ILUSTRADO
Quinta-feira, 17 de Março de 2011, 20h:09
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MÚSICA
Asvolinsque toca com Orquestra de MT
Aos oitos anos começou a estudar música em Cuiabá, mas suas brincadeiras com as teclas começaram em casa, aos três anos. Já foi premiado na Polônia e nos EUA
A China de hoje não é como a de antigamente. Falando assim você não imagina que são impressões de um cuiabano. Mas são, seu nome é Walter Asvolinsque, pianista que se apresenta amanhã (19) e domingo (20), ao lado da Orquestra do Estado de Mato Grosso, no Cine Teatro Cuiabá. Depois de vinte anos morando e se aperfeiçoando em países como Polônia, Inglaterra, Espanha e EUA, onde se tornou mestre pela Universidade de Notre Dame [Califórnia], Walter já ganhou prêmios em vários países, sendo inclusive escolhido como melhor intérprete de Chopin, na Polônia e também como o Músico do Ano de 1993, nos EUA. Aos oitos anos começou a estudar música na capital mato-grossense, mas suas brincadeiras com as teclas começaram em casa, aos três anos. Eu ficava brincado no piano, aí quando comecei a estudar era meio preguiçoso porque tocar pra mim era muito fácil, então não queria estudar, relembra o pianista. Toda a sua formação musical foi fora do Brasil. Saiu daqui com dezesseis anos. Em 2001, após vinte anos, de volta para Cuiabá, manteve todos os contatos profissionais no exterior. Só para a China eu já fui 14 vezes. E já tenho viagem marcada pra lá em Julho. Sempre vou pra lá uma ou duas vezes por ano, como professor convidado pelo Conservatório Central de Pequim para dar aulas aos Master Class. E também faço recitais, concertos e outras atividades musicais, por lá, explica Asvolinsque. O pianista cedeu esta entrevista em sua residência, ao lado de dois pianos de cauda, um de origem brasileira e outro que veio do Japão. Esse é o meu instrumento pessoal, que uso para estudar, aponta orgulhoso para o instrumento asiático. OEMT - O que você escuta além da música erudita? Asvolisnque - Essas coisas de axé, pagode... pra mim não dá. Eu parei na MPB. Eu gosto do Brasil de Villa Lobos, Ernesto Nazaré, gosto de ouvir tango e coisas muito específicas como a música folclórica da Turquia. Isso porque eu viajo muito a trabalho então acabo recebendo muita coisa, mas o que eu gosto mesmo é de assistir filmes. OEMT - Filmes? Que tipo de filmes? Asvolinsque - Eu tenho uma coleção de mais 70 títulos. Eu gosto de drama, ação, documentários, só não gosto muito de comédia. OEMT - Não gosta de comédia, nem de Woody Allen? Asvolinsque - Ah, não gosto, não gosto do humor dele. Ele é muito sarcástico, o tempo inteiro... É feio. Acho que assisti dois filmes dele, mas não tenho nenhum filme de comédia em casa. Eu vejo filmes do Anthony Hopkins. Muitas vezes fico horas estudando, chego em casa e assisto um ou dois filmes. OEMT - E a Orquestra do Estado, há uma expectativa (por ser cuiabano) em se apresentar? Asvolinsque - Não é a primeira vez que toco com a Orquestra, fui músico convidado quando o violinista Emanuelle Baldini veio tocar (Temporada 2010). Acho que o Leandro (Carvalho) faz um excelente trabalho, porque é difícil organizar um concerto aqui em Cuiabá. Não tem infraestrutura, é complexa a logística dos instrumentos e músicos. Para os concertos de março, a OEMT apresenta repertório sinfônico com 40 músicos envolvidos. As pessoas não imaginam quanto custa para fazer um concerto desses, quantas pessoas estão envolvidas na produção. OEMT - A OEMT é expoente da música de concerto no Centro-Oeste e num cenário nacional que vem crescendo de forma rápida nos últimos dez anos. Você que conhece o desenvolvimento da música erudita em vários países, o que acha do segmento em nível nacional? Asvolinsque - A música erudita sempre foi muito presente na Europa, sempre foi comum àquele povo. Em Viena (Áustria), por exemplo, não existe nenhum dia da semana que não tenha dois ou três grandes concertos. Na Ásia o piano é um instrumento relativamente novo, se popularizou por lá nos anos 50, mas a música de concerto é muito presente. Aqui no Brasil há boas escolas, bons professores, mas culturalmente é diferente. Não que seja pior ou melhor, mas diferente. Na Polônia, as crianças ouvem música clássica em casa, aqui ouvimos axé, pagode... Não temos estações de rádio de música clássica. Mas esse quadro está mudando, novas orquestras estão surgindo. Só para servir como exemplo, a Revista Concerto (publicação especializada em música erudita) tinha um formato pequeno, hoje está enorme, com cada vez mais conteúdo e falando sobre produções em vários estados. Isso é um grande avanço, e só tende a aumentar. OEMT - E quanto ao repertório desde final de semana? Asvolinsque - Serei solista apenas na Valsa Capricho, de Camille Saint-Saens. Essa valsa foi dada de presente de casamento a uma amiga do compositor francês, por isso o nome da peça, Bolo de casamento. Toda peça tem sua dificuldade, com essa não é diferente, requer muita concentração e técnica. E o Saint-Saens é um gênio desde criança... A arquitetura da peça é elegante, transparente e equilibrada. Aí farei duas outras peças acompanhando a OEMT, nas obras de Piazzolla e Leonard Bernstein. Na peça do Piazzolla, A morte do anjo, ele compôs em Milão [Espanha] na década de setenta, um dos períodos mais interessantes em sua carreira. E o arranjo do Bragatto é excelente. Já na obra do Bernstein, On The Town, é uma peça que mostra a versatilidade do americano. Que produziu desde oratórios, conjuntos de danças até chegar a broadway, tamanha a concepção e impulso criativo do maestro. (com assessoria)