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ILUSTRADO
Quinta-feira, 03 de Dezembro de 2015, 20h:46

ARTES

A volta de Narbal Guerreiro

Artista expõe 30 obras que compõe a mostra Habitart 1 e ficarão expostas até dia 20

JOÃO BOSQUO
Da Reportagem
A quarta exposição de Narbal Guerreiro é resultado – digamos assim – de uma decisão de que precisava fazer algo novo. A anterior, ou penúltima como queiram alguns, aconteceu ainda no século 20, em 1999. O que, convenhamos, já faz um pouquinho de tempo. Esta quarta individual do jornalista, radialista, bacharel em Direito e artista plástico, diferentemente das outras, traz um título “Habitart 1”, enquanto a técnica, mistura de nanquim, hidrocolor e ecoline em papel tríplex, que poderá ser conferida a partir do dia 9, quarta, no ‘foyer’ do Teatro do Cerrado – Zulmira Canavarros, anexo a Assembleia Legislativa de Mato Grosso e vai ficar aberta ao público até o dia 20 de dezembro. Narbal é um artista natural e o gosto pela arte é uma mescla de herança familiar e frutos do “acaso”, entre aspas, porque, convenhamos, nada é por acaso. Pelo lado do DNA, começou quando seu pai, agrimensor ficou doente e precisou se internar. A mãe, para poder acompanhar o marido, o que fez? “Distribuiu’ os três filhos em casas de parentes, e Narbal, com 12 anos, ficou na casa da avó paterna, Catarina Magalhães. Essa avó, sim, era uma artista plástica, criava telas a óleo, fazia tricô, crochê, florista de mão cheia, enfim, e dessa convivência, o contato diário com essa realidade, foi despertando no guri o gosto pela arte e, assim que o pai melhorou, a família mudou-se para Minas Gerais e lá, aos 18, ao servir o Exército Nacional, no 12º Batalhão de Infantaria de Montanha, foi designado para trabalhar no Departamento de Pinturas do Pelotão de Transporte. É bom deixar consignado, de forma clara, que foi nesse ‘departamento de pintura’, que Narbal, soldado raso, começou a pintar de verdade, fazendo os brasões nas viaturas, aplicações de camuflagem, manipulando tintas. Com a avó, imagina, uma senhora carinhosa com o neto preferido, mas não ia deixá-lo se aproximar das tintas e pincéis, até mesmo por uma questão econômica. Os materiais de pinturas não são baratos, mesmos os nacionais, atualmente. Imagina quarenta anos atrás. E foi no quartel que Narbal começou a fazer leiautes, projetos das camuflagens para os carros e caminhões. Ao dar baixa vem para Cuiabá. Aqui uma das primeiras que conhece e o convida para trabalhar foi Aquiles Tenuta, do jornal “Folha de Cuiabá”. Era para trabalhar na circulação, mas já a partir da primeira edição estava no Departamento de Artes do jornal. Em seguida vai para o jornal “O Estado de Mato Grosso”, como arte finalista. O arte finalista, uma das poucas funções que ainda persiste, só que as ferramentas são outras. Se antes eram a letra-set, a máquina de composer, hoje são os Photoshop, Adobe Illustrator, Adobe InDesign, Freehand, CorelDraw, Acrobat, etc., assim como a do ilustrador, outras desapareceram ou foram agregadas às do arte finalista. Narbal tem comentado com amigos sobre a criação, quem sabe, de um museu que guarde essa memória. Quem fala agora é o repórter: algumas coisas a nossa academia, UFMT, está devendo. Uma dessas dívidas é um estudo, pesquisa, tese de doutorado, enfim, sobre o número de jornais que circulam e circularam em Cuiabá – não são poucos. A capital sempre teve três diários. Por quê? Sendo que Cuiabá, por exemplo, tem mais jornais que Goiânia, uma cidade maior e economicamente mais forte. Hoje temos, além deste Diário de Cuiabá, a “Folha do Estado” e “A Gazeta”. Antes da “Folha” era “O Estado de Mato Grosso” e antes da “Gazeta” era o “Jornal do Dia”. Seria interessante saber, sem achismo, a razão dessa tradição. Depois d’O Estado de Mato Grosso, Narbal vai para a TV Centro América, como diretor de Artes, cria o departamento e fazia as vinhetas de assinatura dos comerciais. Também, naqueles tempos, era tudo no muque, papel vegetal, sobre papel, desenho quadro a quadro... Em seguida monta a sua própria agência, a Provia Propaganda e Marketing, ao mesmo tempo que produzia seu programa de vendas na TV, voltado para o mercado de automóveis, junto com o Revista da Manhã, da TV Gazeta, que lhe possibilitou fazer a cobertura da Stock Car 2003. Termina a faculdade de Direito e se muda para Vilhena, trabalha na SBT local, na Band produz e apresenta o jornal e, em 2011, retorna pra Cuiabá. Em meio a tudo isso está pintura: em 1986 participa de uma amostra com seus trabalhos, totalmente a nanquim daí uma década, em 1995, no Goiabeiras Shopping realiza sua primeira individual. No ano seguinte faz outra individual, em Santa Cruz de La Sierra, Bolívia e em 1999, na Estância 21, a terceira e de lá pra cá trabalhos como jornalista e uma temporada em um escritório de advocacia com duas colegas de faculdade, intercalado por dois AVCs – uma reduzida na produção artística que voltou a produzir com mais intensidade a partir de meados de 2014 e vem agora a público. São 30 trabalhos e o vernissage começa às 20 horas do dia 9. Narbal promete uma noitada animada.

Edição EDIÇÃO 16968




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