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ILUSTRADO
Terça-feira, 04 de Junho de 2013, 19h:40

CINEMAS

Cadê as legendas?

Filmes dublados predominam nas salas de cinemas de Cuiabá; e a tendência é que este predomínio seja cada vez maior

Em “Forrest Gump”, de 1994, o ator Tom Hanks interpretava o personagem que dá nome ao filme: um sujeito parvo e abobalhado cuja vida se entrelaça com os principais acontecimentos da história recente dos Estados Unidos. A interpretação magistral lhe valeu o Oscar de melhor ator. Dublado para a televisão, o filme perdeu muito de sua graça. Dublador algum jamais soube reproduzir a voz anasalada e tola que tanta graça dava ao personagem. Assistir a um bom filme em seu som original – algo que agrada aos ouvidos de muita gente – tem sido cada vez mais raro em Cuiabá. Nos três shoppings centers da cidade, que concentram mais de vinte salas, o predomínio quase total é de filmes dublados. E, a depender dos planos dos cinemas, a tendência só tem a se acentuar. O Diário fez ontem um levantamento dos filmes em cartaz nos shoppings Três Américas, Pantanal e Goiabeiras. A reportagem contou 21 exibições programadas de filmes em língua estrangeira, exclusivamente inglês. Destes, 17 eram dublados e apenas quatro legendados. Tal predomínio não é exclusividade de nenhum cinema em específico. A preferência pela dublagem é comum às três empresas que possuem salas em Cuiabá: Cinematográfica Araújo (Pantanal), Cinemais (Três Américas) e Cinemark (Goiabeiras). No Goiabeiras, por exemplo, das sete exibições estrangeiras, cinco eram dubladas. E apenas um dos filmes, “Além da Escuridão – Star Trek 3D”, tinha exclusivamente a versão legendada. No Pantanal, das seis exibições, cinco eram dubladas. Ali só “Velozes e Furiosos 6” tinha uma versão original, embora também tenha programado a dublada. O caso mais gritante, ao menos em relação à programação de ontem, ocorreu no Três Américas. Das oito exibições estrangeiras, sete eram dubladas. O predomínio das cópias não-originais é um fenômeno recente – porém irreversível - no Brasil. Uma das explicações para o “fenômeno” atribui a mudança à ascensão da classe C, que passou a consumir mais produtos culturais. Em 2008, uma pesquisa do Sindicato das Empresas Distribuidoras Cinematográficas do Rio de Janeiro revelou que 56% do público preferia filmes dublados, enquanto 37% ficavam com os legendados. Outros 7% se consideravam indiferentes. Nos últimos anos, esta vantagem dos dublados só tem aumentado. Quando foi lançado no Brasil, o primeiro filme da franquia “X-Men” (2000) chegou sem nenhuma cópia legendada. O terceiro, de 2006, já veio com 96 dubladas contra 399 legendadas. Em “X-Men Primeira Classe” (2011), as cópias dubladas já haviam virado o jogo – 255 a 230. “É um pedido do nosso público”, diz Aristeu Fernandes, gerente da Cinematográfica Araújo. “Mais de noventa por cento dos freqüentadores preferem assistir a um filme dublado”. Fernandes conta que quando estão sendo exibidas duas cópias do mesmo filme, a sala onde está a legendada tende a ter um público bem menor que a outra onde está passando um filme dublado. “Às vezes, uma sala fica vazia e na outra faltam ingressos para tanta gente”. Ele usa o exemplo de “Velozes e Furiosos 6”, que estava sendo exibido nas duas versões. “Muita gente foi embora ao saber que os ingressos para o dublado já haviam acabado e só restavam para o legendado”.

Edição EDIÇÃO 16961




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