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ILUSTRADO
Domingo, 13 de Setembro de 2009, 01h:28

CRÔNICA

De dormir, comer e ficha suja

Jê Fernandes
Especial para o Diário de Cuiabá
Do que posso falar nesta crônica. Melhor; do que devo falar. Tem essa história de que dormir em camas separadas pode ser bom para a saúde e o relacionamento de um casal. Quem afirma isso é o especialista britânico de Ciência, Neil Stanley, mas com isso chego a conclusão que o meu amigo Reinaldo tinha lá suas razões quando, há vinte anos, tão logo casou, dizia a mim que ele dormia numa cama e a mulher na outra. Eu achei aquilo estranho, mas, cada um dorme da maneira que mais lhe convém. Ou menos dói. E, caro Reinaldo, você tinha lá suas razões, mesmo sem saber o lado científico desse ato. Assim como, tem lá sua razão ou fome, o senhor vereador Antonio Fernandes, de Cuiabá, que quer antecipar em uma hora o horário da sessão para não atrapalhar o almoço dele e dos colegas. Até que esses assuntos têm alguma ligação. Dormir em cama separada e comer no horário certo. Nada como uma boa comida em horário e lugar certo. Cada um na sua. E tem mais: já que se fala de comida, horário certo e vereador, devo lembrar que se a proposta de emenda à Constituição (PEC) 336/2009, PEC dos Vereadores, entrar em vigor, o número de vereadores do país passaria dos atuais 51.988 para 59.611, ou seja, mais 7.623 vereadores. Mas, não se deve lamentar tanto assim. Esse aumento, apesar de implicar no aumento do número de vereadores, a proposta tem o efeito prático de reduzir o teto dos gastos anuais das Câmaras municipais em relação aos valores repassados pelas prefeituras. De acordo com a confederação dos vereadores, em 2008, considerando um universo de 5.050 cidades, os municípios brasileiros puderam gastar no máximo R$ 10,411 bilhões com as câmaras de Vereadores. Já com a mudança dos percentuais de receitas a serem disponibilizados para o legislativo municipal, as mesmas cidades teriam direito a gastar apenas R$ 8,917 bilhões. Menos mal. Agora, para agüentar mais alguns vereadores (ou autoridades) a população precisa ter saco. Eles podem não ganhar um bom salário, mas nos bastidores as negociações ou negociatas aumentam, sejam por cargos no executivo ou, quando nada, para regar o empreguismo público. Não está vendo o PDT cuiabano do cumpadre Leonel Brizola, negociando cargos com Wilson Santos. Mas, em falando de vereadores, não posso deixar de dizer que se o TRE de Mato Grosso seguir o exemplo do TRE de Minas Gerais, que vai mostrar, nas próximas eleições, via internet, se o candidato em quem o eleitor vai votar tem ou não ficha suja ou se está sendo processado por algum motivo, vai estragar sonho de muita gente. O Tribunal Regional Eleitoral de Minas (TRE-MG) aprovou uma resolução que autoriza a divulgação da certidão criminal - que todos os que pleiteiam um cargo eletivo são obrigados a apresentar no ato do registro da candidatura. A iniciativa é inédita para a Justiça Eleitoral brasileira. Antes, somente a Associação dos Magistrados do Brasil (AMB) havia divulgado, em 2008, informações sobre o passado criminal dos candidatos. Em corrida de olhos pelos sites e jornais da cidade observo que tudo está sob controle das autoridades competentes, ou melhor, nada que se possa atrapalhar um ao outro. Por exemplo; desde que assumiram seus mandatos, os atuais deputados da Assembleia Legislativa nunca abriram uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Na legislatura anterior (2002/2006), também. Só tentativas de abertura de CPI na Casa, todas barradas pelos governistas. Estou falando da Assembleia de Minas Gerais. Qualquer semelhança é mera coincidência. Aquele saite parou de falar sobre aquele assunto. Eu não falei mais de Ralf e nem de Luthero. Mas, um dia a gente fala. Jê Fernandes é jornalista, radialista, poeta, cronista, contista, em horas vagas conversador fiado e, o que mais? Ah! Doméstico e também colabora com o DC Ilustrado ([email protected])

Edição EDIÇÃO 16968




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