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Cuiabá MT, Terça-feira, 23 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 24 de Abril de 2010, 13h:15

PRÊMIO

Cultura afrobrasileira

Fotógrafo Duflair Barradas é um dos ganhadores de prêmio inaugural que valoriza a negritude brasileira, com projeto Negro por Inteiro

O projeto mato-grossense Negro por inteiro, apresentado por Duflair Barradas, é um dos ganhadores do 1° Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afrobrasileiras. “Vou ficar três dias acampado na comunidade quilombola e flagrar o cotidiano único dessas pessoas”, explicou o vencedor. Duflair é estudante de publicidade e trabalha no ramo há poucos anos, sempre com fotografia ou audiovisual. Receberá R$ 20 mil reais no próximo dia 27 de abril, durante solenidade de premiação no Museu Nacional do Conjunto Cultural da República, que fica no Setor Cultural Sul/ Lote 2 da Esplanada dos Ministérios, em Brasília. O projeto concorreu na categoria artes visuais, com 181 inscritos. Ao todo serão distribuídos R$1.100.000,00 para 20 projetos de três categorias artísticas com estética negra contempladas nesta edição: teatro, dança e artes visuais. O prêmio é uma iniciativa do Centro de Apoio ao Desenvolvimento (Cadon) e da Fundação Palmares, com patrocínio da Petrobras, por meio da Lei Rouanet do Ministério da Cultura. Negro por inteiro realizará uma incursão cultural por meio da fotografia preta e branca de quilombos remanescentes, na região de Chapada dos Guimarães, com objetivo de registrar a vida e os hábitos dos últimos negros que vivem de forma tradicional como seus bisavós. Duflair se interessou pelo tema quando conheceu a comunidade que ainda preserva grande parte de seus costumes: “quis descobrir um pouco mais sobre essa forma de vida única, resistindo à homogeneização cultural imposta pelo nosso modelo de sociedade, que só acontece nos quilombos”, disse o proponente. Após o registro, com estilo documental, está prevista uma exposição, segundo Duflair, da rica cultura dos quilombolas: “É uma oportunidade de documentar e promover a existência desse povo, a fim de que, mais a frente, ninguém diga que ele não existiu.” Em todo o país concorreram 412 projetos, 181 de artes visuais, 120 de dança e 111 de teatro. Os estados que tiveram maior número de inscritos foram São Paulo (143), Rio de Janeiro (133) e Bahia (84). Ruth Pinheiro, presidente do Cadon, destaca que o prêmio teve uma efetiva presença dos grandes estados, mas conseguiu atrair também unidades menores: “o que para os organizadores é bastante satisfatório, pois garante a diversidade”. Origem - Ruth Pinheiro, presidente do Cadon, explicou que a ideia do prêmio surgiu após o II Fórum Nacional de Performance Negra, realizado em Salvador, em 2006, quando os próprios artistas pediram ao Ministério da Cultura um edital público ou linha de financiamento específicos, já que não havia alternativas que contemplassem expressões culturais afrobrasileiras. A partir daí a Fundação Palmares convidou o Cadon e junto com o patrocínio da Petrobras viabilizaram o atendimento à demanda. Segundo Ruth o prêmio é um “incentivo a artistas já existentes e permite o surgimento de novos. Funciona, ainda para aumentar a autoestima, na medida em que os grupos passam a ser seus próprios gestores e ganham autonomia”.

Edição EDIÇÃO 16968




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