ILUSTRADO
Quarta-feira, 16 de Junho de 2010, 20h:34
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BLOOMSDAY
Dia de celebrar 'Ulysses' de Joyce
Já se tornou uma tradição que percorre o mundo: todo dia 16 de junho (ontem), admiradores do escritor irlandês James Joyce (1882- 1941) relembram a data que marca seu romance "Ulysses", marco da literatura que narra a memorável caminhada de 18 horas do judeu-húngaro-irlandês Leopold Bloom pela cidade de Dublin, atravessada pelo Rio Liffey, justamente em 16 de junho de 1904. O enredo é festejado em diversas cidades do planeta e, no Brasil, a mais tradicional ocorre em São Paulo. Habitualmente organizado pelo poeta e tradutor Marcelo Tápia, o Bloomsday paulistano (que acontece desde 1988) inclui palestras, exibições de filmes, apresentações musicais e leituras no bar Finnegans, local que habitualmente recebe o evento - no fim de semana passado, houve uma prévia na Casa das Rosas, que participa do Bloomsday desde 2005. Publicado em 1922, o romance "Ulysses" apontou para um novo rumo literário ao revolucionar a forma e a estrutura do romance, influenciando decisivamente o desenvolvimento da "corrente da consciência" e impulsionando a linguagem e as experiências linguísticas aos limites da comunicação. À época de sua publicação, no entanto, em 1922, a obra foi considerada obscena e diversos exemplares foram queimados ou desapareceram. Logo, porém, os críticos observaram a radicalidade de sua revolução na linguagem, levada a níveis de complexidade incomuns. Em pouco tempo também, Joyce conquistou respeitados admiradores como o escritor alemão Thomas Mann, que se via próximo da escrita do irlandês, especialmente no gosto comum pela paródia como operação estilística. Em Curitiba, o evento terá lugar na Universidade Federal do Paraná, a partir das 14 horas, enquanto em Belo Horizonte a comemoração aconteceu no Museu Inimá de Paula, com a exposição "Alucinações", em que Adriana Peliano aproxima Joyce de Lewis Carroll.