ILUSTRADO
Quinta-feira, 08 de Setembro de 2011, 20h:50
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CULTURA
CTG aproxima brancos e índios
Produzidos com colares, cocares e pinturas corporais, 40 indígenas do Parque Indígena do Xingu (MT) apresentaram um pouco de sua cultura na II Etapa do Circuito Femart (Festival mato-grossense de Artes e Tradições Gaúchas), no final do mês passado em Canarana (MT). Liderados pelo professor indígena e diretor da Atix (Associação Terra Indígena do Xingu) Mutuá Kuikuro, os xinguanos pararam o baile e chamaram a atenção das 400 pessoas que lotavam o Centro de Tradições Gaúchas (CTG) Pioneiros do Centro-Oeste. No ano em que o Parque completa 50 anos de criação, esta foi uma oportunidade dos índios mostrarem um pouco da sua cultura aos vizinhos da cidade. Em breve discurso, Mutuá ressaltou o histórico de conflitos entre brancos e índios. Lembrou a todos os presentes em sua maioria de origem europeia que os índios não gostam dos brancos e que os brancos não gostam dos índios, mas que havia ali uma oportunidade de mudar esse cenário. A inesperada fala arrancou muitas palmas da plateia, e com um clima que variava entre admiração e incômodo, conforme relata Rodrigo Junqueira, coordenador adjunto do Programa Xingu, do Instituto Socioambiental (ISA), os índios dançaram durante 30 minutos para o público presente no CTG. O público presente assistiu a tudo com respeito e atenção Em tempos de tensão, posições polarizadas e ânimos acirrados sobre o Código Florestal, Unidades de Conservação e Terras Indígenas foi algo impressionante de ver, diz. A maior parte dos xinguanos pisou num CTG pela primeira vez e a troca cultural foi intensa: mistura de culturas, símbolos, indumentárias. Lá, eles puderam conhecer um pouco mais das tradições gaúchas, com as prendas de vestidos rodados de manga longa e com peões de bombachas, guaiacas, lenços e esporas. Aprendizado e conhecimento mútuo. (com assessoria do ISA) MÚSICA A primeira edição do festival aconteceu em 2009 e transformou um trecho da rua dos restaurantes, fechado à circulação de veículos, num oásis de sons Chapada tem dias de muito jazz Martha Baptista Da Reportagem Quem gosta de música de qualidade e é fã de jazz tem um programa certo neste fim de semana: o festival Chapada in Jazz, que começa hoje e vai até domingo no Centro de Chapada dos Guimarães (a cerca de 60 km de Cuiabá). A primeira edição do festival aconteceu em 2009 e transformou um trecho da rua dos restaurantes, fechado à circulação de veículos, num oásis de sons uma espécie de Nova Orleans (a cidade norte-americana considerada o berço do jazz) do Cerrado brasileiro. Os músicos que se dedicam ao jazz geralmente são grandes estudiosos da música, quase virtuoses, e têm na improvisação uma de suas principais características. A segunda edição do Chapada in Jazz traz a Mato Grosso alguns representantes ilustres da música instrumental brasileira e internacional, como o saxofonista carioca Léo Gandelman. O festival também é uma oportunidade para matar as saudades do som de um dos principais músicos mato-grossenses: o baixista e compositor Ebinho Cardoso, que se mudou este ano para os Estados Unidos e é um dos curadores do evento. Ele vai se apresentar esta noite ao lado dos baixistas Sérgio Groove (brasileiro) e Grant Stinnett (norte-americano), no Elements Trio. No domingo, retornará ao palco em formação de quarteto, logo depois da banda Abagaba, que está com novos integrantes, como Samuel Smith no lugar de Ebinho. Mas o público certamente verá uma fusão de estilos e linguagens musicais - que é uma das marcas do jazz mais contemporâneo. OUTRAS ATRAÇÕES A segunda edição do Chapada in Jazz chega mais robusta, com uma terceira noite de shows e outra novidade: uma exposição de fotos de Izan Petterle, intitulada No coração da América do Sul, que será aberta hoje, às 19h30m, na praça Dom Wunibaldo. Fotógrafo da revista National Geographic Brasil desde 2000, Petterle mudou-se para Chapada dos Guimarães em 1981, em busca de um lugar melhor para viver. Dedicou-se algum tempo a uma fazenda de criação de cavalos, mas desde 1998 deixou a vida rural para se dedicar profissionalmente à fotografia, sendo considerado um dos maiores da atualidade. O grupo Aquário, do Distrito Federal, faz a abertura do Chapada in Jazz esta noite, que também contará com participação de André Vasconcellos Trio, do Rio de Janeiro. A noite de sábado promete grandes emoções com três atrações: Pedro Martins Quarteto (DF), Léo Gandelman (RJ) e Filó Machado (SP). Segundo a curadora Viviene Lozi, o objetivo é que a cada edição do Chapada in Jazz novos músicos se apresentem, possibilitando o acesso de diversos artistas e espectadores ao festival, ampliando o consumo dos produtos e serviços turísticos locais e o repertório musical do público, além de abrir espaço para que outros nomes incluam Mato Grosso como possibilidade de apresentação e negócios turísticos. Com isso, o projeto promove a descentralização na medida em que possibilita a vinda de diversos profissionais da música e de turistas a Mato Grosso, ao mesmo tempo em que permite o acesso do público aos bens turístico e cultural de forma diversificada, afirma Viviene. O Festival Chapada In Jazz faz parte de uma rede sociomusical, segundo os curadores. É realizado em associação com o IB&T Bass Festival - idealizado por Celso Pixinga (curador do Chapada In Jazz) e realizado em várias cidades brasileiras, inclusive Cuiabá. Através dessa Rede circulam dezenas de músicos de diversos estados do Brasil, América Latina e outros países. Essa rede é considerada uma das principais plataformas de circulação e distribuição da música instrumental brasileira contemporânea e, por isso mesmo, representa a nova cara da música instrumental brasileira. O QUE: Chapada in Jazz QUANDO: hoje, sábado e domingo ONDE: Chapada dos Guimarães (calçadão Quinco Caldas, a rua dos restaurantes, no centro da cidade) PROGRAMAÇÃO Hoje 19h30 - Abertura da exposição No coração da América do Sul, do fotógrafo Izan Petterle 20h - Aquário (DF) 21h - Elements trio (USA) 22h - André Vasconcellos Quinteto (RJ) Sábado 20h - Pedro Martins Quarteto (DF) 21h - Leo Gandelman (RJ) 22h - Filó Machado (SP) Domingo 17h - Abagaba (MT) 18h - Ebinho Cardoso Quarteto (MT) QUANTO: entrada franca