ILUSTRADO
Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010, 19h:34
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LITERATURA
Depois de longa espera, o reconhecimento
Howard Jacobson leva o Man Booker Prize, maior prêmio da língua inglesa. O britânico derrotou Peter Carey (bicampeão) e Tom McCarthy que era o favorito com C
Ubiratan Brasil
Agência Estado
São Paulo - "Estou sem palavras", comentou o escritor britânico Howard Jacobson, logo depois de ganhar, na noite de ontem (12), o Man Booker Prize, o mais prestigioso prêmio literário concedido na comunidade de língua inglesa. Ele venceu com o romance "The Finkler Question", batendo favoritos como o australiano duplamente vitorioso Peter Carey e o britânico Tom McCarthy, que liderava a bolsa de apostas. Apesar de iniciado por uma frase previsível, o discurso de Jacobson logo enveredou para terrenos mais férteis. "Felizmente, tenho um preparado. Foi escrito em 1983, ou seja, a espera foi muito grande." Aos 68 anos, Jacobson já escreveu 15 romances, todos com um toque de humor e a maioria abordando temas judeus. "The Finkler Question", segundo ele, é uma comédia sobre tristeza e perdas. O livro acompanha a trajetória de Julian Treslove, um ex-produtor de rádio da cadeia pública britânica BBC que muda de identidade depois de ser atacado a caminho de casa. "Minha intenção é fazer o leitor chorar e gargalhar ao mesmo tempo", disse, logo depois do anúncio de seu nome no Guild Hall, em Londres. A conquista já produziu dividendos - tão logo a notícia se tornou pública, a editora Bloomsbury, que lançou o livro, anunciou que vai reimprimir outras 50 mil cópias de "The Finkler Question". Uma cifra respeitável, uma vez que, até então, a obra só vendera 8.300 exemplares. Não é a primeira vez que o Booker Prize provoca tal efeito: em 2008, a vitória do indiano Aravind Adiga catapultou seu "O Tigre Branco" de uma cifra inferior a seis mil exemplares para 527 mil. "Esperei muito tempo para vencer", disse Jacobson, sem falsa modéstia. "Estava cansado de ser subavaliado, mas confesso estar verdadeiramente espantado. Houve muita amargura, mas já terminou. Esperei cerca de 30 anos até chegar a este momento." Ele também concordou com as comparações de sua escrita com as de Philip Roth e Jane Austen. "Concordo que meu livro seja em parte cômico, mas, penso como um romance em quadrinhos, pois, para mim, ser um autor de quadrinhos é ser sério." Perguntado sobre sua próxima obra, Jacobson disse que estava trabalhando em um livro sobre um escritor sem sucesso, mas que pode ter de mudar agora. Entrevistado ontem de manhã pela imprensa inglesa, ele afirmou esperar um aumento nas vendas de "The Finkler Question", que se tornará um marco em sua carreira literária. Jacobson teve outras duas obras relacionadas pelo Booker ("Kalooki Nights", em 2006, e "Whos Sorry Now", em 2002), mas nenhuma delas foi finalista. Jacobson derrotou adversários de categoria. Como o australiano Peter Carey, que lutava por um inédito tricampeonato (tinha vencido em 1988 por "Oscar e Lucinda" e em 2001 por "A História do Bando de Kelly"). Ele competia com o romance histórico "Parrot and Olivier in America", inspirado nas viagens à América do filósofo francês Alexis de Tocqueville. Já o britânico Tom McCarthy era favorito por sua trama sobre um homem obcecado pelo tempo e tecnologia, "C". A escrita experimental valeu-lhe comparações com James Joyce. Os outros finalistas foram "Room", da escritora irlandesa-canadense Emma Donoghue sobre um menino e a mãe que vivem prisioneiros em um cortiço; "In a Strange Room", do sul-africano Damon Galgut; e "The Long Song", de Andrea Levy, que narra a história de um escravo do século 19 em uma plantação de cana de açúcar na Jamaica.