ILUSTRADO
Quinta-feira, 02 de Outubro de 2014, 20h:18
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RENATO ARAGÃO
Didi estreia no palco em musical no Rio
Luiza Franco
Da Folhapress
Ô, Charles, não dá pra botar um playback, não?, pergunta Renato Aragão, o Didi, ao diretor de teatro Charles Möeller, durante um ensaio de Os Saltimbancos Trapalhões O Musical. Com mais de cinco décadas de carreira, Renato se diz intimidado. Aos 79 anos e recém-recuperado de um infarto, faz sua estreia no teatro nesta adaptação musical do filme de 1981, que entra em cartaz nesta sexta (3), na Cidade das Artes, no Rio. E logo com tanta gente, todos de primeiro número, diz o comediante, estupefato. Ele se refere à trupe de atores, acrobatas e artistas de circo que cantam, dançam e parecem feitos de borracha nos números musicais do espetáculo dirigido por Möeller e Claudio Botelho. A dupla tem 34 musicais no currículo, entre eles sucessos de público como Um Violinista no Telhado (2011). Sem Mussum e Zacarias, que completavam o quarteto Os Trapalhões, Didi e Dedé Santana sobem ao palco como protagonistas da peça que, assim como o filme, tem sua origem no musical Os Saltimbancos (1977), adaptação de Chico Buarque para a fábula musical italiana I Musicanti. CLÁSSICOS O espetáculo atual traz canções clássicas do musical, como História de Uma Gata e Todos Juntos e músicas feitas por Chico especialmente para o filme, como Piruetas, Hollywood e Meu Caro Barão. Quem esperar ver Didi cantando e dançando sairá decepcionado. Se eu for dançar, uma parte vai ao banheiro e outra vai embora, diz o humorista. Sua atuação se parece com a que faz na TV, com piadas e diálogos; ele canta apenas uma canção. O texto da adaptação é de Möeller, mas o Trapalhão-mor acompanhou a criação de cada cena. Na trama, Didi, Dedé e sua trupe trabalham no circo do Barão (Roberto Guilherme, o Sargento Pincel), um magnata explorador, e tentam conseguir sua liberdade. A premissa do espetáculo é a mesma do filme, mas a peça toma algumas liberdades com o roteiro. Dei tintas carregadas para os vilões. Hoje as crianças amam os vilões. Veja os filmes da Disney, por exemplo, diz Möeller. Instrumentos como trompete e acordeão dão um clima circense ao musical. A canção O Circo, de Sidney Miller, embala a entrada do público no teatro. O espetáculo tem as dimensões operísticas pelas quais os diretores são conhecidos: reúne 35 pessoas em cena e outras 40 nos bastidores. Mais de 200 lâmpadas foram usadas no cenário. A peça captou R$ 2 milhões via lei Rouanet para a montagem carioca e recebeu doações de empresas que equivalem, pelas contas de Botelho, a cerca de mais R$ 2 milhões. Ainda não há previsão de estreia em São Paulo. SERVIÇO O QUE: Saltimbancos Trapalhões O Musical. ONDE: Cidade das Artes, Avenida das Américas, 5.300, telefone: (21) 3325-0102. QUANDO: de terça a quinta, às 20h30; sexta, às 21h30; sábado, às 20h; domingo, às 18h; até 30 de novembro. QUANTO: De R$ 40 a R$ 150.