A condição feminina é o prato principal neste Dia Internacional da Mulher. E a equipe do DC Ilustrado presta sua homenagem às mulheres através dos versos de Adélia Prado (1935), mineira de Divinópolis, uma das maiores poetas contemporâneas brasileiras. Na poesia abaixo, Adélia faz a versão feminina do Poema de Sete Faces, de Carlos Drummond de Andrade, mencionando a mulher como desdobrável. Bravo, Adélia!!! Com licença poética Adélia Prado Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira. Cargo muito pesado pra mulher, esta espécie ainda envergonhada. Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir. Não sou feia que não possa casar, acho o Rio de Janeiro uma beleza e ora sim, ora não, creio em parto sem dor. Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina. Inauguro linhagens, fundo reinos dor não é amargura. Minha tristeza não tem pedigree, já a minha vontade de alegria, sua raiz vai ao meu mil avô. Vai ser coxo na vida é maldição pra homem. Mulher é desdobrável. Eu sou.