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Cuiabá MT, Terça-feira, 16 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 08 de Maio de 2010, 14h:29

TEATRO

As mãos que falam

Sediada em Curitiba desde 2006, a Tato já se apresentou em mais de 20 festivais nacionais e internacionais, tendo vencido importantes prêmios

Claudio de Oliveira
Da Reportagem
O Palco Giratório no SESC Arsenal traz a Cuiabá a Cia. Tato Criação Cênica. A Tato andou nômade pelo Brasil depois de ter sido criada em Ouro Preto, Minas Gerais. O grupo tinha como proposta o uso da linguagem corporal para contar uma história. Em princípio eram Dico Ferreira e Katiane Negrão. O primeiro, diretor teatral bacharelado pela Faculdade de Artes do Paraná, desenvolve trabalho solo de mímica desde 1995, como ator já trabalhou em diversos grupos e companhias no Paraná e em Minas Gerais. Ele participou como ator e ministrando oficinas em diversos festivais (Brasil, Portugal e França). Katiane por sua vez é licenciada em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Ouro Preto (MG). Atriz e bailarina trafega pela dança desde 1983 e no teatro a partir de 1993, em Bauru (SP), onde fez várias oficinas e participou de alguns grupos. Em 1998, inicia pesquisa em teatro–dança. Entre várias apresentações em performances de arte e dança contemporânea Negrão esteve também no Festival de Teatro de Curitiba, Festival de Dança de Campos de Jordão, MoMu – Festival de Monólogos (UFOP), Festival de Inverno de Ouro Preto, Fórum das Artes (Ouro Preto) e outros. Com sede em Curitiba (PR) desde 2006, a Tato participou de mais de vinte festivais nacionais e internacionais. Já se apresentou em onze estados brasileiros e outros quatro países, como Portugal, França, Espanha e Argentina. Com a primeira montagem (Tropeço), o grupo obteve o Troféu Gralha Azul, concedido pelo Centro Cultural Teatro Guaíra (PR) como melhor espetáculo de 2008 e, ainda, o Troféu Epidauro, concedido pelo Consulado da Grécia. Além disso, também foi escolhido como melhor espetáculo pelo júri especializado no Festival Internacional de Bonecos de Belo Horizonte de 2007. Este espetáculo chamado “Tropeço”, será apresentado neste domingo e também o espetáculo infanto-juvenil “E se”. São duas apresentações desta premiada trupe. Quando “E se” foi concebido a partir das observações da reação das diversas plateias de Tropeço, o grupo recebeu o reforço de Luciana Falcon que integrou a equipe da Tato Criação Cênica em 2007, e também foi responsável pelo prêmio Myriam Muniz da Funarte 2007 recebido pela peça “E se”. Luciana é estilista, formada em Moda pela Universidade Anhembi Morumbi(SP), desenvolve trabalhos nas áreas de cenografia, figurino e produção cultural. Como contar uma boa história usando apenas as mãos? É difícil explicar sem imagens. Mas o Tato veste as suas mãos e manipula de maneira magistral objetos e conta efetivamente uma história deixando os holofotes sobre suas mãos-personagens enquanto aparecem (atores) de maneira neutra na cena. Em “E se” eles discutem com bom-humor e fantasia os diversos caminhos que a vida oferece e as interferências das escolhas e ações de cada um no coletivo. A rua de um centro urbano é o ponto de encontros e desencontros no cotidiano de personagens que surgem em cena com o uso de pequenos adereços nas mãos dos atores. Numa realidade urbana bem brasileira e nem por isso menos universal, cada ação desses personagens, que em sua maioria vivem e dependem da rua, revela novos rumos para a história, criando e recriando universos. A “sessão” que tem como foco principal o público infanto-juvenil acontece às 17h no teatro do SESC. Já o Tropeço, é para um público “mais velho”, recomendação acima dos 14 anos. Esta “sessão” será às 20h no mesmo local. Tropeço, primeiro espetáculo do grupo, abriu as portas do mundo para o Tato. Na peça eles pretendem dar vida ao simples. Sobre uma mesa, com baús e alguns pequenos objetos cria-se um mundo onde dois atores manipuladores e suas mãos dão vida a duas personagens: duas velhas que moram juntas. Partindo da costumeira visão que temos da velhice mostra-se sua solidão e as pequenas ações rotineiras, porém cria-se um universo de sutileza e extravagância, poesia e comicidade em mãos que andam, dançam, bebem, respiram, riem e choram. Como explicou Katiane em uma entrevista para o Jornal do Brasil (17-06-2009), o nome Tropeço deixa uma interrogação na cabeça do espectador mesmo depois da peça. Para Katiane: “O Tropeço faz com que algo se transforme, gere uma desestabilização que pode ser ótima. Nesse sentido não existe nada definitivo. A plateia também tropeça ao transitar entre o riso e o espanto no decorrer da apresentação”.

Edição EDIÇÃO 16962




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