ILUSTRADO
Sexta-feira, 01 de Novembro de 2013, 19h:12
A
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RESENHA
A MORTE DE UMA ESTRELA
Antônio Padilha de Carvalho*
Especial para o Diário de Cuiabá
Certo dia eu tive um pai, ele me disse que daria qualquer coisa que eu pedisse. Então pedi o sol, ele não pode me dar. Então pedi as estrelas, ele me disse que o meu brilho era muito mais intenso que qualquer uma delas. Eu sorri e dei-lhe um beijo Janis Joplin Janis Lyn Joplin, cantora e compositora norte-americana, considerada a Rainha do Rock and Roll , a maior cantora de rock dos anos 60 e a maior cantora de blues e soul da sua geração, ela alcançou proeminência no fim dos anos 60 como vocalista da Big Brother and the Holding Company e, posteriormente, como artista solo, acompanhada de suas bandas de suporte, a Kozmic Blues e a Full Tilt Boogie. Influenciada por grandes nomes do jazz e do blues como Aretha Franklin, Billie Holiday, Etta James, Tina Turner, Big Mama Thornton, Odetta, Leadbelly e Bessie Smith, Janis fez de sua voz a sua característica mais marcante, tornando-se um dos ícones do rock psicodélico e dos anos 60. Todavia, problemas com drogas e álcool encurtaram sua carreira. Morta em 1970 devido à uma overdose de heroína, Janis lançou apenas quatro álbuns: Big Brother and the Holding Company (1967), Cheap Thrills (1968), I Got Dem Ol Kozmic Blues Again Mama! (1969) e o póstumo Pearl (1971), o último com participação direta da cantora. Posso não durar tanto quanto as outras cantoras, mas sei que posso destruir-me agora se me preocupar demais com o amanhã. Janis nasceu na cidade de Port Arthur, Texas, nos Estados Unidos. Ela cresceu ouvindo músicos de blues, tais como Bessie Smith, Leadbelly e Big Mama Thornton e cantando no coro local. Joplin concluiu o curso secundário na Jefferson High School em Port Arthur no ano de 1960, e foi para a Universidade do Texas, na cidade de Austin, onde começou a cantar blues e folk com amigos. Cultivando uma atitude rebelde, Joplin se vestia como os poetas da geração beat, mudou-se do Texas para San Francisco em 1963, morou em North Beach, e trabalhou como cantora folk. Nessa época Janis intensificou o uso de drogas e passou a usar heroína. Janis sempre bebeu muito em toda a sua carreira, sua bebida preferida era Southern Comfort. O uso de drogas chegou a ser mais importante para ela do que cantar, e chegou a arruinar sua saúde. Costumo ter problemas nos bares por causa de minha aparência. Entao, ou você fica furiosa e vai embora, ou mostra o dinheiro e obriga os idiotas a engolirem você. Depois de retornar a Port Arthur para se recuperar, ela voltou para San Francisco em 1966, onde as influências do blues a aproximaram do grupo Big Brother & The Holding Company, que estava ganhando algum destaque entre a nascente comunidade hippie em Haight-Ashbury. A banda assinou um contrato com o selo independente Mainstream Records e gravou um álbum em 1967. Entretanto, a falta de sucesso de seus primeiros singles fez com que o álbum fosse retido até seu sucesso posterior. O destaque da banda foi no Festival Pop de Monterey, com uma versão da música Ball and Chain e os marcantes vocais de Janis. Cheap Thrills de 1968 fez o nome de Janis, foi seu álbum de maior sucesso, continha a música Piece of my heart que atingiu o 1º lugar nas paradas da Billboard e se manteve na posição durante oito semanas não consecutivas. Posso não durar tanto quanto outras cantoras mas sei que posso destruir-me agora se me preocupar demais com o amanhã. As últimas gravações que Janis fez foram Mercedes Benz e Happy Trails, sendo a última feita como um presente de aniversário para John Lennon que faria aniversário em 9 de outubro, em entrevista, Lennon contou que a fita chegou em sua casa após a morte de Janis. Janis Joplin esteve no Brasil em fevereiro de 1970, na tentativa de se livrar do vício da heroína. Durante a sua estada, fez topless em Copacabana, bebeu muito, cantou em um bordel, foi expulsa do Hotel Copacabana Palace por nadar nua na piscina e quase foi presa, pelas suas atitudes na praia, consideradas fora do normal. Como era época de carnaval, tentou participar de