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ILUSTRADO
Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2013, 21h:34

POESIA

2 anos sem Sodrezinho

Ele nasceu em Jucimeira (MT), mas acabou se mudando para Cuiabá onde tinha encontro marcado com a poesia. Fez-se o destino.

Lorenzo Falcão
Da Editoria
Parece que foi ontem, mas lá se vão dois anos que Cuiabá perdeu o seu poeta mais poeta entre todos: Antonio Sodré, ou Sodrezinho, era unha e carne com a poesia. Ele nasceu e passou a infância em Jucimeira, pequena cidade próxima a Serra de São Vicente, e na adolescência era ajudante do pai na mercearia, quando começou a se interessar pela poesia. Mas, as dificuldades para se obter livros, lá pelos anos 70 ou final dos 60, eram muitas, ainda mais nas pequenas cidades de Mato Grosso. Foi em Cuiabá, nos anos 80, já estudante da UFMT que teve oportunidade de diversificar bastante seus conhecimentos. Neste dia 19 de fevereiro completam-se, exatamente, dois anos que o poeta partiu. Durante um evento de artes, incluindo poesia, claro, teve um enfarto. E adeus Sodrezinho... Adeus ao poeta que gostava dos manuéis Bandeira e Barros, de Ferreira Gullar, de Drummond, de Quintana, de Leminski, de Catulo da Paixão... de Bashô. As letras, a literatura, estavam entranhadas na sua vida. Manteve um sebo durante cerca de trinta anos na UFMT onde, com os livros, “fazia todo e qualquer negócio”. Sodré era um poeta performático e caiu como uma luva para o grupo Caximir, uma galera multimídia que surgiu no bairro do Coxipó, mais ou menos na mesma época em que o estudante da UFMT e poeta, vindo de Jucimeira, se ambientava nesse pedaço cuiabano, que vivia intensa efervescência cultural. Sentiu-se “em casa” com o Caximir. Nos shows do grupo, ou em outras ocasiões onde convinha, soltava a voz interpretando de improviso canções em línguas imaginárias ou inimagináveis. Era sempre um show a parte, como seus próprios poemas: espontâneos, sinceros, filosóficos, factuais... Sobram adjetivos para expressar o conceito de seu verso. Ele não escreveu muito e nem deixou vasta produção. Mas, nem por isso, passaria despercebido no contexto literário mato-grossense. Graças à força da sua poesia. Também graças à forçada sua poesia e à sua figura querida, nos bastidores da cultura regional, desde a semana passada vem se falando, se pensando e se agindo em torno da lembrança do poeta. MANIFESTO faça-se o poema, de qualquer forma: aberto, fechado, rasgado, solto, louco, livre, rimado, trovado, travado, com letras miúdas, grandes, grávidas! faça-se o poema: marron, vermelho, branco, negro, roxo, verde, escarlate ... cor-de-chocolate, com batom ou sem batom: faça-se o poema! faça-se o poema: é uma ordem da vida! essa ordem que não tem compromisso como o poema que é feito sem compromisso, pois ele já é em si um compromisso feito como a vida, feito um poema ... e o poema se faz como se faz a dor costurada, amordaçada, sangrando, palpitando num delírio que faz do poema que faz da dor: a força que move o mundo!

Edição EDIÇÃO 16962




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