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Sábado, 28 de Junho de 2008, 14h:12

SÉRIE A

São Paulo se arma contra o Cruzeiro

Muricy Ramalho quer sua equipe jogando como se fosse uma partida de basquete e tendo muita calma e consciência nas finalizações

Profissional do futebol, mas admirador do basquete, é no jogo coletivo da bola laranja que Muricy Ramalho se inspira para treinar o São Paulo. Hoje, às 15 horas, no Mineirão, o técnico quer aplicar uma das premissas das quadras no gramado: começar a tirar, diante do Cruzeiro, a diferença que separa os times na tabela - quatro pontos. Com a calma e a consciência de quem cobra um lance livre. "Como em um jogo de basquete, quem sai atrás tem de buscar a diferença aos poucos, concentrado, sem correria", ensina o fã da NBA. Para Muricy, que já conquistou duas vezes o Campeonato Brasileiro, não há segredo: é preciso derrotar adversários que estão acima ou próximos do São Paulo. Ser incisivo na hora da decisão. Foi assim em 2006, também em 2007. Neste ano, fez isso com o Flamengo, quando impôs uma derrota por 4 a 2 na casa do adversário. Quer repetir a dose contra o Cruzeiro, adversário para o qual não perde há quatro anos. Pela primeira vez na competição, Muricy Ramalho terá todos seus atletas à disposição. "Algumas coisas em um campeonato fazem a diferença. Essa pode ser uma delas". Comemora, principalmente, a presença de seu trio de zagueiros titulares - Alex Silva, André Dias e Miranda. Não pôde contar com a formação na última partida, vitória por 1 a 0 contra o Sport, no Morumbi, porque Alex, assim como Hernanes, defendia a seleção olímpica. Lembra que, com a zaga experiente que tem em mãos, poderá deixar o volante, cobiçado pelo Barcelona, bastante livre para chegar ao gol. "Também temos o Zé Luís na frente deles, o que é mais um motivo para ele (Hernanes) poder apoiar sem medo". Mais uma vez fazendo analogias entre futebol e basquete, Muricy admite que, para brigar por uma vitória, um time precisa atacar rápida e mortalmente. Para isso, conta com Borges, artilheiro do time no ano com 13 gols (Adriano tinha 17). Na hora de defender, espera uma equipe compacta e segura. Quer o São Paulo aproveitando os espaços que o Cruzeiro, equipe de grande movimentação, pode deixar em um campo amplo como o do Mineirão. "Tenho certeza que, quem assistir a essa partida, verá um grande jogo", aposta o treinador. "Será o duelo de um time leve, que sempre vai à frente, contra a nossa equipe, que marca forte e é muito calculista". Rogério Ceni - Depois do estádio do Morumbi, apenas um outro palco do futebol brasileiro é tão importante para Rogério Ceni quanto a casa são-paulina. Foi no Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, que o goleiro celebrou três significantes marcas da carreira de quase duas décadas no São Paulo. A principal delas, pouco menos de dois anos atrás, veio justamente em um duelo contra o Cruzeiro. Em uma de suas principais atuações, Rogério se tornou o maior goleiro-artilheiro do futebol. Em 20 de agosto de 2006, o são-paulino ultrapassou o recorde do paraguaio Jose Luis Chilavert, então de 62 gols. Para alcançar a marca, fez dois gols - o primeiro, de falta; o outro, de pênalti - e empatou a partida que estava 2 a 0. À época, somou 64 gols, contagem que, hoje, chega a 79. Também defendeu um pênalti e garantiu o resultado. Saiu do Mineirão como herói. Mas o Mineirão entrou definitivamente para a história de Rogério Ceni ainda em 2005. Apesar do insosso empate por 0 a 0 contra o Atlético-MG, ainda na ressaca do tricampeonato da Copa Libertadores, foi na partida de 27 de julho que o goleiro completou 618 jogos com a camisa são-paulina. Passou Valdir Peres como o atleta que mais alinhou com o time. Depois disso, já atuou mais 192 vezes: nesta tarde, completará 810 jogos disputados. Em 2007, superou outra marca: em 22 de julho, disputou no Mineirão o seu 309º jogo de Campeonato Brasileiro pelo São Paulo. É o jogador que mais vezes entrou em campo por uma mesma agremiação no torneio nacional. O Cruzeiro enfrenta o São Paulo com novidades na escalação. O zagueiro Leo Fortunato, o volante Charles e o meia Ramires estão à disposição do técnico Adílson Batista. O ex-são-paulino Jadílson, que joga na lateral esquerda e hoje defende as cores do Cruzeiro, está vetado para o confronto, em razão de uma cláusula contratual que o impede de jogar contra o tricolor paulista. O volante Marques Paraná deverá ser improvisado na posição. O jogo é um dos mais esperados na rodada, pois as duas equipes têm chances de brigar pelo título. Há quatro anos os cruzeirenses não vencem o São Paulo. CRUZEIRO Fábio; Jonathan, Léo Fortunato, Thiago Heleno e Marquinhos Paraná; Fabrício, Charles, Ramires e Wagner; Weldon e Guilherme. Técnico: Adílson Batista. SÃO PAULO Rogério Ceni; Alex Silva, André Dias e Miranda; Joílson, Zé Luís, Hernanes, Hugo e Jorge Wagner; Borges e Aloísio. Técnico: Muricy Ramalho.

Edição EDIÇÃO 16962




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