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Cuiabá MT, Terça-feira, 23 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 24 de Agosto de 2013, 13h:37

RESENHA

A maconha é um vício mundial

A Evangelhoterapia, ou Terapia do Evangelho, é a receita correta pata todos aqueles que transgrediram a lei de Deus e, entre eles, os toxicômanosMaconha, Cocaína e Evangelho

Antônio Padilha de Carvalho*
Especial para o Diário de Cuiabá
A maconha é um vício mundial, de cujo uso nenhum dos continentes do globo se livrou, só sendo superado pelo fumo e pelo álcool. Recebe, no mundo, mais de duzentos nomes. A palavra “assassino”, surgiu da expressão Francesa “assassin” que por sua vez origina-se do termo “haschichins” nome dado aos grupos de homens que viviam ao norte da Pérsia, na Idade-Média, no Século XI, conhecidos por sua extrema crueldade e pelas contínuas vitórias que obtinham. Esses grupos agiam intoxicados pelo haxixe e, por séculos, espalharam sua violência. Daí serem chamados de “haschichins”. Pela primeira vez que experimentei um cigarro de maconha, achei horrível, mas sabia que usar aquilo dava status. Para a turma era sinal de coragem, de independência. Par mim, significava gozar do respeito da turma e da possibilidade de “ganhar” novas mulheres. Considerando todos os “benefícios”, o que importava se aquilo era ruim? Só usava mesmo na frente da turma para que todos vissem que eu era usuário. Quando alguém me perguntava, dizia consumir muito mais droga do que realmente o fazia, só para aumentar meu status. Quando apareceu a cocaína, status mesmo só tinha quem a usava. Coloquei o canudo na narina e, sob o olhar de expectativa de todos, aspirei com toda força que poderia conseguir. De repente, minha cabeça começou a girar, apossou-se de mim um sentimento de poder, de ausência completa de qualquer limite. Olhava ao redor, via todos. Sabia que estava conversando com eles, mas a minha mente estava em outro mundo. Um mundo irreal, que me trazia uma sensação de prazer indefinível. Realmente, até hoje eu não encontro palavras para descrever aquilo. Não sei por quanto tempo eu permaneci naquele estado, mas, para mim, pareceu ser uma vida toda. Quando voltei a mim, tinha absoluta certeza de que havia descoberto a chave da felicidade. Aquela mesma felicidade que alguns amigos me relatavam quando usavam maconha, eu havia encontrado na cocaína. A partir daquele dia, tentei abandonar a maconha, para usar apenas cocaína. Descobri, no entanto, que já não conseguia deixar de fumar maconha. Eu já a usava não simplesmente pelo status, mas sim pela dependência que já se estabelecera em mim. E, por melhor que fosse, a cocaína não substituía a maconha. Assim, havia começado a minha vida no mundo das drogas. No dia seguinte, meu corpo rejeitava toda aquela droga que eu havia usado. Estômago ruim, dor de cabeça, as pernas sem forças, a vida ruim. Mas, difícil mesmo foi lembrar-me da primeira vez que me faltou dinheiro e eu não pude comprar a droga. Comecei a ter alucinações, suava frio, tinha vontade de gritar, de rolar pelo chão, de sair do mundo. O que era o mundo sem cocaína? Indagava-me. Na primeira vez consegui, depois de muito insistir, comprar um pouco de cocaína para pagar depois. A partir daquele dia, nunca mais consegui ficar sem dever para os traficantes. Quando a dívida aumentou muito, por orientação deles comecei a fazer pequenos furtos. Depois, comecei a furtar carros e cheguei até mesmo a assaltar um posto de gasolina. A vida tem um significado muito maior do que um punhado de pó, que felicidade é algo muito maior do que alguns segundos de prazer, que amor é sentimento que sobrepõe a tudo e é capaz de gerar a verdadeira felicidade, que somos responsáveis por todo o mal que viermos a causar em desfavor do próximo, mas, principalmente, que Deus é todo bondade, todo