ILUSTRADO
Terça-feira, 29 de Dezembro de 2015, 16h:21
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DOCUMENTÁRIO
Canto dos Exilados joga luzes na contribuição dos artistas que fugiram do nazismo
O canal Arte 1, da TV a cabo, tem para seus assinantes, logo no primeiro dia de 2016, um presente que é a estreia do programa Cantos dos Exilados, apresentação do Alberto Dines, vai abordar a vida de três artistas a cada programa e vai reportar de dentro do navio Bauru, um contratorpedeiro utilizado na segunda guerra, atualmente, ancorado na Praça XV. A série vai focar a história dos exilados que chegaram no Brasil por conta da II Grande Guerra Mundial, fugidos da ferocidade dos nazistas, cujo partido assumiu o poder na Alemanha em 1933 e os primeiros exilados chegam na terrinha. Leonardo Dourado e Kristina Michahelles ambos ligados à Casa Stefan Zweig instituição dedicada à memória do escritor austríaco que buscou exílio no país e se matou em Petropólis, onde fica o memorial criaram em 2014 um totem interativo com cem microbiografias de exilados, de cerca de um minuto, para expor no museu. Foi quando perceberam que tinham um pequeno tesouro em mãos e tiveram a ideia de mostrar ao país o legado que essas pessoas deixaram em sua passagem pelo solo nacional. Segundo os dois, muitas famílias guardavam acervos por conta própria e diante dessa realidade começou-se a trabalhar a ideia e foi apresentada ao Arte 1, que topou e bancou o projeto. Juntaram-se os pesquisadores Jocimar Dias, Tiago Castro Gomes e equipe, eles foram, então, atrás de memórias, tanto no Brasil, sob a coordenação do historiador Fabio Koifman, grande especialista em imigração na Era Vargas, quanto na Alemanha, com o apoio do Arquivo do Exílio da Biblioteca Nacional de Frankfurt e da historiadora Marlen Eckl, especialista em exílio. A pesquisa resultou em dez episódios de uma hora cada, apresentados pelo jornalista Alberto Dines. Por conta dos 30 nomes relembrados, os programas foram agrupados por assuntos como críticos e tradutores (como o húngaro Paulo Rónai), fotógrafos (como alemão Hans-Gunther Flieg) e dramaturgos (como o polonês Ziembinski). O programa de abertura relembra três músicos: o maestro húngaro Eugen Szenkar, o primeiro regente da Orquestra Sinfônica Brasileira, em 1940; o compositor alemão Hans-Joachim Koellreutter, figura fundamental na formação de músicos como Tom Jobim e Tom Zé; e a pianista polonesa Felicja Blumental, a quem Villa-Lobos dedicou seu piano concerto nº 5. Ao mostrar as dificuldades enfrentadas por músicos estrangeiros num ambiente tão diverso, a produção fez um paralelo com jovens de fora que hoje integram a mesma OSB. O programa reuniu também depoimentos de maestros como Isaac Karabtchevsky, Roberto Minczuk e Júlio Medaglia e de compositores como Edino Krieger e Tim Rescala.