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Cuiabá MT, Sábado, 20 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Terça-feira, 29 de Dezembro de 2015, 16h:21

DOCUMENTÁRIO

Canto dos Exilados joga luzes na contribuição dos artistas que fugiram do nazismo

O canal Arte 1, da TV a cabo, tem para seus assinantes, logo no primeiro dia de 2016, um presente que é a estreia do programa “Cantos dos Exilados, apresentação do Alberto Dines, vai abordar a vida de três artistas a cada programa e vai reportar de dentro do navio Bauru, um contratorpedeiro utilizado na segunda guerra, atualmente, ancorado na Praça XV. A série vai focar a história dos exilados que chegaram no Brasil por conta da II Grande Guerra Mundial, fugidos da ferocidade dos nazistas, cujo partido assumiu o poder na Alemanha em 1933 e os primeiros exilados chegam na terrinha. Leonardo Dourado e Kristina Michahelles ambos ligados à Casa Stefan Zweig — instituição dedicada à memória do escritor austríaco que buscou exílio no país e se matou em Petropólis, onde fica o memorial — criaram em 2014 um totem interativo com cem microbiografias de exilados, de cerca de um minuto, para expor no museu. Foi quando perceberam que tinham um pequeno tesouro em mãos e tiveram a ideia de mostrar ao país o legado que essas pessoas deixaram em sua passagem pelo solo nacional. Segundo os dois, muitas famílias guardavam acervos por conta própria e diante dessa realidade começou-se a trabalhar a ideia e foi apresentada ao Arte 1, que topou e bancou o projeto. Juntaram-se os pesquisadores Jocimar Dias, Tiago Castro Gomes e equipe, eles foram, então, atrás de memórias, tanto no Brasil, sob a coordenação do historiador Fabio Koifman, grande especialista em imigração na Era Vargas, quanto na Alemanha, com o apoio do Arquivo do Exílio da Biblioteca Nacional de Frankfurt e da historiadora Marlen Eckl, especialista em exílio. A pesquisa resultou em dez episódios de uma hora cada, apresentados pelo jornalista Alberto Dines. Por conta dos 30 nomes relembrados, os programas foram agrupados por assuntos como críticos e tradutores (como o húngaro Paulo Rónai), fotógrafos (como alemão Hans-Gunther Flieg) e dramaturgos (como o polonês Ziembinski). O programa de abertura relembra três músicos: o maestro húngaro Eugen Szenkar, o primeiro regente da Orquestra Sinfônica Brasileira, em 1940; o compositor alemão Hans-Joachim Koellreutter, figura fundamental na formação de músicos como Tom Jobim e Tom Zé; e a pianista polonesa Felicja Blumental, a quem Villa-Lobos dedicou seu piano concerto nº 5. Ao mostrar as dificuldades enfrentadas por músicos estrangeiros num ambiente tão diverso, a produção fez um paralelo com jovens de fora que hoje integram a mesma OSB. O programa reuniu também depoimentos de maestros como Isaac Karabtchevsky, Roberto Minczuk e Júlio Medaglia e de compositores como Edino Krieger e Tim Rescala.

Edição EDIÇÃO 16967




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