um desfile de escola de samba, porém teve acesso negado por um segurança que desconfiou de sua vestimenta hippie. Janis teve ainda um breve o rockeiro brasileiro Serguei. Tenho medo de acabar me tornando uma dessas velhas bêbadas e roucas, que ficam vadiando pela rua assediando rapazinhos. No dia 3 de outubro de 1970, Janis visitou o estúdio Sunset Sound Recorders em Los Angeles, Califórnia, para ouvir o instrumental da música de Nick Gravenite, Buried Alive in the Blues, a gravação dos vocais estava agendada para o dia seguinte, pela noite ela foi para o hotel, no dia das gravações (4 de outubro) não apareceu no estúdio, então John Cooke (empresário da banda) foi até o hotel, onde a encontrou morta, vítima de overdose de heroína possívelmente combinada com efeitos do alcool. Nos meus shows, a maioria das garotas estão procurando liberação, e elas pensam que eu vou lhes mostrar como se consegue isso. Mas na primeira fila sempre ficam as grã-fininhas, as comportadinhas, as putinhas reprimidas que ficam esperando todo mundo começar a gritar e dançar para poderem dançar e gritar também. Elas chegam num determinado ponto que eu sei que estão prontas, mas não têm coragem. Então precisam de um pé-na-bunda para se levantarem também. Aí é que eu entro: eu lhes dou esse chute na bunda! eu fui criada exatamente como elas. Sim. Logo, eu sei o que elas têm nessas cabecinhas estúpidas e vazias. Sua morte ocorreu quando tinha apenas 27 anos. Foi cremada no cemitério-parque memorial de Westwood Village, em Westwood, Califórnia. Durante a cerimônia, suas cinzas foram espalhadas pelo Oceano Pacífico. Minha música não é para fazer ninguém se rebelar. É para fazer as pessoas quererem trepar. O álbum Pearl foi lançado 6 meses após sua morte. O filme The Rose, com Bette Midler, baseou-se em sua vida. Foi homenageada atráves do musical Love, Janis, originado de um livro de mesmo nome, escrito por sua irmã, Laura. Ela hoje é lembrada por sua voz forte e marcante, bastante distante das influências folk mais comuns em sua época, e também pelos temas de dor e perda que escolhia para suas músicas. Ela foi eleita a garota mais feia do colégio. Desde mocinha, enfiava o pé na jaca com convicção: uísque, maconha, anfetaminas, ácido, tabaco, vodca, cocaína, metadona, heroína e biscoito com marmelada. O único namorado fixo que teve morreu no Vietnã. Ela arrancava as roupas no palco e costumava reclamar que, depois de fazer amor com vinte e cinco mil pessoas num show, voltava para seu quarto e dormia sozinha. Às vezes olho para minha própria cara e acho que ela está bem rodada. Mas, considerando tudo pelo que já passei, não me acho tão mal assim. Em entrevista à TRIP, o fotógrafo Ricky e o cantor Serguei, dois de seus cicerones brasileiros naquela época, revelam a glória e o vexame de uma das maiores cantoras de todos os tempos, que passou praticamente despercebida em território nacional. Fez um obscuro show num inferninho de Copacabana, foi expulsa de um hotel e quase foi presa na praia, incidentes que a levaram a declarar à revista Rolling Stone, depois da viagem: Se você tem cabelo comprido, te expulsam de um lugar e nunca deixam entrar. Os tiras estupram as pessoas, colocam cães no saco dos caras. O melhor mesmo foram umas noites em que cantei com uns amigos num puteiro. Com vocês, uma das poucas mulheres que, literalmente, peitaram a ditadura Médici. O fotógrafo Ricky Ferreira hospedou Janis em seu apartamento e foi seu guia por bocadas e baladas cariocas. Eu quero ver como vai ser a música daqui a uns cinco anos. Eu comecei com música rudimentar, mas os jovens de hoje têm uma base musical incrível: Eles possuem a liberdade completa que o rock conseguiu! Eles cresceram ouvindo Jefferson Airplane, Milles Davis, Grateful Dead, enfim, todo mundo. Ah! Mal posso esperar para ver o que essa garotada vai estar tocando daqui a cinco anos!!! Só espero estar por lá nesta época. Quero cantar com eles, ou, pelo menos, ter grana para vê-los tocar. Janis, semanas antes de morrer. Cantora rock norte-americana influenciada pelo blues, nasceu a 19 de janeiro de 1943, em Port Arthur, Texas. Rejeitada na adolescência pelos colegas