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ILUSTRADO
Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2016, 18h:08

TELEVISÃO

A saga musical de uma família

Criado pelo saudoso Compadre Crispim, “Chora, Viola” agora é apresentado por seu filho, Radamés Alves, mantendo compromisso com o sertanejo

BEATRIZ SATURNINO
Da Reportagem
E se for para chorar, que chore a viola! Há quem tenha saudades do compadre Crispim, o Osvaldo Alves, que comandou o programa Chora Viola por 33 anos até deixar um domingo triste de despedida com a exibição da última apresentação gravada pelo amante da cultura sertaneja, em 2003. Mas a lenda Crispim e seu “Chora Viola” continuam vivo com seu filho Radamés Alves que, além de reeditar o programa, defendendo a raiz sertaneja com informações e entretenimento, apresenta outro que é diário, o “Café da Manhã com Radamés”, pela TV Cuiabá, canal 47, na capital de Mato Grosso. Antes de falar dos programas de Radamés não tem como deixar de citar Crispim, mais que pai, incentivador, tutor, amigo e apaixonado pela cultura sertaneja. Ele ficou como um dos apresentadores mais respeitados do rádio e da televisão mato-grossense. Daqueles que fazia da comunicação uma utilidade pública, onde transmitia, por exemplo, recados entre o campo e a cidade para as famílias via rádio. Quando colocou os pés em Cuiabá, em 1971, o que ouvia-se era somente polca paraguaia e o bairro do Porto era a referência da cidade. Vindo do interior do Estado de São Paulo, cidade de Lucélia, da rádio Brasil de Adamantina, onde já atuava como apresentador sertanejo, Crispim veio buscar novas fronteiras a convite do advogado Fauzer Santos, que comandava a rádio Cultura de Cuiabá. Crispim já tinha os oito filhos e o sonho dele nesta época já era ter um dos filhos para dar continuidade de sua tradição. Para participar de seu programa na rádio Cultura ele trouxe vários nomes de destaque nacional no sertanejo, como Tonico e Tinoco, Tião Carreiro e Pardinho, Leandro e Leonardo, Sérgio Reis, Alan e Aladin, Zezé e Zazá, hoje Zezé di Camargo e Luciano, Gian e Giovani, Milionário e José Rico, Ataíde e Alexandre, Lourenço e Lorival e até Gretchen, irmã de Sula Miranda. Pois bem, o sertanejo invadiu Cuiabá e a polca paraguaia já não era mais o hit do momento. A partir daí a marca foi levada para a rádio A Voz do Oeste , depois Vila Real, a atual rádio Gazeta, até inaugurar o sinal da TV Centro América, onde também apresentou o Chora Viola. Ele seguia a paixão pelo sertanejo que se expandiu em caravanas pelos bairros de Cuiabá, indo mais longe, até o interior levando shows por meio de apoio de patrocinadores. - O Compadre Crispim defendeu a cultura do Estado sem a força de qualquer apoio do Governo, apenas com a boa vontade e os patrocinadores que, na época, havia mais força, lhe apoiavam sem esforço. Era a caravana do Chora Viola acompanhada dos palhaços Pituca e Tampinha. As pessoas tinham Mato Grosso como terá de ninguém e meu pai mudou um pouco isso, onde recebeu uma homenagem com a conhecida música `Tardes Morenas de Mato Grosso`, pelo compositor Goiá - conta Radamés. Atualmente, em uma sequencia de reapresentações, a partir de sábado, das 15h às 16h, o Chora Viola passa no domingo, das 9h ás 10h, e quarta-feira, das 21h ás 22h. Ele é gravado num cenário familiar, num rancho que homenageia com o mesmo nome do programa, na rodovia dos Imigrantes, perto do trevo do Capão Grande, em Várzea Grande. Lá também é o local para o encontro com artistas num bate-papo, com entrevistas, de segunda a sexta-feira, no programa Café da Manhã com Radamés. E seguindo os ensinamentos do pai Osvaldo Alves, o Radamés Filho, neto do Crispim, também está sendo preparado para ser comunicador, e já tem participação ativa nos programas que são gravados no rancho Chora Viola. Aos 67 anos Aos 67 anos, o Compadre Crispim sofria de uma doença chamada diabetes, e já bem debilitado ele gravou seu último programa, aos 67 anos, na lanchonete “Lagoa Velha”, na comunidade do Distrito da Guia, onde era o cenário das gravações, todas as quartas-feiras, para ser apresentado no domingo, pela TV Record/Gazeta. Na sexta-feira veio a falecer de infarto fulminante. “Eu ajudei ele a apresentar o último programa. Na realidade, acompanhei ele desde os meus 16 anos de idade. E a vontade do pai era que eu desse continuidade ao programa e por isso veio me preparando”, diz Radamés. Neste momento de luto o Chora Viola parou e o filho caçula criou outro programa regional no mesmo canal 19, aos 31 anos de idade, onde levou por quatro anos até retomar a história de Crispim, numa reestreia pela TBO, canal 8. Mas antes da morte do pai teve experiência em rádio do interior e na capital mato-grossense, a mando de Crispim, para que Radamés criasse sua própria identidade. Hoje Radamés Alves é atração diária na TV Cuiabá, Canal 47, comandada pelo jornalista e empresário Maksuês Leite. “Como gosta de dizer o jornalista Enock Cavalcanti, estamos aqui sustentando a programação regional em Cuiabá e mostrando que televisão pode ser muito mais do que apenas a programação importada de outras capitais, via redes nacionais”, diz o filho do saudoso Compadre Crispim.

Edição EDIÇÃO 16967




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