ILUSTRADO
Quinta-feira, 04 de Junho de 2009, 19h:40
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VENEZA
Bienal quer promover a arte do diálogo
Camila Molina
Agência Estado
Fazer Mundos" (Making Worlds/Fare Mondi) é o título/tema da 53ª Bienal de Arte de Veneza, que terá sua abertura oficial amanhã (06/06), com a entrega dos prêmios Leão de Ouro para Yoko Ono (escolhida para a honraria por suas criações de raiz conceitual e não por ser viúva do ex-Beatle John Lennon) e para o artista americano John Baldessari, e inauguração para o público no domingo. A mostra mais tradicional do mundo, de longa duração - ficará em cartaz até 22 de novembro - está, ao lado da Documenta de Kassel, na Alemanha, entre os eventos mais importantes do calendário das artes visuais. Neste ano, com curadoria geral do sueco Daniel Birnbaum, a mostra, nos espaços do Arsenale e dos Giardini da cidade italiana, tem como proposta fazer a relação entre a produção de arte recente com o lastro das pesquisas de artistas já históricos, porém, que se estabeleceram a partir de um passado recente, o de força a partir da década de 1960. "Fazer Mundos", na verdade, é tecer e reconhecer os diálogos entre as gerações, mais do que seria o ato de concretização de um projeto para o estado de objeto de arte em suas diversas linguagens. Birnbaum, nascido em 1963 em Estocolmo, fala em texto sobre a 53ª Bienal em uma "história da arte contemporânea" e dentro dela já inclui nomes como Gordon Matta-Clark, Blinky Palermo e da brasileira Lygia Pape (1927-2004). Como conta a fotógrafa Paula Pape, filha de Lygia e responsável pela direção da associação cultural (Projeto Lygia Pape) que mantém e divulga a obra da artista, desde sua morte, o argumento primeiro que Birnbaum e o alemão Jochen Volz, cocurador desta edição da Biennale (e com grande relação com o Brasil, já que é um dos curadores do Instituto Inhotim em Minas Gerais) usaram foi o de que "Lygia influenciava os jovens artistas". "E ela sempre esteve rodeada de jovens; então, é algo que vai de encontro a ela como pessoa", diz Paula. A Lygia Pape que sempre esteve ao lado de Lygia Clark e Helio Oiticica, uma das criadoras fundamentais de "dentro e além do movimento neoconcreto", como afirma o crítico inglês Guy Brett - é uma das responsáveis por criar obras abertas à participação (arte/vida/comportamento), mas de maneira objetiva e inteligente - estará representada agora em Veneza por duas obras.