NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2011, 18h:20

VERSO

A necessidade da poesia necessária

Projeto gerou dois livros que reúnem a tão sincera poesia que procuram os amantes e a tão inesperada escrita que é feita por estes jovens autores-estudantes

Vinícius Masutti*
Especial para o Diário de Cuiabá
Hoje não falarei de um poeta apenas, mas de vários deles, dezenas, talvez centenas de pequenos fazedores de poemas que ainda não conhecemos, mas que o faremos(devemos) depois de lermos este texto. Falaremos então de um livro, ou melhor, de dois livros que reúnem a tão sincera poesia que procuram os amantes e a tão inesperada escrita que é feita por estes jovens autores-estudantes. Falo de um projeto extremamente necessário, chamado simplesmente “Poesia Necessária”, que aconteceu entre 2007 e 2008 aqui na capital matogrossense. A ideia vem de um poeta nosso, do qual já falei aqui neste diário. O nome dele é Antônio Sodré, ou Sodrézinho como era conhecido nesta cercania. Pois bem, Sodré reuniu uma turma de entusiastas da poesia e da cultura para literalmente fazer arte. Entre eles estavam autores como Marinaldo Custódio, Eduardo Espíndola, e outros. O projeto basicamente tinha a intenção de estimular a poesia que já existia dentro de cada um, e que então, seria claramente expandida, a ponto de trazer á tona, uma nova safra de poetas e poetizas. A trupe, com o apoio do governo estadual, escolheu duas escolas cuiabanas ( Os Colégios Raimundo Pinheiro e Ferreira Mendes) para pôr em prática sua tática poética e ali, naqueles colégios desenvolveram a poesia necessária. Antônio Sodré era um poeta praticante, que não se contentou em escrever seus versos e com a coragem de um homem sincero partiu para a prática e conseguiu em troca, muitos outros belos versos. Após o horário normal de aula, os que se interessavam timidamente ou efusivamente pela arte da escrita, ficavam para uma aula de poesia. A turma contava aos alunos sobre a beleza da vida, e como ela poderia ser traduzida com delicadeza, na forma de poemas. Encantados estavam os professores com o encantamento dos alunos e todo este cântico deu origem aos livros de que falei no início. O poeta Sodré diz em um deles “Ao dar um passeio por sobre esse jardim poético, notamos verdadeiras rosas e jasmins plenos de inspiração por parte da garotada talentosa desses dois colégios (…) que, diga-se de passagem, já moram no meu coração de poeta e possibilitador literário.”. Possibilitar a literatura significa plantar uma semente de vida num terreno naturalmente fértil que é a cabeça dessa juventude e nutrir de reflexão as mentes adolescentes. Os versos que nasceram daquela semente são tão surpreendentes que emocionam toda a gente e o que aqueles adolescentes escreveram não está no gibi, mas está em dois livros, que mereceram a publicação que tiveram. Aqueles professores que mencionei antes fizeram uma espécie de dança da poesia e receberam uma chuva de poemas, alguns tão bons que merecem destaque por aqui e não serão esquecidos, nem pelos feitores, muito menos pelos leitores. Gostaria de reproduzir o prefácio inteiro do primeiro livro aqui, mas para não tomar muito espaço, vou apenas mostrar a potência que há dentro daqueles estudantes que seja lá por onde andam agora, carregam consigo seus poemas. Um pequeno/grande exemplo desse talento garimpado por Sodré, Marinaldo, Eduardo, Viviane...vem de uma aluna chamada Rebeca Delgado que disse assim: “Céu escuro/Faróis dos carros/Estrelas móveis”. Pronto, está feito o poema, um pensamento todo condensado em três belas linhas. Os livros, impressos pela editora TantaTinta e com ilustrações de Adir Sodré, não foram vendidos, mas distribuídos, e apesar da quantidade limitada, ainda são encontrados em sebos e bazares, onde aliás encontrei os meus, que estão agora ao lado de grandes poetas, pois na língua da poesia conversam entre si e quando os leio, converso comigo e penso. Deixo aqui neste diário, meu relato emocionado e espero que em breve possamos continuar despertando o lirismo que está incrustado dentro de muita gente por aí. Deixo também, alguns belos poemas que li neste nobre trabalho chamado “Poesia Necessária”. A poesia prevalece e merece sua leitura. *Vinícius Masutti e estudante de filosofia, poeta desconhecido e colabora com o DC Ilustrado ([email protected])

Edição EDIÇÃO 16961




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL