ILUSTRADO
Segunda-feira, 02 de Agosto de 2010, 19h:01
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A
ACADEMIA
A TRASLADAÇÃO DO MARCO DE JAURU PARA CÁCERES
Mais de um século permaneceu a Pirâmide no seio da floresta, no ponto em que o Jauru tributa suas águas ao Paraguai, até que, em 1880, por ofício de 28 de maio, o Tenente Cel. Antonio Maria Coelho herói da retomada de Corumbá e comandante do Distrito Militar de Cáceres solicita à Câmara Municipal desta Cidade, permissão para colocar no centro da então Praça da Matriz (hoje Barão do Rio Branco) o Marco do Jauru. A Câmara responde-lhe nestes termos: Esta Câmara Municipal tem a honra de acusar o recebimento do Ofício que V. Sª em data de ontem se dignou dirigir-lhe, no qual manifestou a idéia que concebeu de colocar na praça da Igreja Matriz desta cidade o Marco que outrora se destinou para marcar o limite da possessão portuguesa e espanhola nesta parte da América. A mesma Câmara conhecedora do gênio patriótico dos desejos de todo e qualquer melhoramento, assim como formoseamento dos pontos que reside, não pode ela furtar-se de louvar a V. Sª por tão nobres sentimentos, mas não sendo aquele monumento de origem brasileira, entende ela que não deva figurar em sua praça, entretanto, não querendo que prevaleça sua idéia a tal respeito, vai nesta data consultar a Exma. Presidência e de sua resposta dará ciência a V. Sª a quem Deus guarde. (Ao Sr. Ten. Cel. Antonio Maria Coelho, Com. Distrito Militar. João Antonio da Fonseca, Presidente). Infelizmente, não encontramos o ofício dirigido ao Presidente do Estado nem a resposta deste à Câmara. Achamos, porém, na ata da sessão da Câmara Municipal de 27 de agosto de 1883, o seguinte: Foi lido um ofício ao Sr. Ten. Cel. Antonio Maria Coelho, Comandante deste Distrito, pedindo a esta Câmara o pagamento de 93$975 rs. que gastou com a colocação do monumento que se acha no largo da Matriz, nela concordando ordenou ao seu procurador que fizesse o efetivo pagamento da referida quantia, respondendo-se o dito ofício nesse sentido. Ficamos, contudo, sem saber a data em que se deu o assentamento do Marco na praça Barão do Rio Branco. Até que um dia, em conversa com o reverendo Pe. Paulo Maia Cabral, então Vigário nesta cidade, disse-nos ele que vira anotada, num livro antigo, pelo Vigário da época, o virtuoso Padre Casimiro Ponce Martins, a data em que se deu o fato. Verificando o livro, por consentimento do Reverendo Pe. Paulo, constatamos lá o que vínhamos procurando, há tempo, o dia em que se assentou em frente à nossa Igreja Matriz, o Marco trazido de Jauru por iniciativa, como vimos, do Ten. Cel. Antonio Maria Coelho dia 02 de fevereiro de 1883. Por ocasião do bicentenário do Tratado de Madri, em 1950, aqui esteve o historiador, Dr. Jaime Cortesão que pronunciou, junto ao Marco do Jauru, um discurso sobre o monumento e o seu inspirador Alexandre de Gusmão. Cortesão acha que o Marco de Jauru é o único existente dos muitos monumentos semelhantes que, com grande trabalho, foram conduzidos até aos lugares onde deviam assentar. Depois do Tratado do Pardo (1761) os espanhóis mandaram destruir todos os marcos que haviam sido colocados nas fronteiras do sul. Acad. Prof.Natalino Ferreira Mendes Cadeira n° 15