de escola e incapaz de se adaptar a uma sociedade conservadora, desde cedo encontrou na música o escape para os seus problemas. Para além da música, era viciada em drogas e álcool. Conhecida pela sua voz arranhada e áspera, começou por atrair as atenções em espetáculos no North Beach Coffee Gallery de São Francisco, em 1963. Acho que o público gosta de ver seus artistas prediletos sofrendo. Especialmente se forem cantores de blues! Oh... Billie Holliday é Junkie... ela morreu... oh... Bem, eu digo que não vou dar esse gostinho à ninguém: estou aqui para me divertir e vou tentar curtir a vida ao máximo. Janis, num comentário sobre Billie Holliday, uma de suas maiores influências. Vários problemas relacionados com a sua cada vez mais profunda adição às drogas, os alcoolismo e várias relações emocionais falhadas, pormenorizadamente descritas em diversas biografias publicadas, levaram Janis ao desmantelamento do grupo. Em maio de 1970 formou os The Full Tilt Boogie Band, tendo iniciado as gravações do álbum Pearl, que, no entanto, não concluiria: no dia 4 de outubro de 1970, devido a uma dose excessiva de droga, Janis foi encontrada sem vida no quarto de um hotel em Los Angeles, EUA. Considerado um dos trabalhos mais consistentes de Janis Joplin, o álbum foi editado em 1971, incluindo clássicos como Mercedes Benz, Get It While You Can e Me And Bobby McGee. O desaparecimento da cantora aconteceu no momento em que a sua carreira ganhava alguma consistência e quando a sua versatilidade como cantora/compositora estava no auge. Apesar das críticas numerosas à forma como conduziu o seu curto trajeto musical, Janis Joplin ainda teve tempo de deixar um estilo maduro de abordar os blues, o soul e o rock mais tradicional. O single Me And Bobby McGee tornou-se um número um póstumo e, por isso mesmo, é a canção com que Janis é mais frequentemente associada. Acho que nunca mais encontrarei um grupo tão bom. Ainda gosto muito deles, como sempre gostei. Acho que nossa separação não foi culpa de ninguém, simplesmente aconteceu. A gente vivia numa atividade contínua desde que a gente explodiu, e eu te digo, isso é muito desgastante. Chegou uma hora que não havia mais sinceridade onde eu cantava. Janis em 1970, uma de suas últimas entrevistas. A voz deprimida de Janis Joplin pode ser escutada no registo Live at Woodstock: August 19, 1969 (1999), onde ficou guardada para a posteridade a singularidade desta personalidade sofredora. Destaque ainda para a compilação Janis Joplins Grestest Hits, lançada em 1973, que reúne os principais êxitos da curta carreira de Janis Joplin. No próximo dia 04 de outubro, fará 43 anos que o mundo perdeu uma jovem cantora que fez da sua voz, o grito da geração do final dos anos 60. Mesmo que não gostasse de ser chamada de estrela, Janis literalmente era uma. Sou uma tartaruga escondida em seu casco, bem protegida. A primeira grande estrela da indústria do Rock, mostrou o poder feminino no lugar que até então era liderado somente por vocais masculinos. E fez da sua figura e seu estilo marcante, o maior ícone hippie da história. 4 de outubro não é dia de tristeza. Janis partiu, mas deixou sua herança grandiosa para nós, seus admiradores, com sua rouquidão incomparável repleta de emoção em suas músicas. Aos 27 anos, precocemente Janis Joplin conseguiu ser muito mais que ela própria se imaginou ser. Tornou-se uma lenda. E as lendas nunca morrem, são imortais. Eis algumas de suas falas:O amanhã nunca chega... é sempre a mesma porra de dia... Se me importo com o que dizem de mim? O pior que podem falar de mim é que nunca estou satisfeita com nada... Estão me pagando US$50.000 por ano para que eu seja como eu sou... Não se venda: você é tudo o que tem!... Trocaria todos os meus amanhãs por um único dia de ontem... Estas foram as palavras de Jim Morrison quando soube da morte de Janis Joplin: Poderia ter sido acidente, suicídio, ou, mais precisamente falando, assassinato. Existem várias formas de morrer... realmente não sei. *Antônio Padilha de Carvalho é Professor,Advogado, Geógrafo e Presidente do IMPDrog Instituto Mato-grossense de Prevenção às Drogas e colabora com o DC Ilustrado.