ILUSTRADO
Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010, 21h:47
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ATÉ QUANDO ASSISTIREMOS ESSA ATROCIDADE?
*Ana Emilia Iponema Brasil Sotero
Esta semana mais uma vez o Brasil assistiu estarrecido outro crime de violência doméstica. Em Belo Horizonte, um ex-marido matou com NOVE TIROS à queima roupa a ex-mulher. E a pergunta é: ATÉ QUANDO ASSISTIREMOS ESSA ATROCIDADE? Sabe-se que é da natureza do homem inconformar-se com o não da mulher, isso é uma verdade inquestionável, seja ela decorrência da cultura do machismo, da força ou da necessidade do exercício do poder. Uns acabam aceitando a adversidade, outros se vingam de outras maneiras, outros partem para o espancamento, alguns decidem ir para o tudo ou nada: "Se não ficar comigo não ficará com mais ninguém". Como se o amor que se sente desse o direito à posse e propriedade daquela mulher que diz amar. A violência não é só a agressão física, ela é a própria situação de dominação. A violência física é um dos instrumentos que o indivíduo usa para dominar outra pessoa. A agressão verbal, a humilhação, a agressão sexual são formas de sujeição da mulher, de manter o controle total. Quando ocorre um homicídio doméstico, já existe uma história de violência. Normalmente o homem mata a mulher quando ela está tentando sair da relação. Ele usa como último recurso a morte. E ele mata no desespero, pois é a única forma de controle sobre aquela pessoa. PORQUE TANTA VIOLÊNCIA? É a resposta que clama uma multidão de pacificadoras e pacificadores. Durante muito tempo, a violência foi considerada um problema do mundo privado, da família, das relações afetivas e o movimento de mulheres brasileiras há mais de 30 anos, têm trazido essa questão para o espaço público, como um tema político e social, que deve ser tratado pelas políticas públicas e hoje com o respaldo da Lei Maria da Penha. Já cresceu muito o número de denúncias, mas sabe-se que ainda é difícil denunciar. Diante da violência, os sentimentos das mulheres são de vergonha, humilhação e medo. Denunciar as situações de violência pelas quais as mulheres passam é fundamental para conhecimento dessa realidade e garantir o fim da impunidade dos agressores. Muitas são as desculpas para tentar justificar os atos de violência, como por exemplo: drogas, bebida, desemprego, perder a cabeça, frustrações e insegurança. Trata-se de tentativas de aliviar a culpa dos homens que praticam violência. Os homens tendem a justificar a violência como algo externo a eles, e a passivamente a sociedade aceita. Os agressores não são violentos por estarem bêbados ou desempregados, mas sim, pela ideologia machista: a sociedade lhes dá poder em relação às mulheres, e isso determina as relações de posse e conseqüentemente as ações violentas. Por isso, é muito importante encorajar as mulheres a denunciar e buscar apoio o quanto antes. Nosso objetivo é que cada vez mais as mulheres conheçam seus direitos e os mecanismos de enfrentamento à violência. *Professora e Advogada. Presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher.