ILUSTRADO
Terça-feira, 22 de Maio de 2007, 20h:27
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DVD
Conto de fadas às avessas para adultos
O Labirinto do Fauno, Turistas e Os Monólogos da Vagina são as novidades das locadoras avaliadas na edição desta quarta-feira
Juarez Compertino
Especial para o Diário de Cuiabá
Excêntrica, intrigante e ousada mistura de drama político e fantasia de horror, O Labirinto do Fauno (El Labirinto del Fauno, México/Espanha/EUA,2006/Warner) concorreu ao Oscar e Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro. Não ganhou, uma pena. Mesclando violência e lirismo para fazer uma ode à liberdade, o filme é um conto de fadas para adultos, violento e deslumbrante, dirigido e escrito pelo mexicano Guillermo Del Toro (ele já enveredou por Hollywood nas produções comerciais Blade II e Helboy), que volta a tocar num assunto que lhe é caro: a Espanha sob a ditadura de Francisco Franco, uma das mais sangrentas de toda a Europa. O tema já havia sido explorado no morno A Espinha do Diabo e agora ganha força, impacto e muito mais engenhosidade. Em 1944, a pequena Ofélia (Ivana Baquero, espetacular) vai com sua mãe (Ariadna Gil), grávida, para um posto militar na selva nos arredores de Navarra encontrar seu padrasto (Sergi Lopez, extraordinário), um irascível capitão do exercito franquista que está lá para aniquilar um foco de resistência ao regime e quer que o filho nasça ao lado do pai. Ao explorar a mata, Ofélia, guiada por fadas, descobre a existência de um labirinto que a leva até Pan (papel de Doug Jones). O mitológico fauno lhe revela sua verdadeira origem. Ela é a princesa de um mundo subterrâneo e precisa completar três tarefas para provar-se digna de seu lugar de direito. A partir daí, o diretor narra duas histórias paralelas: um conto infantil protagonizado pela menina que enfrenta as provas mágicas e a dura realidade de um país que está caindo em um reinado de terror. Aparentemente antagônicas, as tramas estão intimamente ligadas. A violência explicita (da guerra) alternada com momentos fantásticos torna o filme, por um lado, uma versão sombria de Alice no País das Maravilhas, e por outro lado, um ataque implacável ao fascismo. O fascinante aqui é como a noção de inferno é invertida. O mundo dos monstros é terno, quente e acolhedor, enquanto o mundo dos homens é frio, cruel e doloroso. A genialidade de Del Toro é construir uma fábula capaz de arrancar beleza do horror mais abjeto e de apontar esperança quando o triunfo parece estar nas mãos do próprio Mal. Usando o universo infantil para lançar um olhar sem censura sobre a crueldade, Del Toro explicita seqüências perversas. Um estilo questionável, mas que não compromete a força do visual, de beleza artesanal, e da narrativa, que transita com fluidez entre o real e o imaginário, jamais apelando para qualquer recurso que torne o filme piegas. O Labirinto do Fauno é uma das mais fascinantes e comoventes parábolas do cinema recente, e uma história universal capaz de encantar aos fãs de qualquer gênero de filme. Uma obra-prima. Genuína peça de horror Produção B, Turistas (Turistas, EUA,2006/Paris), uma aventura assustadora dirigida por John Stockwell, gerou protestos mesmo antes de estrear nas telas brasileiras. Tudo por causa da imagem barra-pesada que o roteiro traça de nosso pais a estupidez ufanista de alguns órgãos ficaram preocupados com a tal imagem do Brasil passada no filme, como se nosso cotidiano já não fosse terrível o suficiente. Embora escancare verdades, há exagero no propósito do enredo, que aposta na denúncia social tentando justificá-lo com um discurso antiimperialista. A meta é capturar e matar turistas para o tráfico de órgãos. Três americanos, uma australiana, dois amigos ingleses, e um casal sueco são obrigados a permanecer numa praia qualquer na região da Mata Atlântica, no Rio de Janeiro, após um acidente de ônibus. A principio, são bem recebidos, na base do samba e da caipirinha. No dia seguinte, acordam só com a roupa do corpo. À procura de ajuda num vilarejo, são guiados por um nativo sem que os gringos saibam o verdadeiro propósito da caminhada por uma floresta. Apesar do barulho todo, o filme propriamente não causa dano. É claro que são usados todos os clichês e estereótipos sobre o Brasil. Mas, também, é um dos raros filmes norte-americanos que mostra o povo falando em português e não castelhano. Marcelo D2 é o carro chefe da trilha sonora. (J.C.). Olha quem está falando Sucesso teatral no mundo todo (a montagem nacional chegou até aqui), Os Monólogos da Vagina (The Vagina Monologues, EUA/Inglaterra, 2006/Warner) foi criado e interpretado por Eve Ensler, que debutou no off Broadway em 1996. Este controverso trabalho tornou-se um fenômeno em toda a América, incensado por boas críticas dos conceituados New York Times, Variety, Entertainment Weekly, entre outros. Rapidamente extrapolou as fronteiras. Agora, a intimidade do show original de Eve Ensler foi magnificamente trazida para a tela, produzida pela HBO. Os Monólogos da Vagina captura a performance única de Eve e viaja para além dos palcos à medida que ela explora o ímpeto criativo por traz dos monólogos, e conduz uma série de novas e reveladoras entrevistas onde mulheres de raça, idade e preferências sexuais das mais diversas falam do seu ser mais intimo, ela, a poderosa, também, conhecida mundo afora como xana, periquita, xereca... tão inspiradoras como aquelas que motivaram este trabalho de arte original. Inteligente e hilário. (J.C