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Quarta-feira, 30 de Junho de 2010, 19h:51

HOLANDA

Van Persie pede perdão ao grupo e alfineta o Brasil

O atacante aproveitou o treino de ontem para se desculpar por ter reclamado da substituição e avisou que Brasil não é grande coisa

JAMIL CHADE
Da Agência Estado - Johannesburgo, África do Sul
Depois de gerar uma crise interna, Robin Van Persie pediu desculpas ao time da Holanda, se garantiu no time titular e tentou dar um fim à polêmica criada por ele há poucos dias para concentrar esforços no jogo contra o Brasil. Ainda assim, alfinetou a seleção de Dunga: "Somos tão bons quanto o Brasil. O real 'futebol-samba' do passado eles não tem mais", disse. Ontem, Van Persie treinou no time titular e foi escalado como um dos cobradores de pênaltis, caso a partida termine empatada com o Brasil. No jogo contra a Eslováquia, válido pelas oitavas de final, Van Persie foi substituído e não gostou. Disse ao técnico Bert Van Marwijk que deveria ser Sneijder quem deveria sair e não ele. A atitude reabriu a guerra de egos que sempre marcou a seleção holandesa nos últimos anos. Mas Van Marwijk fez questão de resolver de forma rápida a disputa. O treinador se reuniu com Van Persie e Sneijder para colocar um fim à crise e tentar concentrar os esforços no jogo contra o Brasil. Van Persie recebeu a oportunidade de pedir desculpas ao grupo e não disperdiçou. "O que eu fiz não foi apropriado. Peço desculpas e nunca deveria ter feito isso", disse o jogador. "Não fui inteligente", afirmou, alegando que está irritado com o fato de não estar marcando os gols que pretendia. Ele negou, porém, que tenha dito o nome de Sneijder na discussão com o técnico. Sneijder também tentou colocar panos quentes na história e pediu concentração máxima para passar para as semifinais. Os dois são peças centrais no esquema holandês e uma divergência poderia ter impacto grande para o time. "Não tenho razão para duvidar de Van Persie. Acredito em suas palavras", completou o meia. "Não há problemas entre nós. Há algum tempo, se eu fosse confrontado com essa situação, eu teria dado uma resposta dura. Mas agora não. Com os anos, aprendemos a pensar. Ninguém fica feliz em ser substituído Isso é normal", ponderou. "O fato de que sentamos e conversamos sobre o assunto mostra que temos um bom grupo e que está fechado. Temos de encerrar esse assunto. Precisamos vencer o Brasil e acredito que temos boas chances. Mas precisamos estar disponível 120% para os colegas", insistiu Sneijder. Van Persie reconheceu que o jogo contra o Brasil é "o maior desafio" de sua carreira. "O Brasil tem um bloco estável e forte de seus zagueiros. Isso garante segurança. Além disso, tem quatro jogadores criativos. Mas nós também temos algo", afirmou. Depois de criar a crise, o atacante mudou o discurso nesta quarta. "Se trabalharmos duro e dermos tudo um pelo outro, podemos ir longe. A diferença não é grande e acho que somos tão bons como o Brasil. Eles (brasileiros) começam o jogo quietos. Mas se vê o time crescer. De repente, estão na cara do gol e isso é bonito", disse. Ontem, o técnico também insistiu que o assunto estava encerrado, tentando lidar com mais uma guerra de egos que vem afetando a Holanda há anos. Para a imprensa holandesa, ele se mostrou um "grande administrador de crises". "Os atletas estão empolgados e com muita vontade de jogar. Sérias diferenças de opinião"podem existir, mas isso pode até ser energizado em benefício da Holanda", disse Van Marwijk.

Edição EDIÇÃO 16967




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