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ESPORTES
Sábado, 26 de Junho de 2010, 18h:28

HOLANDA

União dos jogadores é a arma para se dar bem no Mundial

WILSON BALDINI JR.
Da Agência Estado - Johannesburgo, África do Sul
Desta vez não vai ser por problemas de relacionamento que a seleção da Holanda não vai chegar às finais de uma Copa do Mundo. Ao contrário de outras edições, quando até casos de racismo foram especulados no elenco da "Laranja Mecânica", o time do técnico Bert Van Marwijk, classificado em primeiro lugar no Grupo E, com nove pontos, esbanja amizade e o bom humor é visível em todos os treinamentos em Johannesburgo. "Estamos juntos há dois anos. Nossas famílias se conhecem. Tratamos de problemas particulares em nossas concentrações", disse Van Bronckhorst, lateral-esquerdo e capitão da equipe. A equipe atual não tem o mesmo glamour de outras que ostentavam craques como Gullit e Van Basten ou Bergkamp e Kluivert, mas aposta no equilíbrio dentro e fora de campo para voltar a chegar ao menos às semifinais, feito que não consegue desde 1998, quando perdeu para o Brasil nos pênaltis. "Não existe estrelismo em nosso grupo. Todo mundo se dá bem", revelou Sneijder, sem querer comentar times do passado. "Não fiz parte do grupo. Não posso falar nada". O certo é que, em gerações passadas, jogadores oriundos do Suriname - como Reizenger, Davids e Kluivert - não se davam com os irmãos Frank e Ronald De Boer e Bergkamp, entre outros. Isso só prejudicou a equipe holandesa, que deixou de galgar posições importantes em Mundiais de um passado recente. Numa demonstração de união, há duas semanas, um episódio demonstrou toda a preocupação da delegação em mostrar que todos se dão bem no grupo. O técnico Marwijk proibiu os jogadores de utilizarem o Twitter na concentração, após um vídeo ser colocado no YouTube, no qual o atacante Elia xinga o zagueiro Khalid Boulahrouz, de origem marroquina. Em comunicado divulgado no site oficial da seleção, Elia e Boulahrouz afirmaram ter se tratado apenas de uma brincadeira. A presença de Bert Van Marwijk no comando do time também se mostra positiva. Ao contrário de seus antecessores, como Rinus Michels, Dick Advocaaat, Guus Hiddink e Louis Van Gaal, Marwijk não é badalado pela imprensa ou pelos grandes clubes da Europa. Aos 57 anos, o técnico passou por equipes médias da Europa, como o Feyenoord (da própria Holanda) e o Borussia Dortmund (da Alemanha). "Todos temos a mesma vontade de vencer e iremos bem forte atrás de nossos objetivos", disse o treinador, que está no comando da equipe desde 2008, após substituir o ídolo nacional Marco Van Basten. Amanhã, a Holanda enfrenta a Eslováquia por uma vaga nas quartas de final. Com certeza, muito unida.

Edição EDIÇÃO 16965




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