ILUSTRADO
Quinta-feira, 14 de Outubro de 2010, 20h:47
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CINEMA
Apenas estreia tardia
Mais uma comédia romântica com Jennifer Aniston como protagonista, apesar de previsível, uma oportunidade para desopilar e relaxar os sentidos
Com apenas uma estreia os cinemas mantém as apostas do feriado para este final de semana. A estreia de Coincidências do Amor no Brasil foi em meados de setembro, mas só agora aterrissa por aqui. A direção é de Josh Gordon e Will Speck que repetem a parceria de Escorregando para a glória/2007. O roteiro é de Allan Loeb (Wall Street 2). Tudo indica que será mais um filme de comédia romântico previsível e muitas vezes até desejável. Basta desligar o senso crítico e se deixar levar pelas lágrimas e sorrisos que se sucedem sem exigir muito da massa encefálica. Para o crítico Marcelo Hessel (Omelete) O roteirista Allan Loeb (...) Parte de uma trama de desencontros, subgênero propício para o humor, para atochar dilemas metropolitanos em seus personagens. A insensibilidade do mercado financeiro e a obsessão pelo exercício físico, por exemplo, se somam ao drama-base da hoje disfuncional tradição familiar: o pai que no fundo deseja ser criança para corrigir seu passado e a mãe cuja urgência é definir seu futuro. No filme Kassie (Jennifer Aniston) é uma mulher madura e bem sucedida que sempre sonhou em ser mãe mas, infelizmente, o homem certo ainda não cruzou o seu caminho. A vida segue até que ela, enfim, decide fazer uma produção independente. Seu melhor amigo, Wally (Jason Bateman), é extremamente neurótico e não concorda com a escolha de Kassie, mas por gostar dela demais opta por não atrapalhar seus planos. Bateman (Intrigas de Estado/2009) é o "menino-homem", como diz um mendigo no começo do filme, segundo Hessel ainda, é o ator-de-tipos que Hollywood procura quando quer um protagonista em amadurecimento tardio: está em plena meia idade, mas parece que não passou pela obrigatória história de formação juvenil. É, ademais, um ator com cara de gente comum, ideal para aquelas cenas em câmera lenta do "rosto na multidão" de Nova York. O personagem, aliás, se chama Wally. Speck e Gordon tentam falar a nossa língua e ao nosso coração, por isso a escolha por Bateman e pela narração em off pausada, como naqueles power points motivacionais. O texto diz, resumindo, que é muito difícil encontrar uma alma gêmea, saber identificá-la etc., e está claro que a outra metade da maçã de Wally em toda a Big Apple é Kassie. São então dois desengonçados sociais, para usar um termo gentil, e Kassie percebe primeiro que o tempo está acabando. Diz ao seu melhor amigo Wally que vai engravidar por inseminação artificial. Wally não aceita bem - já desperdiçou antes a chance de conquistá-la e agora terá que aceitar a semente intrometida de outro homem. Daí que a coisa muda, a tal reviravolta se dá numa bebedeira.