misericórdia e jamais abandona nenhum de seus filhos. O Pai respeita o livre-arbítrio de cada um. Deus não criou nenhum filho drogado. Qualquer coisa que a vida pudesse me oferecer seria melhor para mim do que a vida que eu estava levando no mundo das drogas. No mundo das drogas, todas as relações são sedimentadas apenas por elos de interesse. Na terra da cocaína, você sempre ocupa um lugar insignificante e efêmero. Da realeza à escravidão, no mundo das drogas, é um caminho muito curto, capaz de ser trilhado em poucos momentos. Indaga-se: Quem são os futuros jovens drogados? Resposta: Serão aqueles jovens invigilantes, que não cultuam os valores éticos e morais da vida. Você já viu algum jovem que vivenciava a religiosidade em seu coração transviar-se? Que tivesse o hábito da oração e a consciência do seu caminho na vida? É lógico que não. Você já viu algum jovem drogado que estivesse dedicando sinceramente aos estudos, não se permitindo a ociosidade da mente? Maconha é uma das drogas mais barata e, com relação a ela, os jovens não usuários não têm uma barreira muito forte. Para quem nunca usou droga, há um certo medo de usar cocaína pela primeira vez. Então, nós induzimos os jovens a primeiro usarem maconha. Muitos deles, nós deixamos só na maconha mesmo. Outros, no entanto, a organização me pedia que iniciasse também no uso da cocaína. Eu nunca entendi qual o critério que eles usavam para deixar a pessoa só na maconha ou para induzi-la a também consumir cocaína. O certo, no entanto, é que, depois que a pessoa já está usando maconha normalmente, torna-se presa fácil para ser iniciada no uso de cocaína. O tratamento de qualquer enfermidade, seja no corpo físico, seja no corpo perispiritual, deve partir da mente. Isso porque se a mente comanda o corpo, ela tem do domínio sobre a enfermidade do corpo. Qualquer ato que praticamos, contrário á lei divina, é registrado em nosso clichê mental. Quando contaminamos esse clichê, ele funciona como se fosse uma barreira para as energias da mente. Ao passarem por ele, as energias mentais se contaminam e chegam doentes até as células. Isso causa a enfermidade das células. No caso do toxicômano, a enfermidade das células tem duas origens: Uma é a da própria droga que se utilizou, cuja toxina se instala na célula e a adoece. A outra é a contaminação do clichê mental. Por que? Porque o ser humano tem consciência de que a droga é prejudicial ao seu organismo. Existem dois tipos de tratamentos, quais sejam: O Tratamento Objetivo, aquele que promove a desintoxicação do drogado, tem efeito apenas na enfermidade de origem objetiva; O Tratamento Subjetivo busca atacar a doença no seu nascedouro, ou seja, extirpar da mente enferma a doença ali enclausurada, e é exatamente essa recuperação da saúde mental que se apresenta como ponto mais difícil no tratamento do toxicômano. Indaga-se: Como recuperar a saúde mental? Resposta: Com a reforma íntima. Se se desrespeitou a lei divina, faz-se necessário recolocar as coisas no devido lugar. O melhor roteiro para curar aqueles que desrespeitam a lei divina nos foi ensinada por Jesus. O Evangelho é a luz que poderá conduzir o toxicômano para a sua recuperação integral. A Evangelhoterapia, ou Terapia do Evangelho, é a receita correta pata todos aqueles que transgrediram a lei de Deus e, entre eles, os toxicômanos. Nós somos juízes de nós mesmos. Desrespeitamos a lei divina como se estivéssemos acima dela e achamos que vai ficar tudo por isso mesmo. A consciência do erro é o primeiro passo. O segundo passo é crivo da dor e do sofrimento, e não é nem a dor nem o sofrimento que curam. O que cura é o amor. Nos momentos mais pungentes da vida, as pessoas aprendem a ser solidárias e se aproximam da religião. Mas ninguém precisa aguardar a chegada da dor para aprender a amar. Se a pessoa aprender a amar pelo