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Cuiabá MT, Domingo, 14 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Segunda-feira, 17 de Junho de 2013, 21h:00

ACADEMIA

A POÉTICA DO NOSSO HINO ( uma tentativa de decodificação)

Moisés Martins
Da Reportagem
O Hino a Cuiabá na sua riquíssima poesia, bordada do cheiro dos cajueiros e mangueiras em flor, nos prepara para inspirarmos o aroma volátil do roseiral decantado na segunda estrofe. Consegue o autor o complexo e o simples harmonizar, qual verdadeiro elo de ligação em que podemos encontrar vocábulos tendentes à erudição, por exemplo de “ estelífero manto”. Faz alusão ao céu cuiabano salpicado de estrelas, de luminosidade fulgurante mormente nas noites primaveris, quando o céu é aureolado pelo plúmbeo enluarado, contrapondo com o azul marinho do infinito infindo. E o simples com a constatação da nossa riqueza aurífera aflorada nas margens dos nossos riachos e agasalhados no subsolo da nossa terra. Começa o privilegiado autor do Hino com uma verdadeira declaração de amor, exaltando o encantamento da nossa querida Cuiabá. E trabalha a conceituação mais profunda da palavra “amor” na sua trilogia:“eros, pater e filia”. O autor retira da policromia das cores que pinta o céu cuiabano o discurso que promove no universo íntimo de cada Ser humano; e utiliza uma metáfora profunda, aborda a aurora com seu “lindo rubor,”onde também podemos entender a presença do sol tropical, que aquece o hálito que sopra para drapejar as nossas bandeiras. O estribilho confirma a rica descoberta dos nossos bandeirantes que chegaram aqui por volta de 1719, descobrindo os reluzentes grânulos de ouro, riqueza efetiva do então “Arraial da Forquilha”, fundado sob a invocação de Nossa Senhora da Penha de França, quando o padre Jerônimo Botelho celebrou a 1ª missa em Mato Grosso, na capelinha de pau a pique. Faz o autor ainda alusão à Cuiabá, como cidade “Luz de Mato Grosso,”de maneira semelhante, respeitada as devidas proporções da Paris no cenário europeu, talvez historicamente o inicial ponto da liberdade estampada nos dizeres da bandeira de Minas Gerais: Liberta Quae Será Tamem”, “ Liberdade ainda que tardia”, filosofia que medrou a nossa juventude estudantil do Mount Pellier na França, que veio a culminar com o martírio de “Tiradentes,” Joaquim José da Silva Xavier, mas em contraposição propiciou-nos a liberdade tão almejada. Termina o estribilho com a assertiva: ”És enfim nosso tesouro”. O efeito do odor das rosas, apesar de outro grande poeta Cartola dizer que: as rosas não falam, simplesmente exalam o perfume que roubam de ti, penetra em nas nossas narinas“rescendendo qual rosal,”fazendo-nos alçar voo dos sonhos albergados no também sonho do bandeirante Pires de Campos. O “enternecimento dos corações”, oráculo próprio, onde a sensibilidade mora qual turíbulo a espargir a fumaça do incenso. A presença de Deus, entidade absoluta a compadecer-se da nossa relatividade na qualidade de mentor maior, foi solicitada quando expressa: “Erguemos a Deus orações”, visando a vencer o mal, vilão que quase sempre presente está a nos fustigar, tentando impedir nossas boas ações. Por fim, afirma a “beleza sem rival” e o eterno cultuar “sempre o valor”, valor este encontrado na figura rude e não alfabetizada do bandeirante Pascoal Moreira Cabral Leme, no registro do 1º cronista de Mato Grosso, José Barbosa de Sá: “Homem rude sem nenhum polimento e letras, porém revestido de sensibilidade humanística”. Pascoal Moreira Cabral, detentor da honra e privilégio de haver fundado e lavrado a ata da Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá, às margens do “Prainha,” perto do Tanque do Arnesto, onde se estabeleceu na qualidade de agricultor o sorocabano Miguel Sutil, que depois se transformou em minerador e bandeirante, marcando o ciclo do ouro com as famosas lavras do Sutil. O autor desta bela peça poética é Esequiel (com S mesmo) de Siqueira, que tive a honra de conhecer quando menino. Além de tantos predicados a ele tributados, serviu muito mais do que tudo para ratificar a contextualização bíblica: “Deus usa as coisas simples e aparentemente desprezíveis para quebrar as potestades e a soberba dos soberbos da vida! Ele viveu a singeleza própria dos cuiabanos, rodeado dos melhores amigos do homem: os cães. Moisés Martins é acadêmico, cadeira nº 8. ________________________________________ ACADEMIA MATO-GROSSENSE DE LETRAS NOTÍCIAS: -Junho/ 2013 - 1-No dia 6 houve a 4ª Assembleia Geral Ordinária de 2013, com comparecimento de Acadêmicos, sob a presidência da Acadêmica Nilza de Queiroz Freire, cadeira nº 14. 2- A presidência lembra o Edital convocatório para a Assembleia Geral Extraordinária no próximo dia 27 de junho, para apreciação e votação a fim de preencher a cadeira de nº 33. Falou da necessidade de quorum. 3 -Professor Benedito Figueiredo – A presidência lembrou o prendado mestre cuiabano, professor da Língua Portuguesa de tantas gerações. Faleceu em Cuiabá no dia 6 de maio, com mais de 103 anos de idade. Homenagem. 4 -Presidente acadêmica Nilza Queiroz Freire.- Nas celebrações do Dia de Mato Grosso foi homenageada pelo governo de Mato Grosso, com a Ordem do Mérito, no grau de Oficial. 5- Acadêmicas Elizabeth Madureira Siqueira e Yasmim Jamil Nadaf, cadeiras nº 29 e 38, respectivamente foram homenageadas pelo governo do Estado, nas celebrações do Dia de Mato Grosso, com a Ordem do Mérito, no grau de Cavaleiro. 6- A presidência salientou as dificuldades financeiras da Instituição, que se mantem com anuidades dos Associados, necessitando da contribuição do governo do Estado. A AML, como o IHGMT, foram fundados pelo governo de Mato Grosso, na gestão do presidente Francisco de Aquino Correa (Dom Aquino) 1918-1922.

Edição EDIÇÃO 16962




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