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ILUSTRADO
Segunda-feira, 01 de Dezembro de 2008, 20h:56

AUDIOVISUAL

A estética do vídeo

Mostra de vídeos traz as produções mais recentes das universidades brasileiras e abre espaço para os vídeos independentes experimentando linguagens inovadoras

Claudio de Oliveira
Da Reportagem
Esta é a 7ª Mostra Nacional de Vídeo Universitário e Independente de Cuiabá. A UFMT, através do Cineclube Coxiponés, realiza esta semana um série de exibições da nova safra audiovisual brasileira. A mão de obra audiovisual brasileira vem evoluindo em todas as partes do Brasil. É certo que criadores muitas vezes nascem prontos, mas técnica, bem, esta se ensina e se aprende na teoria e na prática, principalmente. Uma mostra universitária vem contribuir para formar público e para que os videomakers possam exibir o seu material que de outro modo ganhariam apenas o mundo “virtual” do YouTube. Aliás, muitos destes vídeos que serão exibidos durante esta semana já estão por lá. Isto diminui a importância do evento ou mesmo o mérito da Mostra? É claro que não. Assistir o vídeo no You Tube em casa ou onde quer que seja é, na maioria das vezes, uma atitude solitária. Na sala de exibição o silêncio nos conduz à introspecção, mas a telona, a presença ausente de todos aqueles a nossa volta e a reação do público durante e depois as apresentações contribuem para uma experiência estética mais apurada. Também há o bate-papo depois das sessões que contribuem para aprimorar este senso estético. Os vídeos de hoje contemplam MT, SP, PE e Brasília e dão uma boa noção da pluralidade que compõe a Mostra. Quem abre a Mostra é o vídeo Meios(5’) de Dyolen Vieira(UFMT) que conta com o ator Celso Gayoso da Cia de Teatro Mosaico. Na sequência outro vídeo da UFMT chamado Pigmaleão(7’) que mostra o que a solidão pode levar um homem a fazer. Depois vem um vídeo da FAAP/SP, 5 minutos(10’) que conta uma história que normalmente fica sob os lençóis. Alice e Adélia são companheiras há anos. Vivem juntas em um apartamento de frente ao Elevado Costa e Silva, e é nessa pequena redoma onde criaram Stella, filha vinda do primeiro casamento de Adélia. Dirigido por Ricky Mastro, o filme tem como protagonistas as experientes atrizes Nyrce Levin no papel de Alice, Angela Barros no papel de Adélia e Sara Sarres, que interpreta Stella. Segundo o diretor, a idéia era produzir um curta que falasse sobre despedida, amor e elasticidade do tempo. Em entrevista a um site (dykerama) a atriz, Nyrce, chama atenção para o tema: “Acho importantíssimo esse tema que o filme aborda, ou seja, a relação entre duas mulheres de idade. Esse tipo de relação existe há séculos, mas nunca é apresentado. Mesmo as relações heterossexuais na velhice são raramente mostradas. Imagina então como é escondido o amor homossexual na terceira idade”, diz a atriz. Em direção coletiva de alunos da Metodista de SP o vídeo Eu Estou Aqui(11’) que está no YouTube com mais de 8400 views, mostra o drama do amor na adolescência, com edição e fotografia bem feitas. “Até onde a vista alcança” é um documentário dirigido por Felipe Calheiros que mostra uma reunião dos membros da Associação Quilombola do Sambaquim e Riachão do Sambaquim que aconteceu em 2005 e foi o início de uma idéia de unir esforços em busca de um sonho coletivo. Um bingo para alugar um ônibus. Uma viagem para alcançar um sonho. Até onde a vista alcança. “Eu não to entendendo”(6’) com uma linguagem mais experimental aborda a rejeição e a paranóia de um namorado ciumento que com uma arma na mão exige da mulher uma declaração de amor como aquela que ela fez para um outro... “Memórias de Sombras”(13’) também é um documentário que mostra três mulheres que retornam ao sótão do passado onde habitam cicatrizes e sombras. Três memórias relatam o que é preciso lembrar para não se esquecer de si. Três marcos apontam a trilha possível de um luminoso porvir. O doc é de alunos da UnB. Fechando a noite o curta “Passageiros”(14’) retoma a temática do amor juvenil com o encontro de Teodoro e Celina que se conhecem em uma viagem de ônibus. Eles vivenciam um caso de amor reprimido e minimalista, que se desenvolve até um ponto onde ambos percebem que não podem seguir em frente e devem continuar com suas vidas. As exibições são gratuitas e acontecem em dois horários, às 10h30 e às 19 horas, no Centro Cultural da UFMT. Participe. LEGENDA Na programação De hoje constam “Passageiros” e “Meios”, que tem no elenco o ator Celso Gayoso (foto). Sessões são às 10h30 e 19h, no Centro Cultural Da UFMT. A entrada é franca

Edição EDIÇÃO 16969




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