esteira da literatura regional brasileira. É no Brasil profundo, sertanejo, em que historicamente se forma o povo dos gerais, a gente dos sertões, gente boa, leal, prestimosa, respeitosa, sem medo do ermo das vastidões. Gente lacônica, rústica. Gente de honra, de brio, mas que também não têm problemas em contrariar ou em quebrar regras, em assumir condutas anômicas e quando assumidas, levadas às últimas conseqüências, às raias da dor e da violência. Aí, no coração do sertão é que se enraízam os contos de Romulo Nétto e é essa gente dos gerais que os protagoniza. São contos lacônicos, densos, humanos. São contos que nos afrontam com a face trágica de nossa humanidade. São contos pungentes, mas ainda assim pontuados de lirismo que às vezes neles se incrustam como cristais luminosos ou como bordados singelos das mulheres dos gerais. Em “Filisberto das Âncoras”, Nétto denuncia um sistema político e econômico de herança feudal, comandado por coronéis que se perpetuam no poder manipulando os eleitores, valendo-se de diferentes estratégias: desde bajulação e compra de consciências até o uso da força armada, aquartelando pessoas nos “currais” eleitorais – prática que se perpetua, atualizada, em muitos locais do País. A obra narra um trecho da vida de um sertanejo típico dos Gerais – região de Cerrado que atravessa vários Estados brasileiros, como Bahia, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Sujeito forte, corajoso, honesto e humilde, incorpora a alma de uma parcela de cidadãos que quase nada recebem da sociedade. Profundo conhecedor das potencialidades do Cerrado, cujas riquezas naturais sabe explorar como ninguém, sobrevivendo no limite, Filisberto é, antes de tudo, um forte, junto com sua companheira, Hemengarda Epifânia. Apesar das agruras do cotidiano, é feliz (Filisberto), chumbado no chão sertanejo (das Âncoras), quase bicho. (com assessoria)

Edição EDIÇÃO 16967




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