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Cuiabá MT, Terça-feira, 16 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2005, 19h:36

GALERIA PÚBLICA

Cuiabá é grande tela para artistas de MT

Um simples passeio pela cidade proporciona ao convívio com as cores e a arte mato-grossense

ADRIANA GOMES
Especial para o Diário
Privilegiado é o povo mato-grossense que tem tanta arte a transbordar por todos os poros de sua gente. Mais ainda o povo de Cuiabá, que tem sua cidade como uma grande galeria a céu aberto. Não é preciso ir muito longe para ver obras de artistas consagrados como Adir Sodré, Gervane de Paula, Benedito Nunes, entre outros. Basta percorrer bairros e ver a cor espalhada por ruas e avenidas e viadutos e prédios e fachadas. Eles estão lá. Mostrando o que a arte tem de melhor que é encher os olhos e fazer o espectador urbano sonhar. Toda a cidade é uma grande galeria se o cidadão prestar atenção. Pensando em toda essa galeria é que Studio Centro Histórico lançou, no fim do ano passado, um catálogo com um apanhado das artes pela cidade. O catálogo “Arte Pública” conta como a arte foi parar nas ruas. A primeira a se expor publicamente foi a artista Dalva de Barros, em 1966. É que para conseguir vender seus quadros ela teve a idéia de colocar três telas na vitrine de uma loja em Cuiabá, conta a jornalista e produtora cultural, Magna Domingos, organizadora do Arte Pública. Mas, pode-se dizer que a pintura artística pública começou em 1975, com o então governador José Fragelli, que, devido a pujança do Estado na área da bovinocultura, mandou colocar o trabalho de mesmo nome, na fachada do Palácio Paiaguás, feita pelo artista Humberto Espíndola e que pode ser vista até hoje. Mas a pintura de rua teve início, efetivamente, no início dos anos 80. Nesse período chegava ao fim a ditadura e começava a nova República. Em Cuiabá, Adir Sodré transferiu seu ateliê para a Praça da República e pintava seus quadros no meio da população tornando o processo de sua pintura aos olhos dos cidadãos comuns, uma performance inesquecível. Magna conta que o fato de Cuiabá não ter espaços culturais, como outras capitais, acabou fazendo com que a arte fosse para a rua. O Arte Pública resgatou em fotos esses trabalhos e contribuiu mais ainda distribuindo painéis em vários locais e bairros. A obra “Violeiro”, de Adir Sodré foi parar na parede da Escola Estadual Presidente Médici. A “Paisagem Regional”, de Benedito Nunes, pode ser apreciada num imenso painel na parede externa da Secretaria de Estado de Administração. “Viola e Ganzá”, de Carlos Lopes, está na parede externa do arquivo público. “Corte de Cabelo”, da artista Dalva de Barros, pode ser conferida no corredor da Escola Estadual Liceu Cuiabano. “Passarinhos”, obra de Jonas Barros, está instalada juntamente com “Paisagem”, de Gervane de Paula, no Terminal Rodoviário de Cuiabá. “Ciclistas”, de Valcides Arantes, pode ser vista na Caixa d´água do CPA 4 e “Totem”, de Vitória Basaia, na caixa d´água do Centro Comunitário do bairro Araés. Cronologia da expansão da arte em Cuiabá 1966 – Dalva de Barros inaugura “sem querer” a exposição nas ruas com sua arte na vitrine de uma loja. 1975 – José Fragelli pede a Humberto Espíndola o painel “Bovinocultura”. Primeiro projeto artístico planejado e desenvolvido para ocupar a fachada de um espaço público oficial em Cuiabá. 1983 – A mostra “Cuiabá, um grande ateliê” é o primeiro projeto de artes plásticas com o objetivo de democratizar o acesso à produção artística e comemorar a liberdade de expressão. 1984 – Bené Fonteles inspirado em Dalva de Barros cria o “Arte na Vitrine”, com exposições de arte em lojas da capital. 1985 – Acontece o “Colorindo a cidade”, que reuniu um grande número de artistas e teve 12 selecionados para uma mostra ao ar livre em nove locais diferentes da cidade. 1989 – Em 1989 é criado o “Projeto Van Gogh”, que consiste na pintura de um muro de arrimo da Avenida Miguel Sutil. 1991 – A UFMT ganha um muro inteiro de pinturas feitas por integrantes do Ateliê Livre do Museu de Arte e Cultura Popular. O mesmo foi reeditado em 2001. No mesmo ano é lançado o projeto “Esta rua é minha”, que deu à cidade dois grandes painéis: “Mangas”, de Gervane de Paula, na avenida Rubens de Mendonça, e “Paisagem de Chapada”, de Marcelo Velasco, na avenida Getúlio Vargas. 1992 – Na mesma linha do projeto Van Gogh 17 artistas ilustraram o muro de arrimo do morro da igreja do Bom Despacho para comemorar os 273 anos de Cuiabá. 1996 – Jonas Barros colore os viadutos da capital que estão na Miguel Sutil, Rubens de Mendonça e Fernando Corrêa. 1998 – Dessa vez a pintura é nos pilares desses viadutos. 2000 – Jonas Barros e Adir Sodré pintam individualmente nos muros da cidade. O primeiro na Faculdades Integradas Cândido Rondon e o segundo na rua Sírio Libanesa, no bairro popular. Também em 2000 os artistas mato-grossenses colocaram em prática o projeto “Arte em trânsito”, com obras reproduzidas em ônibus. No mesmo ano aconteceu também o “Grandeolhar”, com painéis no teto da rodoviária. 2001 – A segunda edição do projeto aconteceu no Mercado Municipal, no bairro do Porto. 2002 – A Associação Mato-grossense de Artistas Plásticos (AMTAP) realiza anualmente, na Praça do Porto, performance artística em defesa do meio ambiente, com enfoque no rio Cuiabá. 2004 – Sai o catálogo “Arte Pública”, um esforço adicional para o mapeamento da arte nas ruas em Cuiabá.

Edição EDIÇÃO 16962




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