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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 14 de Junho de 2008, 13h:52

RESENHA

Apresentação de Maria Rita agradou só a burguesia

Show foi bom pra quem comprou mesa e ficou perto do palco. Pra quem ficou distante...

Ney Arruda
Especial para o Diário de Cuiabá
Atraída pela expectativa de uma ótima apresentação musical, verdadeira multidão de fãs acorreu a performance da cantora Maria Rita. O evento rolou na sexta da semana passada no Centro de Eventos do Pantanal. Óbvio que a garota tem um ‘pedigree’ violento. Se dependesse da mãe Elis Regina, tudo estaria garantido. Olha, pra quem sentou pagando mesa de 350 mangos o show foi uma maravilha. Lindo de morrer também pro povo que desembolsou 250 pilas para as mesas mais recuadas de centro. Agora, gente como eu que pagou 40 reais foi uma enganação. Explico: estive entre as cerca de 300 pessoas que ficaram encurraladas como gado no curral lá na entrada do salão principal. Havia um cercado de ferro que impedia a livre circulação dos pagantes. Nós somente conseguíamos ver a cantora do tamanho do dedo mindinho da mão. O som praticamente não chegava onde permaneceram as pessoas em pé, nas duas horas de show. Pobre da cantora e da banda dela. Quando Maria Rita, por vezes, resolvia fazer o famoso texto de palco, não se compreendia o que ela estava falando com o público. Peguei muita gente se perguntando: “Mas, o que ela está dizendo? Alguém entende?” É... a organização do show ‘botou na poca’ da platéia. Tudo legal: quem bancou o burguês e sentou que nem ‘pachᒠlá na frente, ficou em êxtase do tipo, “ai, que lindo”. E saíram do show no estilo ingênuo: “Eu amo Maria Rita”. Até porque a galera irada lá atrás saiu com um sentimento de que o evento parecia ter sido feito pra ‘bacana’ curtir. E a ‘plebe’ lá no fundo pagando água mineral a três reais. Verdadeiro crime consumista contra a sociedade local. E pensar que o evento foi realizado pela associação dos funcionários da Caixa Econômica em parceria com a Brasiltelecom. Nossa! A sonorização tava muito ruim, com “paus” direto. Não rolava duas músicas sem microfonia e ruídos metálicos nas caixas. Os dois telões só pra inglês ver: do tamanho de uma caixa de fósforos. E pra completar – claro – cerveja quente. Conversei com uma médica que se dizia tapeada. Não adianta a gente tampar o sol com a peneira e omitir a verdade. Olha pessoal! O povo não é besta. Podemos ser enganados uma, duas vezes. Mas chega uma hora que satura. E aí vai ter show de nível nacional com público de meia dúzia de gatos pingados. Essa história de “Eu faço Cultura”, ficou mesmo na linha da arte ‘lucrativa’. Tá na hora de acabar com esses pseudo-moralismos, quando o problema está em casa. Vamos cair na real e parar com hipocrisia. Se iam encurralar aqueles que pagaram 40 reais, então que nem disponibilizassem esses ingressos para não dar o engodo que ocorreu. E não adiantou a esmolinha de liberar a cerca na hora das músicas de ‘bis’, porque o povo já tava puto da cara. Precisamos de mais respeito com o público mato-grossense que consome arte e cultura. Esta é minha leitura dos fatos. Assim não dá pra ser feliz. *Ney Arruda é professor, doutorando pela Universidad de Burgos (Espanha), violinista cuiabano e colabora com o DC Ilustrado ([email protected])

Edição EDIÇÃO 16961




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