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Terça-feira, 08 de Julho de 2014, 20h:35

ATRÁS DO TÍTULO

Sabella sonha em ser campeão

ALEX SABINO
Da Folhapress – São Paulo, SP
Alejandro Sabella, quando era jogador, sonhou algumas vezes em ser campeão do mundo. Poderia ter sido e não foi. Como técnico, aos 59 anos, ele está a duas partidas de preencher o maior desejo de sua vida. "Eu me ilusionei umas duas ou três vezes em levantar a taça de campeão do mundo. É uma ilusão muito bonita de se ter", afirma ele, usando a "ilusão" de um modo espanhol, como sinônimo de "sonho". Ele disputa a primeira Copa da carreira. Pouco para um meia elegante revelado pelo River Plate e que passou pelo futebol inglês, mexicano e brasileiro antes de encerrar a carreira e se tornar auxiliar-técnico de Daniel Passarella. Sabella, então no Estudiantes de La Plata, participou de grande parte da campanha das eliminatórias para a Copa do México de 1986. O titular da meia-esquerda era Maradona. Isso era indiscutível. Mas havia duas vagas em aberto no banco. No momento da convocação final, ele foi preterido por Carlos Tapia e Ricardo Bochini. Viu o grupo comandado por Carlos Bilardo ser campeão derrotando a Alemanha na final. Mesmo adversário que pode cruzar o caminho argentino neste ano no Maracanã, no domingo. Antes disso, a seleção de Sabella precisa passar pela Holanda, no Itaquerão, hoje. "Futebol oferece muitas coisas, mas é uma questão de destino. Você deve estar pronto para ele", disse, antes das quartas de final diante da Bélgica. É a melhor explicação que pode dar para a omissão na lista dos atletas que foram para o México. "Quando entrei em jogos da seleção, as atuações da equipe não foram boas. Nem as minhas." Foram 28 anos de espera para que ele chegasse ao primeiro mundial. Quase o mesmo tempo (24 anos) que a Argentina não atinge a fase onde está agora: a semifinal. Em 1990, foi vice. Época em que Sabella havia pendurado as chuteiras alguns meses antes, após deixar o Irapuato, do México. "Uma coisa é ganhar. Mas não basta. Eu quero mostrar profissionalismo, honestidade, equilíbrio. Estar tranquilo com a minha consciência e saber que dei o melhor de mim. Ser coerente com o que sou e não pedir aos jogadores algo que eles não possam fazer", disse em depoimento ao livro "Pachorra, histórias para conhecer Sabella", escrito em conjunto com os jornalistas Pablo Hacker e Javier Saul. Carlos Bilardo, o homem que lhe negou uma vaga no grupo campeão mundial de 1986, hoje é diretor de seleções da AFA (Associação de Futebol Argentino). É com quem volta e meia troca ideias sobre táticas. Ele não aparenta e garante não ter guardado nenhuma mágoa do esquecimento. "A seleção tinha camisas 10 que estavam em melhor momento do que o meu. É simples", resume.

Edição EDIÇÃO 16962




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