ILUSTRADO
Segunda-feira, 08 de Julho de 2013, 20h:27
A
A
CINEMA
A arte de Carlos Saura
O cineasta espanhol Carlos Saura é o homenageado do projeto Imagens em Pauta neste mês de julho que apresenta hoje o filme Bodas de Sangue
A história de dois jovens apaixonados que são impedidos pelas suas famílias de ficarem juntos e que se reencontram justamente no dia do casamento da jovem com outro homem é o que movimenta o filme Bodas de Sangue, atração desta terça-feira, do ciclo Carlos Saura do Imagens em Pauta, projeto realizado pelo Sesc Mato Grosso em parceria com a Pró-reitoria de Cultura, Extensão e Vivência (Procev), Cineclube Coxiponés e Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Cada sessão é iniciada com informações sobre o filme programado. Ao final da exibição, os participantes interagem sobre o filme tomando um cappuccino na varanda do Sesc Arsenal. A sessão tem início às 19 horas e a entrada é franca. Durante este mês de julho serão exibidos filmes do cineasta espanhol Carlos Saura, contemplando marcos de sua produção cinematográfica inicial, com Cria Cuervos apresentado na semana passada, passando pelos filmes da chamada trilogia flamenca Bodas de Sangue, em exibição hoje; Carmem e Amor Bruxo, até chegar a um de seus filmes mais recentes, Tango. O filme - Mistura de cinema e dança. Linguagem fílmica, teatral e até operística se misturam com maestria em Bodas de Sangue, filme de 1981 que volta em cópia nova. Antonio Gades, um dos papas de dança flamenca, transformou em balé uma das mais populares histórias de Federico Garcia Lorca, sobre uma trágica cerimônia de casamento. Carlos Saura, o cineasta mais aclamado da Espanha antes do surgimento de Pedro Almodóvar, filmou este verdadeiro poema musical de maneira criativa e arrebatadora. Usando e abusando da metalinguagem, Bodas de Sangue mostra uma companhia de dança que ensaia a apresentação de um trágico ballet. O enredo do espetáculo aborda uma sangrenta vingança que deveria acontecer durante uma festa de casamento. Ciúmes, paixões, traições. Temas tão latinos são explorados com incrível vigor pela câmera de Saura, que gira e dança tão apaixonadamente como os próprios movimentos dos bailarinos. Eu podia observar os dançarinos de perto e via com detalhes seus esforços, o suor, o cansaço, a respiração ofegante. Era essa fascinação que queria expressar no filme. Acima de tudo, procurava com a câmera alcançar os dançarinos fisicamente, com se fosse com as mãos, disse Saura sobre seu filme. No roteiro, palavras são desnecessárias. Diálogos, irrelevantes. Tudo é narrado com as palmas, as vozes e o forte sapateado que caracterizam o flamenco. O filme é um inebriante exercício de forma e estilo. Uma viagem hipnótica pelos sons da Espanha e pelas imagens de um diretor genial. Bodas de Sangue é Cinema com C maiúsculo, é a arte cinematográfica em sua maior expressão. Aplaudido mundialmente, Bodas de Sangue é o primeiro filme de uma trilogia sobre o bailado flamenco que se completaria mais tarde com os também ótimos Carmen (1983) e Amor Bruxo (1986).