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ILUSTRADO
Quinta-feira, 05 de Julho de 2007, 19h:42

Bailarino internacional prepara coreografia em Cuiabá

A linguagem artística da dança está em cartaz no Sesc Arsenal. O espaço está proporcionado estímulo aos bailarinos, coreógrafos, atores, diretores e público em modo geral, por meio do contato com novos horizontes de aprendizagem, e criação de novas possibilidades para o campo da dança, especificamente, no estado de Mato Grosso. O SESC Arsenal oferece cursos de dança sistematizados no decorrer do ano letivo, com a devida atenção de definir a arte da dança como uma ação própria de formação do individuo participativo e reconhecedor sobre importância de se consumir arte como processo de formação de conhecimento. O bailarino e coreógrafo Héctor Bohamia (Buenos Aires), que foi entrevistado por este caderno há cerca de dois meses, está em Cuiabá desde o último dia 03, trabalhando numa montagem coreográfica com as alunas do curso de Ballet Moderno do SESC ARSENAL. O coreógrafo e bailarino, que já atuou no balé Pina Bausch, informa que serão realizadas duas montagens distintas, uma para o Grupo Estudantes Juvenil e outra para o Grupo de Estudantes Adultos. Os bailarinos (estudantes) estarão em sala de aula num processo dinâmico de criação, durante 48 horas de trabalho. O Grupo Juvenil passará, pela primeira vez, por um processo como este e, será coreografado, ao som de belíssimos Tangos. Já o Grupo adulto vem vivenciando e armazenado de experiências com diversos coreógrafos, desta vez, participarão de coreografias em cima de obras de Saint Gabriel. Estas montagens coreográficas com Héctor Bohamia e inicio de um processo de ensino –aprendizagem que culminará em apresentações de um espetáculo nos dias 14, 15 e 16 de Setembro de 2.007 no teatro do SESC ARSENAL, junto com outros estudos de remontagens de clássicos de repertório. Este espetáculo terá a Direção Artística de Elka Victorino e a realização do SESC ARSENAL. Currículos Elka Moura Victorino é professora de Balé Clássico, formada pela Royal Academy of Dance (Londres). Formada em Ed. Física pela UFMT e em Fisioterapia pela UNIVAG, com aprofundamento em dança e educação pela UFMT e especialização em Fisiologia em Exercício e Desporto pelo IBEPEX. Atualmente é professora e coreógrafa dos cursos de Balé Clássico e Balé Moderno do SESC ARSENAL e diretora da Cia. De Dança Art’Expressão, onde produz aproximadamente quatro espetáculos anuais, tendo acumulado mais de trinta produções ao longo de sua carreira, onde participou também como primeira bailarina. Héctor Bohamia é um dos artistas mais prestigiados atualmente na Europa, dentre os destaques de sua geração. “Familiarizado ao expressionismo, sua arte tem o efeito de um punhal congelado apoiado sobre a pele quente”, disse o jornal alemão Die Zeit. A sua carreira no palco se desenvolve paralelamente com suas produções para o meio operístico, cinematográfico e companhias de dança de todo o mundo. Não são poucos os que estimam que Héctor Bohamia é o artista mais reconhecido do cenário moderno de sua geração, ainda que suas obras como intérprete, sua concepção do cenário e fundamentalmente sua capacidade de direção não terem sido ainda avaliadas no Brasil como se tem na Europa e países asiáticos, onde já se apresentou várias vezes. Suas idéias cênicas possuem uma enorme visão de vanguarda, entre o teatro, a lírica, o cinema e as artes plásticas, e seus personagens ocupam o primeiro plano de ações”, diz. Sua linguagem, conquista o espectador de uma maneira difícil de explicar, pois descreve com clara emoção a difusa sensação de enfrentarmos um efeito artístico absolutamente distinto do que nos é mostrado ou proposto nas maiorias das turnês que vemos. Radicado a mais de duas décadas em Frankfurt (Alemanha), Bohamia sempre se manifestou como um homem inquieto e interessado na transformação. A arte, mais especificamente a dança no Brasil, segundo ele, carecem de muita pesquisa. “Há ótimos bailarinos, há ótimos profissionais, porém falta estudo e criticidade aos trabalhos, o que garantiria mais possibilidade de empreendimento”, diz o bailarino, lembrando que dança não se resume a movimento. “Dança é essencialmente pesquisa, investigação. Mais ainda, a dança precisa ser mais visceral e menos visual. Eu sou um artista das vísceras. Para transgredir tem que estudar e acima de tudo construir uma personalidade própria”, concluiu.

Edição EDIÇÃO 16967




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