trabalho, estará cumprida, da mesma forma, a sua tarefa expiatória. Torna-se desnecessária a experiência da dor e do sofrimento. O terceiro passo da busca definitiva da cura é a reparação do dano. Cada um de nós tem o seu livre-arbítrio, o que nos torna responsáveis por nossas próprias ações. É o juízo da consciência de cada um que exige a prova. Não como pena ou pra impor sofrimento. Isso é uma visão retrógrada e não condizente com a bondade do criador. Mas como meio de aprendizado e crescimento para que não se repita o mesmo erro. Na vida, cada um responde por seus atos e perante a sua consciência. Por isso, a justiça divina não falha. Tenha paciência e perseverança e você vencerá. A ansiedade de apressar as coisas poderá gerar novos deslizes e novos comprometimentos. O toxicômano tem que aprender a lidar com o mundo real, do qual ele vem fugindo há tanto tempo. A vida de toxicômano é assim, meio atribulada. Não se tem parada porque não se consegue concentrar em nada por mais de cinco minutos. As oportunidades de crescimento sempre nos aparecem, nós é que não estamos preparados para percebê-las e aproveitá-las. Quando há um toxicômano em uma casa, a família inteira sofre. A paz e a tranqüilidade do lar desaparecem, dando lugar a discussões, choros e ressentimentos. De certa forma, todos ali se tornam dependentes também. Dependentes emocionais de toda aquela situação criada pelo toxicômano. Isso porque o toxicômano não tem um padrão vibratório definido. Ninguém sabe o que esperar dele, assim que chega. Ele pode chegar são, tranqüilo e surpreender a todos, não comprometendo a paz do ambiente, ou pode chegar todo excitado, quebrando as coisas e discutindo com todo mundo. Recriminarmo-nos pelas faltas cometidas no passado não nos leva a lugar algum. Importa que saibamos analisar cada equívoco para aprendermos com ele. Só assim que poderemos, efetivamente, crescer perante a vida. O importante é que você não esmoreça. Esforce-se ao máximo, enfrente todas as dificuldades com bom ânimo e perseverança, e em breve você poderá se dizer que é um ex-toxicômano. Agindo assim, você estará compensando todo o mal que você causou aos seus familiares. A bondade do Pai nos concede tudo de que tenhamos necessidade para conquistarmos o nosso crescimento. Principalmente quando alimentamos a vontade sincera de palmilhar o caminho do bem. A chave do sucesso está em fortalecer a sua vontade. Se as dificuldades forem maiores do que a sua vontade de vencer o vício, a tendência é a fuga da realidade. E, para quem tem um passado de muita intimidade com as drogas, não é fácil concluir para onde irá fugir. Fortaleça-se na vigilância de cada momento e na Oração. Cada vez que um obstáculo lhe aparecer maior do que suas próprias forças, refugie-se na oração. Fortaleça-se e siga em frente. O caminho será difícil, é importante que você tenha consciência disso. Para entrar no mundo das drogas é fácil, basta querer. Para sair do mundo das drogas é difícil, mas basta querer! O Toxicômano é um ser em evolução como os demais. A diferença é que o tóxico, normalmente, leva a pessoa a assumir um maior número de compromissos a cada dia. Jesus nos ensinou que, em um grupo, aquele que quiser ser o maior, que seja o primeiro a servir aos demais, e nunca espere ser servido por eles. Devemos todos ter em Jesus nosso modelo e guia. Percebi que o tratamento só teria sucesso se eu procedesse uma reforma na estrutura da minha personalidade. Não pense que tratamento exigirá que você se torne um santo do dia para a noite. Mas você deverá esforçar-se, a cada instante, por renovar-se. *Antônio Padilha de Carvalho, é advogado, geógrafo, escritor e presidente do IMPDrog – Instituto Mato-grossense de Prevenção às Drogas e colabora com o DC Ilustrado.

Edição EDIÇÃO 16967




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