Textos e fotos de artistas internacionais, nacionais e locais durante os 37 anos do museu-ação em fotografias e textos. Uma obra imperdível
Claudio de Oliveira
Da Reportagem
É óbvio que o museu não cabe em um livro. Especialmente um museu com quase 40 anos e um histórico frenético. O MACP, Museu de Arte e Cultura Popular, fundado em 1974, recebeu no ano passado em dezembro de 2010 um edição primorosa que retratou como pôde o movimento cultural e artístico desencadeado e protagonizado pela UFMT, via MACP. A obra é uma capsula do tempo. Artistas internacionais, nacionais e locais durante os 37 anos do museu-ação em fotografias e textos. Olhar para a arte mato-grossense sem o MACP e seus animadores é como ver um jogo de futebol com Pelé em campo e não reparar no camisa dez. Antes do MACP as artes visuais do estado tinham, assim de memória, nem cinco nomes. Hoje, quantos são os artistas de renome nacional e internacional que já passaram pelo MACP? Difícil até de contabilizar. A importância do museu, da Aline Figueiredo e do Humberto Espíndola (sem falar de Therezinha Arruda semente presente desde o momento da criação) fica claro ao folhearmos as páginas do livro. A reitora Dra. Maria Lúcia Neder em sua apresentação lança a pergunta: Se houver alguma indagação sobre a natureza da obra, como por exemplo: é um catálogo de arte, de cultura, ou afinal é uma história? Diremos que é, ao mesmo tempo, as três. A reitora continua explicitando que este catálogo está entre o que passou, o que está passando, e o que ainda vai passar. Impossível é dissociar a história passada e futura de um patrimônio tão relevante que alfabetizou artistas e público para a arte. Obras-instalação de Cildo Meireles em 1975 que ainda hoje desafiam olhares ingênuos para o conceito do que é arte. Cildo é hoje um dos mais importantes artistas do mundo sem medo de errar. Takashi Fukushima que havia sido premiado pela Bienal de Arte de SP em 75 e aportou em terras cuiabanas em 1977. Rubens Gerchman que enlouqueceu a bússola em uma exposição em 1975 e reuniu entre outros caciques e o indigenista Orlando Vilas Boas. E o que dizer de Clovis Irigaray e suas premonições xinguanas com telas de rara beleza que tornam o índio onipresente na sociedade moderna. O livro se destaca também pelos textos originais de cada exposição. Os catálogos de apresentação dos artistas trazem a visão do curador e esta chega até nós hoje demonstrando a sensibilidade e a visão de longo alcance que deve ter o crítico de arte. José Serafim Bertoloto, atual diretor do museu, lembra dos obstáculos superados e não esquece dos atuais como a necessidade de se abrir com segurança aos finais de semana e feriados. Serafim espera que esta obra possa realmente facilitar a superação de entraves físicos e administrativos abrindo as portas para recursos financeiros mais robustos e perenes que possam ampliar a reserva técnica do museu, o espaço físico para exposição do acervo permanente e para exposições temporárias. Se o livro irá possibilitar isso nós não podemos prever, a obra aparentemente estática nele publicada está longe de esgotar a sua leitura. Um verdadeiro passeio pela arte e pela história mato-grossense.