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Terça-feira, 23 de Junho de 2015, 21h:35

Tite vira as costas para Amarilla

Tite concedeu uma entrevista performática no Hospital Santa Marcelina, em Itaquera, onde deu presentes a recém-nascidos. O principal assunto foi Carlos Amarilla, árbitro que prejudicou historicamente o Corinthians na Copa Libertadores de 2013 e voltou à tona por escutas telefônicas que põem sua atuação sob suspeita. Em determinado momento, foi pedido que o treinador desse um recado ao paraguaio. “Nunca mais te ver na minha frente”, disse o gaúcho. E para a mãe do juiz? “A mãe dele não tem nada a ver com essa história”, respondeu, poupando o alvo favorito em ofensas àqueles sopram o apito. Nas oitavas de final da Libertadores, há dois anos, auxiliado por Carlos Cáceres e Rodney Aquino, Amarilla anulou dois gols do Corinthians e deixou de marcar dois pênaltis para a equipe alvinegra. Com o empate por 1 a 1 no Pacaembu, o Boca Juniors avançou na competição. Na esteira das investigações sobre corrupção no futebol, surgiu um telefonema no qual Julio Grondona – presidente por décadas da Associação do Futebol Argentino (AFA), morto no ano passado – aponta o paraguaio como “maior reforço do Boca”. Na mesma ligação, Abel Gnecco, representante argentino na arbitragem da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), gaba-se de ter forçado a escalação de Amarilla. “Não foi trágico comigo. Foi com uma nação de mais de 30 milhões. Foi a primeira vez em que vi são-paulino ser solidário, palmeirense ser solidário, santista, gremista, colorado... Todo o mundo falava: ‘Sou Fluminense, mas...’. Dizem que unanimidade é burra. Não. Nesse caso, não”, comentou Tite. Entre uma e outra pausa dramática – e uma quase queda da cadeira, que, para o técnico, “representou bem” seu sentimento –, o gaúcho reiterou sua convicção de que o Corinthians não tinha como sobreviver ao confronto com o Boca Juniors e com Amarilla em 2013. “Não vou falar o que eu penso, porque eu não posso. Vai ser digno de um processo. Como não tenho provas escritas... A prova que tenho são meus olhos e minha experiência. O julgamento é meu. Não preciso de ninguém para falar o que é o meu sentimento. Foi um dia escuro. Revi os lances. Se estivéssemos jogando até hoje, não iríamos ganhar.” Tite repetiu algumas vezes que não gostaria jamais de rever o juiz paraguaio e disse ter se arrependido ao ir ao estádio acompanhar uma partida entre Grêmio e Newell’s Old Boys. Foi na arena que percebeu quem era o homem com o apito: “Tomara que não enxergue nunca mais, no aeroporto ou em qualquer local”. O treinador pediu o fim das perguntas sobre o juiz, pois estava “chegando ao limite”, quando lhe foi dada uma nova oportunidade para um recado direto a ele. “Para ele?”, perguntou, levantando-se, virando as costas e encerrando dramaticamente sua visita ao Hospital Santa Marcelina.

Edição EDIÇÃO 16967




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