Temos lido em contos, visto em filmes, novelas televisionadas que falam em dupla personalidade. Achamos que, se tivermos alguns esclarecimentos, sobre esse assunto, poderemos, inclusive, discernir melhor nossas personalidades. Pode o indivíduo Ter mais de uma personalidade? TERCEIRA PARTE É tríplice como tudo, mas a personalidade é uma só. Se o ambiente a orientar harmoniosamente, todas as suas potencialidades irão desabrochar sob forma produtiva, até mesmo quando seja pouco dotada, ou fraca. Isto é importantíssimo. O indivíduo, vejamos do ponto de vista somático, pode nascer com um aparelho digestivo fraco. Propendem esses órgãos a não funcionar integralmente, mas se o ambiente lhes proporcionar o alimento adequado a sua deficiência, esses órgãos, por sua vez, reagiram adequadamente ao tratamento recebido. Uma planta é frágil. Se lhe proporcionarmos um meio propício ao seu desenvolvimento, que lhe seja agradável, ela viverá em harmonia correspondente a esse ambiente. Do mesmo modo age a psique. O indivíduo pode ter uma personalidade fraca, mas se o ambiente lhe dá o amparo necessário, sua adaptação pode ser fraca, mas adapta-se, rende alguma coisa. Não se torna prejudicial, destruidora, peso negativo. Colabora dentro de suas possibilidades. Que diremos, então, da personalidade bem estruturada? ... Esse é um princípio eubiótico. Por isso a Psicologia é algo tão velho quanto a eternidade. Vem de longe e irá para longe, como parte integrante da Lei. Nos Templos Iniciáticos, o Mestre analisava os discípulos através dos sonhos. Dava-lhes temas de meditação e através de suas reações, - acordados ou dormindo interpretando-as, conhecia as tendências do discípulo, seu interior, como reagia intimamente. Essas reações eram as possibilidades, era o desabrochar da flor, carunchada ou sadia. O Mestre percebia, assim, as razões que o levaram a agir. Quando o indivíduo sonha, a pessoa, o corpo, está dormindo, ela não morreu, está ligada a tudo quanto ocorreu; a parte psíquica está em movimento, por isso se diz que todos sonham. O sonho é uma forma, uma espécie de pensamento; como o físico está em repouso, quando acorda pode-se recordar de que esteve em tal ou qual situação, pois entrou ou ficou apenas, em outra dimensão. Não agiu no espaço limitado, exterior. Perdeu a noção do espaço e a noção de tempo a três dimensões, consequentemente em seu pensamento ou estado de sono, atravessou as paredes. Como tudo se interpenetra e somos uma totalidade, as concepções que temos acordados são as mesmas que quando estamos dormindo e por isso, nos nossos sonhos, colocamos máscaras, continuam as defesas, conseqüências dos falsos juízos de valor. Adormecidos, o controle exercido sobre os nossos impulsos vida-energia, cega é menor. Executamos o desejo, mas, como continuamos com os valores destorcidos do certo e errado, imediatamente agem os mecanismos de defesa e o sonho se reveste de uma série de símbolos que, aos olhos leigos, parecem absurdos. A vontade é relativa à razão e o desejo, ao afetivo-emocional. Se um fato é reprimido e não compreendido, ele permanece em latência, até que seja sublimado. Vejamos um exemplo objetivo. Na criança, porque, assim já poderão, inclusive, apreender algo mais. Já dissemos que a criança cola a figura do parental do mesmo sexo. Quando introjeta essa figura, forma seu Super-Ego ou assimilou, de um modo geral, as suas concepções. Vejamos, então, o exemplo. Uma menina cola a figura materna, porque todo o ambiente lhe demonstra que se assemelha fisicamente com ela. Em outras palavras, ambas pertencem ao mesmo sexo. Então, se ela é o mesmo que a mãe, quem ela vê no seu ambiente?... o pai. Se o pai der atenção a figura materna, ela também quer essa atenção dirigida a ela, pois, ela e a mãe são uma só, em termos de colagem. Se o que quer não acontece, naquele momento, digamos que ela bate na mãe e a chama de feia. Estará rivalizando com esta figura zangada, com raiva dela. Reprimem-na: que menina horrível, batendo na mamãe, que menina má ! . A criança não pode contradizer o que lhe disseram porque realmente bateu mas não aceitou que seja, realmente, justa a situação. Percebe que não detesta a mãe. E, por aí adiante, começa a tecer concepções. Muitas vezes entra, até, em conflito. Tem determinadas reações desajustadas. Pode passar a viver fazendo carinhos extremamente exagerados na genitora. A noite, sonha que a mãe morreu e acorda chorando desesperada. Desejo-manifestação de sua rivalização com a figura materna, desejando-se ver livre dela porque lhe furta a atenção paterna, mas não é da genitora, propriamente, de quem se quer ver livre. Sofre porque necessita de sua mãe e gosta dela... Quantos jovens sonham que estão lutando com um ladrão que quer furtar a carteira de dinheiro do pai, do avô... Ao ser analisado, é ele próprio cobiçando as notas da carteira e lutando consigo mesmo para não ceder ao impulso. Não percebe a sua própria máscara. Quando uma criança furta, ficamos horrorizados. Se é nosso filho, nos desesperamos, vendo já nele um marginal. Entretanto, aquela criança pode também estar se sentindo furtada em seu afeto, pelos próprios pais e se defende compensando-se em outra área. É fato notório que os sensores são as pessoas mais insatisfeitas e os moralistas aqueles cujos sonhos são indicadores dos maiores delitos. Máscaras, símbolos, sintetizam realmente, o que vive no interior do homem. Esse aspecto é necessário ser visto para que ele se conheça melhor. Por isso, os Mestres interpretavam os sonhos dos discípulos, lembremo-nos, mais uma vez. JUNG trouxe para o mundo a sua teoria do inconsciente coletivo; nele está gravado todo o acervo do trabalho dos avataras do passado, que a humanidade assimilou, dentro de suas concepções. Por isso em nossa Escola Iniciática, o Instrutor Geral tem falado tantas vezes em Oitavo do passado e Oitavo do futuro. Resta, na iniciação, ao discípulo, conhecendo-se a si mesmo, tentar, também, interpretar os símbolos que surgem em seus sonhos, discernindo o falso do verdadeiro. Coluna Eubiose: Todas as quarta-feiras. Copyright© Sociedade Brasileira de Eubiose® - SBE Todos os direitos reservados. Proibida alteração no texto. Permitida a reprodução, desde que sejam citados fonte e autor. Matéria extraída da Série Cultural da Sociedade Brasileira de Eubiose SBE. www.eubiose.org.br e www.mosaicosdonovociclo.com.br e
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