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ILUSTRADO
Quarta-feira, 04 de Março de 2009, 20h:31

CINEMA

Diversidade sexual e relacionamentos no telão

O mês de março reserva surpresas interessantes do audiovisual no CineSESC Arsenal. Nesta quinta-feira entra em cartaz “Assédio”, do italiano Bernardo Bertolucci

Provavelmente este não é o melhor filme de Bernardo Bertolucci. Nem um grandioso filme extravagante, mas sem dúvida é uma obra de arte delicada e sensível que fala da aproximação de duas pessoas de mundos opostos. “Assédio” (Bertolucci, 1998; Itália) abre a semana de filmes no CineSESC Arsenal: Mostra Tornar-Se Outro. Os filmes têm como temas a diversidade sexual, a dificuldade em se relacionar, o desejo e as perdas. O que entretece suas narrativas é a delicadeza na condução das histórias. Assédio será exibido nos dias 5 e 20 de março às 19h, gratuitamente. O filme trata basicamente de dois personagens, que vivem isolados numa casa plantada numa minúscula rua de Roma. Pouco se vê da cidade, e as outras pessoas que cruzam a tela são quase todas transeuntes a caminho da estação de metrô que dá para a viela. Nem por isso o filme é sufocante – pelo contrário. Bertolucci trabalha em espaços menores, mas não abriu mão de suas marcas registradas. A trama de Assédio gira em torno de um homem e uma mulher que não parecem ter nada em comum. O senhor Kinsky (interpretado por David Thewlis) é um pianista inglês, um tanto sorumbático, que vive recolhido em seu palacete decadente. A jovem Shandurai (Thandie Newton, de Missão: Impossível – 2) é uma refugiada de uma ditadura num país africano, onde seu marido ainda está encarcerado, ela trabalha como doméstica para o médico. A dupla pouco se fala, e os diálogos se tornam ainda mais esparsos depois que o músico declara seu amor à moça e é repudiado. Em compensação, aumenta muito a quantidade de espiadelas. Quase sempre a distância e às escondidas, um e outro se observam e, sem perceber, se aproximam. Para que o filme se sustente aos olhos do espectador, é preciso que ele divida com o cineasta a crença de que a paixão não tem lá muita explicação: ela simplesmente acontece. Amanhã (06/03, reapresentação 21/03) é a vez de “Assunto de Meninas” da diretora Léa Pool. O filme é uma produção canadense e explora a temática da adolescência e da homossexualidade. O filme fala da amizade entre três moças adolescentes e de seus relacionamentos no internato onde estudavam. Mary "Mouse" Bedford (Mischa Barton) é enviada ao colégio interno "Perkins Girls" pelo seu pai e sua madrasta quando sua mãe morre. É uma menina tímida, mas rapidamente é aceita pelas suas duas colegas de quarto, Paulie e Tory (Piper Perabo e Jessica Paré), conhecidas como as garotas perdidas do colégio. As três formam um laço de amizade muito forte e tornam-se inseparáveis. Obviamente nem tudo são flores e a sexualidade das meninas as aproxima e afasta ao mesmo tempo em um dilema juvenil cada vez mais real na sociedade. Serviço: O QUE: Mostra Tornar-Se Outro QUANDO: De quinta-feira a sábado durante todo o mês ONDE: CineSESC Arsenal HORA: 19h QUANTO: Gratuito INFORMAÇÕES: 3613 6900 ou 3623 0000

Edição EDIÇÃO 16968




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