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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 12 de Junho de 2010, 15h:54

AUSÊNCIA

Antônio Poteiro, um papa da arte primitiva

Autodidata, desde os anos 60, realizava exposições coletivas e individuais pelo Brasil e no exterior, em países como a Itália, Portugal, Cuba, EUA, Alemanha e França

Lucas Nobile
Agência Estado
O corpo do artista plástico Antônio Poteiro foi enterrado no último dia oito no cemitério Jardim das Palmeiras. Aos 84 anos, ele estava internado há mais de uma semana no Hospital e Maternidade Jardim América, em Goiânia, e lutava contra um câncer. Poteiro faleceu na madrugada de terça-feira após uma parada cardiorrespiratória. O hospital não deu maiores informações a pedidos da família do artista. Nascido em Santa Cristina da Posse, em Portugal, com o nome de Antônio Batista de Souza, ele radicou-se no Brasil e era considerado um dos mestres da pintura primitiva brasileira. No início da carreira trabalhava com esculturas e cerâmica, com destaque para animais, máscaras, bonecos e figuras religiosas, como uma série desenvolvida por ele sobre deuses. Ainda na década de 1960, quando criava suas esculturas, ganhou o apelido de Antônio Poteiro. Entre os trabalhos mais conhecidos do artista, "O Abraço", "Presépio da Tartaruga" e "Deus Animal" Nos anos 1970, incentivado por Siron Franco e Cléber Gouvea, começou a pintar. Autodidata, desde a década anterior já realizava exposições coletivas e individuais pelo País e no exterior. Entre elas, destaque para bienais na Itália e outras mostras em Portugal, Cuba, Estados Unidos, Alemanha e França. No Brasil, o artista participou das edições de 1981 e 1991 da Bienal de São Paulo. Poteiro ganhou reconhecimento ao longo de sua carreira conquistando diversos prêmios, como o concedido pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), na categoria Esculturas, em 1985, e no Salão Nacional de Arte do Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte, em 1982. Poteiro foi homenageado ontem no plenário de Brasília pelo senador Marconi Perillo (PDSB-GO), com o seguinte discurso: "Ele deixará certamente uma lacuna, não apenas para o mundo cultural goiano, mas também do Brasil. Pintor e escultor consagrado, teve suas obras, centenas delas, adquiridas por colecionadores, não só do Brasil, mas de diversas partes do mundo". Figura central de documentários como Antônio Poteiro: o profeta do barro e das cores (1983), dirigido por Antônio Eustáquio, e Antônio Poteiro (1991), de Ronaldo Duque, o artista plástico imprimiu um estilo muito próprio tanto na pintura quanto na escultura, recebendo em seu site oficial depoimentos carinhosos de nomes de peso, como Frederico Morais, Roberto Pontual, Ferreira Gullar, Wilson Coutinho, Geraldo Edson de Andrade, Walmir Ayala, Georges Racz, Olívio Tavares de Araújo e Brasigóis Felício. Para Felício, "a impressão que nos transmitem as pinturas e a cerâmica de Antônio Poteiro é a de que foram extraídos do cerne da vida, transfigurados em arte por um impulso criador ao mesmo tempo ingênuo e requintado... Antônio Poteiro é um inspirado poeta das cores e do barro". Para Racz, "Poteiro sonha as suas telas, soluciona o espaço, as cores e as figuras, como só uma criança consegue... pintura poderosa, abençoadamente bela". Poteiro deixa mulher e três filhos, um deles o ceramista Américo Souza Neto.

Edição EDIÇÃO 16961




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