É difícil imaginar exatamente aonde o fim pode levar. Entremeio passos carregados de dor há outros rumos que se constroem. Vidas que se misturam! A última gota do néctar sempre é a mais apreciada. Também, a mais louvável. Sabor que impermeabiliza o hálito numa total concupiscência traiçoeira. Perfeita avareza de amantes amados ainda aprendizes do amor. Brasas que queimam mesmo após o fim. Entre tantos fins há recomeços afins. Histórias que se repetem e fatos que se completam. Tudo é uma questão de complemento. De sementes daninhas que se consomem. Nem sempre se perde um amor. Distancia, mas não o suficiente para ser esquecido. Os amores são tão semelhantes que se confundem. Mesmo quando as portas se fecham, alguns se instalam no jardim. Escondem entre os canteiros e aguardam pendurados em discretos xaxins. Amar é descobrir apelos ocultos que jamais serão esquecidos. Imaginar o que o corpo desconhece. Por isso não há fim que resista uma boa dose de emoção. Mesmo que o medo congele os nervos a paixão continua ardendo em labaredas silenciosas. Há um momento em que tudo parece ter fim. Apenas o coração insiste em dizer não. O desejo aponta uma esperança sempre convidativa. Caminho que leva ao prazer da conquista. Não importa a pesada nuvem de solidão que paira no peito e consome a alma. Que suga as expectativas e tenta encerrar o sonho nos tropeços. Abafar o eco do amor nos sussurros da solidão. A felicidade se perde nos emaranhados leques de dúvidas que se desdobram em apelos. Portas se misturam com o manto negro da dúvida. Nada se ouve além dos gemidos tenso da cúmplice escuridão. Silêncio que congela. Velam por minutos em vácuo profundo de criatividade. Pensamentos que caminham em círculos umedecendo travesseiros ingênuos. Fluem bailando na dor. Semeando, em busca da chave perfeita que abre corações. Capaz de saciar a sede que consomem os lábios. Renovar. Aprender com as dores é apreciar um fim que não termina. Transformar momentos tristes em reações promissoras. Aproveitar as paixões para se descobrir e entender que o sentimento é vivo enquanto há aprendizado. Criar formas de vida e amor diferente. Abrir portas com sorrisos de gratidão. Mudar, pode não significar apenas uma opção. Pode ser uma nova forma de sobrevivência. Quando morre o certo é possível investir no duvidoso e fazer dele um autêntico produto reciclado. A reestruturação do equilíbrio está vinculada a capacidade de interação com as adversidades. Quando se busca um caminho persegue uma qualificação. Que nem sempre são de valores pré-prontos. Mas de tesouros antes esquecidos. Não coloque um fim sem antes praticar a continuidade. Há sempre oportunidade de revelar o oculto e lucrar com a paciência. *Luís Gonçalves é publicitário, escritor e colabora com o DC Ilustrado
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